O joio e o trigo

O escândalo de corrupção, que ocasionou a prisão de 11 dirigentes da FIFA na Suíça, pode ser considerado um marco zero para se desfazer muitas inverdades que permeiam o futebol há muito tempo.
Simbólica, a ação do FBI não pode parar por aí. Ainda há muito que ser investigado em todas as esferas do esporte. Com a punição de todos os culpados.
Mais do que isso, que os desdobramentos do caso sirvam para separar quem realmente trabalha sério no meio, de quem usa o futebol para benefício e enriquecimento próprio.
Digo isso, porque o estardalhaço de comentários em mesas redondas, redes sociais, notícias em diversos meios de comunicação, em sua imensa maioria, apontam o dedo covardemente e, sem qualquer tipo de fundamento, para todas as instituições e todos que trabalham no meio, principalmente dirigindo o esporte. Medindo muita gente boa com o tamanho da régua de Marin’s da vida.
A covardia, neste caso, encontra-se na generalização. Como se em qualquer segmento não existissem corruptos. Temos gente desonesta na medicina, no direito, no jornalismo, no empresariado, na política, etc. Trata-se o tema, como se no futebol não existisse gente que rala muito pelo bem do esporte em confederações, federações e clubes. Até meu maior ídolo no futebol, e um dos únicos na política, o Senador Romário, andou passando do ponto.
Trabalhar com o futebol realmente não é uma tarefa fácil. Como o mesmo passou quase que toda sua existência à margem da lei e do profissionalismo, gente séria não é ainda muito bem-vinda e bem-vista em vários setores. Para se fazer carreira no meio, ainda mais vale um bom relacionamento do que o currículo e a competência.
Mas a coisa vem mudando. Creio que para melhor. Espero que ainda muita gente seja investigada e, comprovada sua culpa, devidamente presa.
Que os acontecimentos dessa semana, além de profissionalizar, aumentar a fiscalização, dar transparência e moralizar a forma como o futebol é gerido, sirva para separar quem realmente está servindo o esporte dos que estão se servindo dele.
“A consciência tranquila ri-se das mentiras da fama.” (Ovídio)
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