Além do futebol, projeto “Goleiros de Aluguel” salva peladas de fim de semana e ajuda crianças carentes

Por Maria Luiza Piccoli
É sábado à tarde. O grupo de peladeiros se reúne no campo do bairro para a partida de todo o fim de semana. Cada jogador escolhe a sua posição até que alguém pergunta: “quem vai para o gol?”. Que a camisa um não é a favorita, todo o mundo sabe. Além da responsabilidade de defender a rede, a posição de goleiro exige agilidade e coragem para sair do jogo mais sujo e machucado do que qualquer outro jogador, uma vez que - segundo reza a lenda -debaixo da trave não cresce grama. É nessas horas que entra em campo o “Goleiro de Aluguel”. O projeto, que nasceu em 2014 como uma brincadeira, já supre uma média de três partidas por dia apenas em Curitiba, e desde o lançamento da fan page no Facebook, tem expandido horizontes, chegando inclusive aos estados de São Paulo e Minas Gerais.
A ideia partiu do empresário Samuel Toaldo, de 31 anos, que fundou o projeto ao notar o desinteresse dos seus próprios colegas em jogar no gol. “Sempre fui bom no gol, então sempre sobrava para mim. A fama se espalhou e começaram a me chamar para jogar partidas fora do meu círculo de amizades. Foi assim que começou”, revela. Samuel, que é formado em física e tem uma empresa de TI na região de Campo Magro, fundou um site para reunir goleiros voluntários de diferentes pontos de Curitiba e Região Metropolitana. Em poucos meses de funcionamento, a página já contava com 50 goleiros cadastrados, suprindo cerca de um jogo por dia. Um ano depois, o grupo atende três jogos diariamente - de segunda a segunda – e conta com 80 goleiros espalhados pela capital paranaense.

Por partida é cobrado um valor simbólico de R$ 30 do qual uma parte é destinada à compra de luvas e bolas para instituições de caridade. Foto: divulgação
Convocar o serviço é simples. Basta acessar a página da internet e preencher um cadastro com dados gerais do jogo. Por partida é cobrado um valor simbólico de R$ 30 do qual uma parte é destinada à compra de luvas e bolas para instituições de caridade. “O serviço social sempre foi o foco do projeto”, afirma Samuel. Com a difusão do trabalho por meio das redes sociais, diversas entidades beneficentes têm recebido doações mensalmente, e não apenas a nível estadual. Recentemente, um educador da República do Mali, na África, solicitou apoio dos goleiros de aluguel para seu próprio projeto com crianças carentes.
Com o rápido crescimento, novos desafios têm surgido. O próximo passo, de acordo com Samuel, é arrecadar fundos para a expansão do projeto em nível nacional e com isso, ajudar ainda mais crianças carentes. “Já contamos com colaboradores em São Paulo e Minas, mas o objetivo é alcançar o Brasil todo”, afirma.
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