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Atlético-PR ressurge no futebol e reformula estádio, mas gestão sem títulos mancha nova “Era Petraglia”

Publicado em 20/12/2015 às 10:00 Por Marcelo Cavalli
Era Petraglia
Ederson foi o principal símbolo da temporada 2013, a mais vitoriosa da última gestão. Foto: Gustavo Oliveira e Maurício Mano/Site oficial Atlético-PR

O ano era 2011 e o Atlético Paranaense retornava à Série B do Campeonato Brasileiro após permanecer na elite do futebol nacional por 16 anos seguidos. A crise fez com que Mário Celso Petraglia, longe do comando do clube desde 2008, voltasse a assumir o controle do Furacão para recolocar o time na primeira divisão. Em meio a toda dificuldade dentro de campo, ainda estavam em jogo as tratativas para a realização da Copa do Mundo e de que forma o estádio seria readequado para sediar o maior torneio esportivo do planeta.

Após um acesso bem mais complicado do que se esperava, o Furacão voltou à Série A em 2013 e fez campanhas surpreendentes naquele ano, como a inédita final de Copa do Brasil e a improvável terceira colocação no Campeonato Brasileiro. Nos anos seguintes, com a campanha decepcionante na Libertadores e o menosprezo mais uma vez dos campeonatos estaduais, o clube prolongou o jejum de títulos, que já ultrapassa seis anos.

Sofrimento e acesso na Série B 2012

Time que conquistou o acesso à Série A em 2012 foi completamente reformulado durante a temporada

Time que conquistou o acesso à Série A em 2012 foi completamente reformulado durante a temporada. Foto: Gustavo Oliveira/Site oficial Atlético-PR

O ano de 2012 não começou muito bem para o Furacão, que perdeu o Campeonato Paranaense para o maior rival mais uma vez (já havia perdido também em 2010 e 2011). Já na quinta rodada da Série B, o primeiro técnico da nova “Era Petraglia”, Juan Ramon Carrasco, foi demitido após a derrota por 2 a 0 para o CRB. Ricardo Drubscky assumiu por algumas rodadas, mas a diretoria atleticana trouxe Jorginho, que foi campeão com sobras da segunda divisão do ano anterior com a Portuguesa, para recuperar a equipe na competição.

O técnico também não durou muitos jogos e depois da derrota em casa para o São Caetano, também foi demitido do Furacão. A derrota naquela altura do campeonato (15ª rodada) para o time paulista significava uma distância de nove pontos para o G4, e o acesso parecia ficar cada vez mais distante. Foi então que o improvável aconteceu, quando Ricardo Drubscky reassume o Furacão e fica marcado como o responsável por uma grande recuperação do time paranaense dentro do campeonato. Drubscky assumiu o Atlético durante os 23 jogos finais na Série B, e durante esse período obteve o melhor aproveitamento entre todos os times da segunda divisão, com 15 vitórias, 6 empates e apenas 2 derrotas, totalizando uma aproveitamento de 73% dos pontos disputados.

Coincidência ou não, o Furacão deixou para trás o São Caetano, time para o qual havia perdido na 15ª rodada (e que era naquele momento era a última equipe do G4), para alcançar o tão sofrido acesso à elite do futebol nacional, após um empate suado em 1 a 1 com o Paraná Clube, na última rodada da Série B 2012. O rubro-negro se classificou em 3º lugar com 71 pontos, exatamente a mesma pontuação de Vitória e São Caetano, que terminaram a competição em 4º e 5º, respectivamente, neste que foi um dos acessos mais disputados em todos os tempos.

O verdadeiro “ano do futebol” acontece em 2013

Mesmo sem seu estádio, o Furacão fez campanhas históricas em 2013. Foto: Gustavo Oliveira/Site oficial Atlético-PR

Mesmo sem seu estádio, o Furacão fez campanhas históricas em 2013. Foto: Gustavo Oliveira/Site oficial Atlético-PR

Petraglia prometeu à torcida atleticana que 2015 seria o “ano do futebol”, mas a temporada que mais se aproximou disso foi a de 2013. O ano já começou com polemica, principalmente após a diretoria atleticana anunciar que não disputaria o Campeonato Paranaense com a equipe profissional, mas sim com o time Sub-23, e que faria uma pré-temporada prolongada na Europa. Além disso, foi também no início desse ano que o clube cortou relações de forma radical com a imprensa, principalmente com as emissoras de rádio, que estavam proibidas de entrevistar jogadores e participar das entrevistas coletivas.

Como era de se esperar, as decisões foram muito questionadas pela imprensa local e também nacional, já que o feito era inédito em todo o Brasil. Entretanto, apesar das dificuldades do time no início da competição e a demissão de Ricardo Drubscky na sexta rodada do Brasileirão, o time se recuperou após a chegada de Vágner Mancini. Quando Mancini assumiu o Furacão, os paranaenses estavam na antepenúltima colocação, com sete pontos em oito jogos e apenas uma vitória. Com o novo técnico o Atlético conseguiu uma arrancada impressionante, que levou o time da zona de rebaixamento (8ª rodada) para a zona de classificação para a Libertadores apenas oito rodadas após a chegada de Mancini.

Mesmo sem um elenco muito qualificado e jogando sem estádio próprio (jogava a maior parte das partidas na Vila Capanema por conta das reformas na Arena da Baixada), o Furacão conseguiu se manter durante todo o restante da competição no G4, o que classificou a equipe para a Libertadores. Feito maior ainda foi ter conseguido conciliar duas competições ao mesmo tempo, já que o rubro-negro chegou à final da Copa do Brasil, o que evidenciou ainda mais a importância e os méritos de uma pré-temporada bem feita.

2014 e 2015: temporadas de desilusão

Depois do sucesso em 2013, mesmo com a perda da Copa do Brasil para o Flamengo, a expectativa era de que 2014 seria o ano da afirmação para o Furacão, que teria naquele ano a tão sonhada volta do seu reformulado estádio. No entanto, toda a esperança por dias melhores, tanto dentro quanto fora das quatro linhas, foi diminuindo aos poucos. No futebol, o rubro-negro por pouco não foi eliminado já na fase preliminar da Libertadores, o que não evitou uma campanha fraca na fase de grupos da competição continental, que culminou com a decepcionante eliminação da equipe já na primeira fase. Fora de campo, a Arena da Baixada passava por complicações e por pouco não ficou de fora da Copa do Mundo. O atraso, somado às punições de mando de campo recebidas pelo Atlético por conta da briga de torcidas em Joinville no final de 2013, enfraqueceu o time também dentro de campo e a campanha acabou sendo nada mais do que mediana no Brasileirão.

2015 só não foi mais parecido com o ano anterior porque a torcida atleticana teve que passar pelo calvário de ver seu time disputar o torneio da morte do campeonato estadual. Pior ainda teria sido se o Furacão tivesse mantido o ritmo do paranaense no Brasileirão, mas mais uma vez a campanha do Furacão surpreendeu a todos, que chegou a liderar o campeonato durante três rodadas, tendo como grata surpresa a revelação do técnico Milton Mendes, antes desconhecido no cenário do futebol nacional. Com a avançar do campeonato, o limitado elenco atleticano foi evidenciando suas fraquezas, o que resultou em um longo período sem vitórias, demissão de Milton Mendes e uma aproximação perigosa da zona de rebaixamento. A irregular campanha no Brasileirão se somou aos vexames na Copa do Brasil, em que foi eliminado para o Tupi-MG, e na Copa Sul-Americana, eliminado nas quartas de final para o Sportivo Luqueño.

 

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Marcelo Cavalli

Marcelo Cavalli

Estudo jornalismo porque acredito que futebol pode ser discutido muito além do senso comum. É um esporte complexo que não pode assumir apenas o papel de entretenimento. Setorista do Atlético Paranaense no Redação em Campo

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