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Uma defesa constante pela carreira: Rafael Martins conta a trajetória como goleiro

Publicado em 09/10/2015 às 11:44 Por Geane Godois
Rafael treina em busca de uma oportunidade, após retornar da terceira lesão na carreira. Foto: Site Oficial do Coritiba

Estar em um clube de representatividade, sobretudo, de primeira divisão, é meta da maioria dos jovens atletas que iniciam o caminho no futebol, ao alcança-la, porém, o desejo de se encaixar entre os 11 titulares é o que permeia o trabalho dos profissionais. Dentro das quatro linhas, as posições se dividem muitas vezes em duplas ou trios – de zaga e ataque, por exemplo -, mas um jogador em especial, acaba por ter a atuação solitária e muitas vezes protagonista, negativa ou positivamente: o goleiro.

O arqueiro pode ir do céu ao inferno em poucos lances, pegar um pênalti e segundos depois ver o adversário marcar gol por uma falha que só acontece no calor do momento. No entanto, o “ser” defensor da meta vai além de apenas errar ou acertar. “Só quem é goleiro sabe. É complicado, sempre está trabalhando isolado, digamos assim. Mas na verdade só quem trabalha ou trabalhou ali tem noção do que é tomar um frango, do que é a torcida xingar”, afirmou Rafael Martins, que atualmente, aos 23 anos, é o quarto goleiro do Coritiba.

A busca por espaço no time é diferenciada, já que ao contrário dos jogadores de linha, o gol precisa ser ocupado por apenas um atleta, que não pode ser improvisado como acontece entre os de mais. Porém, ao contrário do que se pensa, o convívio entre os arqueiros não é permeada exclusivamente pela competição, mas, e principalmente pela parceria. “Pelo menos aqui no Coxa nós nos ajudamos. O Wilson hoje está como titular e sempre vem procurar a mim, o Bruno e o Vaná para ter outras perspectivas da atuação, de determinado lance, por exemplo. Trabalhamos muito pelos nossos objetivos, mas sem passar por cima de ninguém”, ponderou.

Carreira de altos e baixos

Martins chegou ao alviverde paranaense em 2007 e antes havia passado por formação em escolinhas e no Bandeirantes. Contudo, como muitos meninos, o desejo de viver do futebol foi despertado aos 12 anos com a afinidade em brincadeiras e teve início nos jogos de salão. Como muitos também, o sonho precisou ser adiado devido às dificuldades na renda familiar. Aos poucos, de testes em testes, de clube em clube, o jogador se destacou na Taça BH de 2010 e foi eleito o melhor goleiro desta competição, ao qual a equipe Sub-20 sagrou-se campeã. “Eu sabia que era a chance da minha vida”, comentou.

Em um universo profissional em que há muita disputa – mesmo que velada -, aproveitar as oportunidades tem grande importância. De acordo com Rafael, a partir de 2011 e de seu desempenho reconhecido, as coisas começaram a avançar mais em sua carreira. “O Edson Bastos, a quem devo muito por todo o aprendizado, foi para a Ponte Preta e eu assumi então como o segundo goleiro. Imagine, não passei em alguns testes de times menos representativos e passei a segundo do Coritiba, um time de Série A”.

No entanto, obstáculos fazem parte, no caso do jogador, as lesões são os mais complicados. “Neste mesmo ano me lesionei pela primeira vez em um amistoso numa quinta-feira e eu seria titular no sábado, porque o time seria poupado para a Copa do Brasil. Foi muito difícil, lesionei o ombro direito e fiquei oito meses fora. Depois de me recuperar, machuquei o outro. Mais oito meses. Me recuperei, fui treinar com o Sub-23 e em um movimento normal o direito saiu de novo. Ali eu pensei em desistir”. Neste meio tempo, Rafael havia “voltado para o fim da fila” na ordem dos defensores do clube. “Contei com muito apoio, da minha namorada, amigos, família e em um momento em específico do Keirrison, que também passou por vários percalços com as lesões, só que muitos também me disseram para largar, rindo de mim mesmo”.

Recomeços necessários

As oscilações na equipe são consequência, já que os jogadores são as peças que giram a máquina do jogo de futebol, por isso, Martins voltou a treinar com as categorias de base, pois já tinha perdido espaço pelo tempo parado. Aos poucos, com a recuperação e a insistência no recomeço, o arqueiro voltou ao time principal como quarto goleiro e chegou a atuar no Campeonato Paranaense de 2015. “Eu vou treinar feliz, dou a vida nos treinamentos. Podem pensar que por não ser a primeira opção, o trabalho se faz com menos vontade ou querendo o pior para os companheiros, mas não é assim. Busco fazer o meu para quando o Coritiba precisar eu possa entrar bem e enquanto isso, torço pelos que estão à minha frente também”, afirmou.

Assim, o goleiro não é apenas uma posição em campo, mas outras que trabalham fora para que, se necessário, o jogo não pare, o campeonato tenha sequência e, acima de tudo, que o espaço de cada um seja respeitado. “Respeito os meus companheiros e aprendo com eles sempre, bem como com outras pessoas com quem trabalhei, seja lá atrás no Bandeirantes ou o Vanderlei, por exemplo que saiu há pouco tempo. É normal a disputa de vagas, mas é preciso entrar concentrado e aproveitar o que vier”, completou Rafael.

Preserve o jornalismo e cite a fonte ao copiar. Se diploma não vale nada, a ética deve servir. Pelo bem do jornalismo. Equipe Redação em Campo.
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Geane Godois

Buscando aliar a paixão pela escrita, por contar histórias e pelo esporte, escolhi o jornalismo como profissão há três anos e meio, quando iniciei a graduação na PUCPR. Setorista do Coritiba no Redação em Campo.

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