A Chapecoense está escrevendo sua história bem em frente aos nossos olhos

A maioria daqueles momentos históricos e que ficam marcados para sempre só têm sua dimensão percebida posteriormente. Em grande parte das vezes, aqueles que estão presenciando o momento e mesmo os protagonistas do acontecimento, não se dão conta do que estão vivendo. Pois a quinta-feira, 25 de setembro de 2015, foi histórica. Na noite deste dia 25, a Associação Chapecoense de Futebol entrou em campo, pela primeira vez em sua história de 42 anos, para disputar uma partida internacional. Não vamos deixar que isto passe em branco.
E a estreia da Chape foi de gente grande. Mistão? E daí? Um jogador a menos? Quem se importa? O Verdão do Oeste mostrou que esta pode até ter sido a primeira, mas não quer dizer que será a última. O gol de empate sofrido no apagar das luzes no Paraguai é aquela lição que fica para uma equipe que está apenas sendo iniciada nos gramados latinos.
Mas o primeiro capítulo da história internacional da Chapecoense teve passagens dignas daquelas encontradas em grandes feitos pela América do Sul. O enredo deste primeiro ato verde e branco pelo continente enriqueceu ainda mais a façanha catarinense.
O jogo, para a Chape, começou antes mesmo de a bola rolar. Foram nada menos que 11 (ONZE) horas de uma cansativa viagem de ônibus, até que a delegação chegasse à Assunção, no Paraguai. O adversário, é importante salientar, foi o Libertad, campeoníssimo dentro do país e já tradicional participante de competições internacionais. Mas o que são 11 horas em um ônibus para um grupo de jogadores disposto a fazer história?
Focado na luta contra o rebaixamento no Campeonato Brasileiro, a Copa Sul-Americana e o primeiro jogo internacional da história do clube ficaram um pouco “de lado” no que diz respeito às prioridades para a reta final de temporada. Portanto, foi a campo o famoso mistão – este mais reserva que titular. Pouco importou, no entanto.
Um passo em falso, uma titubeada, uma furada do zagueiro adversário. Foi o que precisou Camilo para, 17 minutos depois de o apito soar no acanhado Estádio Dr. Nicolás Leoz, colocar seu nome para sempre na história e na lembrança da torcida verde e branca. De pé direito, confiante, certeiro, o camisa 10 colocou nas redes. Pela primeira vez em toda história, o torcedor da Chape gritou, pulou, levantou do sofá, jogou o radinho de pilha longe, comemorando um gol internacional de seu time de coração. Alguns privilegiados o fizeram subindo no alambrado juntamente com o autor do feito. Nos segundos em que compartilhavam a mesma grade, Camilo e aqueles torcedores ainda não haviam se dado conta do que acabara de acontecer.
Nos últimos 45 minutos de peleja, as coisas se complicaram para o lado catarinense. O zagueiro Igor acabou deixando o campo, expulso. Com um jogador a menos, o enredo tornou-se dramático. O goleiro Danilo apareceu defendendo as traves da Chape como quem defende a honra da família. O gol de empate, em uma bola parada, aos 47 do segundo tempo, é a lição que a Chapecoense leva de seu primeiro embate em terras desconhecidas. Nestes territórios inóspitos que são os gramados por este continente, a briga é até que o último apito seja soado.
Este foi daqueles empates em que, quem sofre o gol no minuto final, sai de campo como derrotado. Mas, nesta ocasião, em especial, o sentimento deve ser outro. A Chapecoense estreou em terras estrangeiras como gente grande. É preciso muito cuidado para o jogo de volta, mas o Verdão do Oeste quer, e pode, escrever novos, e felizes, capítulos nesta história.
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