Só a Liga salva?

Grandes executivos sendo presos por corrupção. Confissão de pagamentos de subornos por empresários renomados no mercado. Articulações políticas para que leis que impõem controles rígidos de atividades não sejam aprovadas no Congresso. Membros do Judiciário envolvidos em acusações de trocas de favores. Financiamentos obscuros de campanhas.
As situações citadas no parágrafo acima fazem parte do cotidiano dos noticiários políticos pelo nosso país. Principalmente no último mês, os mesmos ilícitos e acusações, fazem parte do dia a dia do futebol brasileiro.
E como na época das campanhas eleitorais, o que não faltam são “salvadores da pátria” ou “pseudorrevolucionários”, que aparecerem com soluções para TODOS os problemas da humanidade.
Infelizmente, são em momentos de crise que oportunistas, sob a pecha de trilhar novos rumos a determinado segmento, se aproveitam do clamor popular por mudanças, para se autopromover e chegar ao poder para implementar seus projetos de interesse, exclusivamente, pessoais.
No momento ruim que vive o nosso futebol, embora seja indiscutível que uma enorme reformulação deva ser realizada, a sede de mudanças acaba cegando muita gente. Tal cenário deixa muitos “corvos de plantão” em estado de alerta.
A que considero mais propagada e menos analisada profundamente, é a tal criação da famosa e alardeada Liga de clubes. Pelo que leio e ouço, a criação de uma Liga resolveria, quase que instantaneamente, todos os problemas do futebol brasileiro.
Discordo!
Hoje, a criação de uma Liga seria praticamente aquela história do marido que flagra a mulher com o amante no sofá da sua casa. Quando todos esperam que ele vá largar a mulher, ele troca somente o sofá.
Para corroborar com isso, uma pergunta: quem comandará essa Liga? Ou alguém, dentro da normalidade, acha que a maioria das pessoas que hoje, já tem poder decisório no nosso futebol, não estará ocupando os principais cargos da messiânica e propagada Liga?
Num simples passe de mágica, sai todo mundo e entram em campo somente pessoas de moral ilibada e notório saber em gestão e organização do futebol?
Sinceramente: falta diálogo, falta estudo, falta conhecimento da prática, falta planejamento e, principalmente, falta de uma dose cavalar de realismo a essas pessoas.
Quem acha que a simples criação de uma nova pessoa jurídica, que teria em sua grande maioria as mesmas finalidades das que já estão aí administrando o futebol, resolveria os problemas sistêmicos do futebol brasileiro, em minha opinião, não sabe de metade das mazelas que assolam o esporte.
O primeiro grande passo é trocar o imediatismo e a fantasia de que tudo mudará num piscar de olhos, por mudanças gradativas e planejadas, balizadas em leis que sejam efetivas e norteiem uma evolução gradativa a médio e longo prazo. Com medidas que efetivamente coloquem todos na linha!
Se basicamente há pessoas que hoje trabalham incansavelmente para que a MP 671 não seja aprovada com todas as contrapartidas que iniciariam uma mudança significativa no futebol brasileiro, por que pensar que estas mesmas pessoas fariam diferente com a criação de uma simples Liga?
Se a cultura e os vícios não forem diagnosticados e tratados primeiro, o futebol nacional somente trocará o sofá da sua casa!
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