Campeão da Copa do Brasil Feminino, técnico Josué fala com o Redação em Campo

Após conquistar o título da Copa do Brasil de Futebol Feminino e a vaga para a Libertadores do ano que vem logo no primeiro ano de trabalho frente ao Kindermann, o técnico Josué Kaercher conversou com o Redação em Campo e contou sobre os objetivos, o clube e o dia-a-dia com as atletas.
Redação em Campo - Você é ídolo em Caçador, como está sendo treinar o time feminino?
Josué Kaercher - Para mim é uma satisfação muito grande ter sido convidado a ser treinador da equipe feminina devido a história que eu tenho de vitórias, acessos e títulos pelo Caçador Atlético Clube. Sei que a cidade me acolhe muito bem. Dentre vários fatores eu resolvi aceitar esse desafio, sabia que eu poderia manchar minha carreira como jogador ou também sabia que eu poderia ter êxito no que fosse feito, mas eu confio no que faço e confiava também nas atletas que estavam sendo contratadas, porque eu pedi o nome de cada uma para eu averiguar o nível técnico delas antes de eu assumir o comando.
Uma coisa fez a outra, as atletas me fizeram, eu fiz as atletas e a gente conseguiu êxito no final. Foi com muita luta, muito sacrifício, para mim, eu sou movido a desafios e foi mais um desafio na minha carreira e que eu conclui com sucesso. Estou muito feliz na equipe do Kindermann devido a estrutura que tem a equipe, que tem a associação fora do campo e dentro do campo, então foi de ambas as partes e o sucesso veio, quando a alegria é de ambos e você coloca Deus na frente é impossível as coisas não darem certo.
RC - Agora que vocês conquistaram um dos títulos mais importantes do Brasil, se não o mais importante, vai ter mais pressão ou vocês não pensam assim?
JK - Pressão é claro que vai ter porque agora você se tornou uma equipe a ser batida. Todas as equipes que vierem jogar contra o Kindermann vai ser uma final de Copa do Mundo, desde uma equipe de um nível mais inferior até de um nível superior, então elas vão querer entrar e jogar sempre as ultimas fichas ou até mesmo para as atletas ser contratadas para virem vestir a camisa do Kindermann ou até mesmo para bater o Kindermann porque é um campeão brasileiro. Isso é notório que vai existir, agora pressão, o objetivo foi alcançado, a vaga da Libertadores para o ano que vem, é a mesma coisa que dá o Campeonato Brasileiro, que é vaga pra libertadores, então o objetivo grande a gente já conseguiu nesse ano, não vamos deixar a peteca cair em momento nenhum, vai continuar da mesma forma o trabalho sério, competente, buscando títulos, porque você é movido a desafios.
O ranking está aí e temos que chegar em primeiro, se tiver que passar por cima de adversários a gente vai passar, foi igual aconteceu nessa Copa do Brasil, qualquer adversário que venha você tem que ser um rolo compressor e respeitando sempre mas sabendo que você tem qualidade e competência para alcançar.
RC - Sabemos das dificuldades que existem no futebol feminino aqui no Brasil, principalmente a falta de apoio. Como o Kindermann está com relação a isso?
JK - A realidade que existe no futebol feminino, uma falta de apoio, mas quando você não tem apoio tem que caminhar com as próprias pernas e o Kindermann tem um presidente que é o Salézio é o cara que praticamente que paga as contas da associação, então é a paixão que move ele, ele é um apaixonado pelo futebol, já foi meu presidente no futebol masculino, aí inverteu os papeis, foi pro futebol feminino, fui ser treinador da equipe dele então ele consegue administrar muito bem, mas é uma situação ruim, porque aí você tem que viver a conta-gotas, não pode sair nada da linha de gastos porque vai fazer falta na frente.
Eu acho que o poder publico deveria olhar com mais carinho para o futebol feminino. Existem grandes atletas, grandes pessoas, grandes profissionais que lutam dia-a-dia e agora que sou treinador de futebol feminino vejo que é difícil, as vezes mulheres que tem que passar longe de suas casas, eu vejo que é difícil essa situação, existem mulheres sofridas e competentes no que fazem. Até mesmo na nossa seleção falta apoio, e decorrente disso falta para a seleção, para os clubes e assim vai.
Acho que tinha que ter uma lei que destinasse uma verba para o futebol feminino, para os clubes, a seleção, é válido porque o que eu vi não só no Kindermann, nos outros clubes também, enfrentamos equipes do Espirito Santo, Piauí, então a gente vê que é batalhado, é sofrido, ninguém desiste, todo mundo enfrenta, independente se perder ou se ganhar, se fizer uma boa campanha ou não, todos unidos, isso é valido para o esporte, para todo o futebol feminino. Precisamos de apoio, que as pessoas abram a mente e comecem a investir mais nessa categoria.
RC - A Djeni e a Samia foram para o São Paulo. Já estão de olho em novas jogadoras para substituí-las ou o elenco irá suprir?
JK - Não, o elenco é pequeno e a gente já está de olho em outras jogadoras sim para o campeonato brasileiro, para o estadual até a gente vai com as mais jovens, porque temos que colocar elas para jogar senão não sabemos o nível que elas estão durante as partidas. Mas já estamos de olho em algumas atletas sim.
RC - Para finalizar, como é o dia-a-dia no clube, os treinamentos, a concentração?
JK - Procuramos fazer um ambiente familiar, existe um refeitório, um buffet que é servido pela cozinheira, que faz com muito amor, muito carinho, os cardápios são preparados sempre pela manhã bem cedo, sempre comida de qualidade. Treinamentos em dois períodos, é uma equipe profissional, dias de folga são folga, porque a atleta tem que ter seu espaço de lazer, sabendo também do que ela tem pela frente, na folga procuro não saber o que elas fazem.
Nos dias de compromisso, 11 horas da noite é o horário que rege para estar dentro do alojamento e se não se adapta a esse horário a porta da rua é a serventia da casa, porque regras são feitas para serem cumpridas, por isso aqui tem que cumprir horários e também não sou nenhum carrasco, nos dias de folga a gente libera.
O ambiente é muito familiar, é um ambiente bom, elas sabem que precisam disso, sabem que o ambiente tem que ser assim, tipo família, porque elas já estão longe de seus pais, suas mães, de pessoas que elas gostam, então procuramos ser o mais, não vou falar pai porque tenho idade de ser irmão de algumas delas, mas também procuro ser um cara rígido porque onde passei fui capitão de equipe, fui um líder, sei que se não tiver comprometimento, se a pessoa não souber onde quer chegar, se tiver com a cabeça avoada não vai chegar a lugar nenhum, então a gente tem que pegar firme em algumas situações.
Preserve o jornalismo e cite a fonte ao copiar. Se diploma não vale nada, a ética deve servir. Pelo bem do jornalismo. Equipe Redação em Campo.
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Patricia Zeni
Estudante de jornalismo. Apaixonada por futebol, principalmente o feminino. Também apaixonada por motovelocidade e rugby. Torcedora do Arsenal (Ladies), da Inter de Milão e dos Saracens.


