Ainda engatinhamos

O estudo sobre a necessária profissionalização sistêmica do futebol brasileiro passa obrigatoriamente pela análise de aspectos inerentes à nossa sociedade, cultura e os segmentos que orbitam o esporte.
Quando vejo comparações entre o futebol brasileiro e europeu, por exemplo, não consigo deixar de refletir sobre as diferenças abismais entre os países europeus e o nosso.
O Brasil tem pouco mais de 500 anos, uma diferença absurda em relação a sociedades com séculos a mais de existência. Não tivemos tempo nem de criar uma identidade cultural como país e, principalmente evoluirmos como sociedade. Isto é natural!
É claro que temos ótimos exemplos oriundos do velho continente, e penso que muitos devem ser seguidos quando se trata da gestão do futebol. Mas enquanto seguirmos nivelando nossa sociedade por baixo, a tendência é de continuarmos no mesmo patamar.
Somos o país do “jeitinho”, da indústria da “carteirada”, dos pagamentos de propina em todas as escalas, dos “gatos” de Tv a cabo, do superfaturamento de obras. Aqui, pertencer a grupos de “rede de favores” possui mais valor que o profissionalismo e o trabalho sério.
No Brasil é mais fácil proibir algo, do que tentar reprimir quem comete ilícitos. Vejam a falta de sentido em se proibir a venda de cerveja em estádios de futebol.
Obviamente que isso também existe em outros países. Em menor escala e, principalmente, com punições severas aos infratores.
Quem deseja participar do processo de profissionalização do nosso futebol e se destacar no mercado de trabalho, deve aprender a se adaptar a essas realidades. Notadamente, saber agregar o conhecimento técnico às nossas realidades culturais e as falhas produzidas por uma sociedade que mal saiu das fraldas em termos de evolução.
[perfect_quotes num=”1″ cat=”4692″]
Este conteúdo é de responsabilidade do autor e a reprodução só é permitida mediante autorização.


