Errar é humano

Nestes 5 anos trabalhando no futebol, uma classe que ganhou meu total respeito é a arbitragem. E a primeira razão deste fato era a total ignorância e falta de informação deste que vos escreve sobre o trabalho dessas pessoas.
Para entender o que é ser um árbitro de futebol, não basta acompanhar o esporte, praticá-lo ou ter conhecimento de suas regras. Você tem de se colocar no lugar dessas pessoas.
Imagine você e mais duas pessoas sendo responsáveis por controlar 22 atletas, muitos dos quais querem induzi-lo ao erro. Junte a isso milhares de câmeras e pseudocomentaristas lhe julgando lance a lance, mesmo que estes tenham que revê-los várias vezes para chegar a uma conclusão.
Você tem 3 ou 4 segundos para tomar suas decisões e muitas delas, mesmo que corretas, desencadeiam reações primitivas nas arquibancadas, produzidas por torcedores, que cegos por sua paixão, não tem discernimento sobre o certo ou errado.
Um único erro (que eu, você ou qualquer um poderia cometer) pode marcar sua carreira para sempre!
Além disso, são objeto de “transferência de responsabilidade” em muitas derrotas.
Um adendo: entendo que o erro de arbitragem faz parte do esporte e está inserido no contexto do jogo de futebol.
Os parágrafos acima são o aspecto externo da carreira de um árbitro. Pessoas abnegadas que se preparam diariamente para enfrentar todas as dificuldades mencionadas acima e muitas outras que possam aparecer no decorrer de uma partida.
Estão inseridos num meio em que na maioria das vezes não são reconhecidos como profissionais da área. Isto pode ser verificado até pela remuneração que recebem.
Além dos trabalhos físicos e técnicos, é cada vez maior a preocupação com o aspecto psicológico e, também com o seu viés social pois, como pessoas públicas, devem ser cuidadosos com sua exposição em festas, entrevistas e redes sociais.
Ou seja, é uma carreira que exige muita dedicação e privações. Como é a sua e de qualquer profissional em qualquer área.
Essa visão mais “humanizada” da carreira de um árbitro é necessária para o bom desempenho da função de qualquer gestor. É cada vez maior o suporte que deve ser dado a esses profissionais. São eles que “administram” o espetáculo durante os 90 minutos e, mesmo assim, são a parte mais frágil de todo o processo que envolve o esporte.
Então, na próxima vez que for criticar um erro de arbitragem, pense no seguinte: “errar é humano”!
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