Foz FC e a base feminina

O Foz Futebol mantém uma forte categoria de base feminina, em parceria com o Colégio Estadual Monsenhor Guilherme, as meninas têm oportunidade de iniciar no esporte que é pouco valorizado no Brasil.
Com isso a treinadora do projeto Mayara Amaral, mais conhecida como Preta, conversou com o Redação em Campo e falou sobre o projeto, a peneira que foi realizada no início de dezembro, as metas como treinadora do clube e a importância do futebol e futsal no futuro das atletas, não somente como jogadoras.
RC - Como estava o projeto do Foz antes de você chegar? Alguma coisa mudou?
Cheguei no projeto em 2012, mas ele existe desde 2005, fui atleta desse projeto, atuava na categoria de base 17/20 e depois passei a jogar no adulto.Comecei a praticar o futsal tarde, visto que minha adolescência toda fui atleta de basquete, mas como profissão escolhi gols, traves e uma bola no chão.
O projeto caminhava bem e sempre caminhou. Mas, quando eu cheguei, de certa forma tentei mudar um pouco o foco, pois era muito “competição” e pouco social/educacional. O antigo treinador não era professor formado, apenas um ex atleta que comandava a equipe, apoiado por dois bacharéis em direito (vice-presidente da associação e supervisora). Parte educacional estava meio largada, então, agreguei a associação como parte educacional. Claro, que surgiu algumas divergências no modo de pensar e agir e a parceria durou apenas 1 ano e meio. No final de 2014 ele resolveu não acompanhar mais, e passei a assumir a associação como técnica. Tenho tentado mudar pra melhor a questão social e educacional delas.
RC - Qual o saldo da peneira que fizeram no início de dezembro com as meninas?
Fizemos a peneira em dezembro para descobrir novos talentos e agregar a equipe em 2016, no mesmo esquema, visando o lado educacional com mais afinco. No ano passado, no Paraná, fomos a única instituição a ficar entre os três melhores em tudo que participamos. No estado finalizamos com dois bronzes no futsal e dois bronzes no campo, na cidade com a categoria Sub-17 disputamos um campeonato adulto e terminamos na segunda colocação, perdemos apenas para equipe adulta da cidade por 2 a 1. Aprovamos dez meninas para 2016. Temos um elenco de 20 para a categoria Sub-17 e 15 para a categoria Sub-14 (que são categorias dos jogos escolares).
RC - Como você vê o futuro dessas meninas tanto no futebol quanto no futsal brasileiro?
Futuro no futebol/futsal, sabemos o quanto é difícil. Devemos prepará-las para a vida em geral. Minha maior meta é fazer com que elas estudem e consigam através do esporte uma formação acadêmica, um trabalho bom entre outras coisas. Algumas meninas aqui servem a seleção, mas acredito que o esporte feminino hoje no Brasil é precário e devemos na realidade preparar elas para a vida. Eu consegui minha formação através do esporte, hoje sou licenciada e bacharel em Educação Física e tenho três pós graduações e em 2016 pretendo começar outra. Quero ser exemplo para elas, mostrando que não fui atleta, mas não larguei o que mais amo. Arbitragem, técnica, preparadora física, de goleiras, coordenadora, jornalista esportiva. Existem várias formas de você se manter no esporte e não menos importante.
RC - Quais são os seus objetivos como treinadora?
Tenho um sonho que é disputar o brasileiro escolar, que apenas o campeão de cada estado representa no jogos escolares da juventude organizado pelo COB, e mais do que isso, quero fazer isso nas duas categorias nível escolar, 14 e 17 no mesmo ano, se caso consiga mudarei de sonho, mas enquanto eu não conseguir não penso além, temos que dar um passo de cada vez.
E, tornar minhas atletas serem críticos e pensantes, vivo falando isso pra elas e acredito nisso com todas as minhas forças, serem pensantes são melhores dentro de quadra.
RC - Quais são as metas do Foz para 2016 e mais para frente?
Tenho comigo uma filosofia que é “um degrau de cada vez”, então digo que a minha meta em 2016 é iniciar os treinos com minhas atletas e vencer a primeira competição do ano que é a fase municipal dos jogos escolares, depois mudo a meta pra fase regional, depois macro-regional e depois vencer a fase estadual que sempre vai ser a maior meta.
A minha maior meta é treinar essas meninas e fazer com que estudem e tenham boas notas, o resultado disso é consequência do trabalho que vamos fazer. e espero colher bons frutos.
Preserve o jornalismo e cite a fonte ao copiar. Se diploma não vale nada, a ética deve servir. Pelo bem do jornalismo. Equipe Redação em Campo.


