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Conheça o “cantinho” de Serjão, roupeiro do JEC há 17 anos

Publicado em 07/10/2015 às 15:27 Por Yan Pedro
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Serjão é roupeiro do Joinville há 17 anos. Foto: Raphael Flores/Sou JEC

São dezenas de chuteiras, calções, camisas, casacos, meiões. Todos limpos, arrumados. Identificados com números. Não há uma peça fora do lugar, nem outra que não possa ser encontrada num instante. A sala retangular, de cerca de 20 metros quadrados, tem as paredes revestidas por uma tinta branca. O “cantinho” do Serjão, roupeiro do Joinville há 17 anos, fica no Centro de Treinamento do clube, no bairro Morro do Meio. Lá ele passa boa parte do seu dia. Sabe de cor a chuteira de qualquer jogador — até mesmo daquele reserva esquecido pela torcida. Os companheiros de clube não poupam elogios: “trabalhador”, “dedicado”, “simples”. O último adjetivo talvez seja o que mais chame a atenção neste senhor de 56 anos que jamais esquece de citar seu colega de rouparia, Fernando, quando recebe um elogio por seu trabalho.

— É um trabalho em equipe — resume, em poucas palavras.

Apesar do aumentativo, Serjão não é ão. A silhueta ou o comprido bigode podem explicar o apelido, mas toda essa dureza aparente cai por terra quando Serjão sorri. É um senhor doce. Assim como uma criança, ainda sente vergonha e fica com as bochechas (ainda mais) vermelhas ao perceber que estão falando dele. Fica bravo de verdade, sai de perto, vai emburrado para o outro lado. Igual a uma creche, os “coleguinhas” no Joinville não perdoam. Lincon, massagista do clube há mais de uma década, conta que certa vez, em Goiás, o tão organizado e metódico Serjão entrou em “parafuso”.

— Ele começou a tirar as coisas do baú e não conseguia achar os shorts — diz Lincon, já vendo que Serjão, a alguns metros dele, percebera que ele contava a tal história. — Aí ele entrou em parafuso, colocou a mão na cabeça, ficou ruim.“Meu Deus, Lincon, eu esqueci os shorts, me ajuda, o que vai ser de mim”, ele dizia.

Mas, depois de ir até o vestiário do time visitante para saber se poderia trocar de uniforme (o Joinville jogaria de calção preto, e o Goiás, de branco), tudo se acalmou. Os shorts estavam lá, no fundo do baú, arrumados, como de costume.

Foto: Raphael Flores/Sou JEC

Foto: Raphael Flores/Sou JEC

Fernando é daqueles que não entrega o amigo. E não adianta insistir. Talvez por respeito ao companheiro de clube. Mas, além disso, o que marca a relação entre os dois é a cumplicidade.

— Ele é corajoso por aguentar 17 anos — opina Fernando, que trabalha na rouparia há dois anos e meio. — Quem olha de fora pensa que é fácil, mas são muitas viagens e responsabilidade. Já pensou esquecer as roupas de algum jogador? — complementa.

Serjão não é apenas roupeiro. De vez em quando, ele também é conselheiro. Para alguns, quase um pai.

— Muitos jogadores chegam aqui sozinhos, sem família e sem amigos. Acabam procurando a gente para conversar e desabafar — conta Serjão.

Aliás, Serjão sabe bem como é a vida de jogador. Além de conviver diariamente com dezenas, é pai de um. Serginho, volante vice-campeão do Catarinense em 2006 pelo JEC, que hoje defende as cores do Guarani, de Campinas. Além de Serginho, ele tem mais duas filhas com a dona Lenita, sua esposa.

A história de Sérgio Roberto de Braga no Joinville começou em 1998. São muitas trocas de técnicos, jogadores. Várias polêmicas, confusões. Mas ele continua lá.

— Serjão, conta uma coisa, qual é o segredo pra ficar tanto tempo no Joinville? — pergunto a ele.

— O segredo é ouvir uma coisa por aqui e deixar sair pelo outro lado — responde, apontando para os ouvidos.

— Mas muita muita gente deve perguntar coisas dos bastidores. O senhor, claro, deve ser um dos mais bem informados… — continuo.

— Claro que perguntam, mas eu desconverso, não dou muita bola, não — finaliza.

Depois que o árbitro apita o final de jogo ou o técnico determina o final do treinamento, o trabalho de Serjão (e de Fernando, como ele faz questão de lembrar) continua. É hora de carregar as chuteiras para o tanque, levar o uniforme para a lavanderia. Afinal, amanhã tudo tem de estar lá, limpo e organizado.

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Preserve o jornalismo e cite a fonte ao copiar. Se diploma não vale nada, a ética deve servir. Pelo bem do jornalismo. Equipe Redação em Campo.
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Yan Pedro

Nascido e criado em Joinville, estudante de Jornalismo (sexta fase) e repórter na Rádio Máxima 96.7 FM. Assiste a qualquer esporte - de golfe a futebol.

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