Mudança vem de dentro

Passamos por uma fase onde todos os canhões da crítica estão apontados para as instituições do futebol brasileiro (clubes, federações e a confederação). Segundo esses críticos, tudo o que há de mal e ruim no nosso futebol, está inserido dentro destas instituições.
O nosso futebol é o retrato de nossa sociedade, o que parece ser verdade, na medida em que observamos uma crítica generalizada de que todos os problemas do nosso país são atribuídos a um único partido político. O que, obviamente, é uma inverdade. As mazelas da nossa sociedade são bem mais amplas e profundas, não sendo responsabilidade exclusiva de um único partido ou grupo de pessoas.
A mudança tem que ser de todos. Tanto na nossa sociedade, como no nosso futebol.
Primeiro que qualquer tipo de crítica generalizada está propensa à injustiça, pois quase sempre é emanada do comodismo e da falta de uma análise profunda do contexto em que situações e pessoas estão inseridas. Existem sim, hoje, instituições e dirigentes no futebol brasileiro que estão na vanguarda de soluções para questões críticas que atrapalham o desenvolvimento do futebol brasileiro desde sempre.
Mas afinal, o real problema do futebol brasileiro são suas instituições, quem as administra ou a forma como são administradas?
Se fosse para escolher somente um dos questionamentos acima, ficaria com o terceiro. A forma arcaica como nosso futebol é gerido causa desdobramentos que afetam diretamente nossas instituições e a conduta de quem as administra.
Para mudar essa situação, além do uso de boas práticas de gestão e governança, nossa legislação deve oferecer normas rígidas sobre a maneira e os rumos que a gestão do futebol deve seguir. A MP no 671/2015 (PROFUT) é um bom início para esta transformação, mas não pode ser a única medida adotada.
Um exemplo emblemático foi o Flamengo que, na última semana, promoveu a alteração do seu estatuto, se adequando ao texto do programa de modernização da gestão e de responsabilidade fiscal do futebol brasileiro, estabelecido pelo PROFUT, antes mesmo deste ser aprovado no Congresso.
Ou seja, o clube com a maior torcida do país, que até pouco tempo estava totalmente afundado em dívidas, e que por anos era apontado como uma case de má gestão, mostra o caminho e mostra também que a principal mudança para o desenvolvimento no nosso futebol vem de dentro, de pequenas atitudes que transformam significativamente a forma como nossas instituições são conduzidas.
O futebol brasileiro precisa de muito trabalho e seriedade na forma como é administrado. De normas claras e bem fiscalizadas. Nossas tradicionais instituições não são o problema. Mas necessitam de novos rumos, de vontade de mudança e de uma nova visão administrativa.
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