Chapecoense e seus desbravadores

Todos os clubes têm, em sua história, um momento em que começam a desbravar terras mais distantes. Em geral, aqui no Brasil, o desejo - que naturalmente torna-se obsessão - é pela América. As décadas de 1960, 1970, 1980, até 1990, marcaram as primeiras experiências de algumas equipes pelo continente. Mas neste ano de 2015, um pequeno - já não tão pequeno - clube do interior de Santa Catarina escreve as primeiras páginas de sua história internacional. A Chapecoense vive este bonito momento em que seus primeiros desbravadores tornam cada partida uma passagem épica na história do clube.
Se o empate em solo paraguaio, diante do Libertad, já engrandeceu esta primeira experiência verde e branca pelo continente, o jogo de volta tornou-se um marco. Quase 10 mil apaixonados lotaram a Arena Condá para ver a história ser escrita bem em frente aos seus olhos. E a Chapecoense e seus desbravadores não decepcionaram.
Este capítulo da história da Chape começou como já poderia se prever. O Libertad, calçado de sua experiência internacional, fazia daquele mais um jogo e com frieza, chegou ao primeiro gol logo nos minutos iniciais. A equipe paraguaia sabia da necessidade de desmanchar a vantagem catarinense o quanto antes. Com míseros três minutos de bola rolando, Mencia colocou nas redes e colocou os paraguaios na frente.
A vantagem inicial pelo empate em 1 a 1 na ida, fora de casa, foi dizimado pelo gol nos primeiros momentos de partida, mas o tento não abalou a confiança dos jogadores da Chape. A equipe da casa ainda demorou algumas voltas do relógio para entender o que se passava. Pouco tempo depois, utilizando a mesma arma do adversário, a Chapecoense alçou bola para a área e Túlio de Melo usou seu pé direito para estufar os cordéis paraguaios. Tudo igual na Arena Condá.
Logo nas primeiras jogadas da etapa final, os guerreiros alviverdes foram desfalcados de um homem - assim como havia sido na batalha de ida. A expulsão de Wanderson tornou os 45 minutos finais um drama para quem buscava ampliar sua primeira campanha internacional. O apito derradeiro do árbitro soou como um grito de alívio.
Mas o alívio foi momentâneo, já que estava por vir a angústia de uma decisão por pênaltis. A cada tiro, os jogadores da Chapecoense comemoravam como quem escrevia história com seus pés. E de fato faziam. Já os atletas do Libertad, não esboçavam nenhuma reação, como é natural de alguém que está acostumado a disputar este tipo de peleja como quem vai à esquina comprar pão. Neste caso, a vibração levou a melhor sobre a frieza. Rodrigo López já havia mandado por cima e a torcida da Chape viu seus jogadores colocarem todas as bolas na rede até Tiago Luís ajeitar a pelota e tomar distância. Naqueles metros que percorreu até bater na bola, estariam o destino alviverde na Sul-Americana. Com seu pé direito confiante, fez a bola beijar a rede e estremecer a Arena Condá.
Hola @CARPoficial. Estamos llegando. #VamosChape
— Chapecoense (@ChapecoenseReal) 2 outubro 2015
A Chapecoense e seus desbravadores continuam com os facões na mão para seguirem trilhando seu caminho nesta mata fechada que é a América. O próximo desafio é contra nada menos que o atual campeão de todas as competições da Conmebol. O River Plate jogará como o Libertad, com a frieza e a tranquilidade de quem disputa mais uma partida. No entanto, os argentinos conhecem mais das artimanhas e surpresas que este tipo de competição reserva. Para a Chape e seus desbravadores, é a vida colocada em jogo novamente, em dois tempos de 90 minutos e pênaltis se forem necessários.
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