Parte 2: Jairo, o Gigante de Ébano, fez história no Coritiba
Após acompanhar a primeira parte da entrevista com o ex-jogador Jairo Nascimento, agora você pode conferir a última parte do bate-papo que o Redação em Campo teve com o Muralha Negra.
Hoje os tempos são outros, os materiais evoluíram, o esporte evoluiu. Você acha que era mais difícil jogar naquela época ou hoje?
Bem mais naquela época, primeiro pelo gramado, hoje os campos são bem melhores, alguns são tapetes. Ela começa e termina no chão. No Couto Pereira havia um morro na frente do gol de entrada, o atacante chutava, ela quicava, e tinha que adivinhar o que acontecia. Hoje não precisa mais, muito mais fácil. Também, o material de jogo e treino é melhor e te dá condições de trabalho. O salário também é muito maior.
Você acha que hoje falta amor à camisa?
Sim, quando jogavamos era diferente. Pois antigamente, os torcedores sabiam qual era a escalação, hoje tem muita mudança. O empresáro leva o jogador muito rápido para vários times, com isso não tem identificação com a camisa.
E de goleiro, você acha que o Coritiba está bem servido hoje? E na Seleção Brasileira?
O Vanderlei é um bom goleiro. Dentro do gol principalmente, pois é firme e fecha bem. Tem dificuldades em saída de bola. No meu tempo, o Oberdan (zagueiro do Coxa) e eu combinavamos: Bola reta eu tento sair Jairo, agora alçada é sua. Para o goleiro dá tempo de chegar na alçada, mas ela vindo reta, não tem como.
O Brasil tem bons goleiros, mas o Julio César não era o certo para a Copa. Jefferson e Victor eram muito melhores. Creio que esses dois são os melhores ainda.
Hoje o Alex é, e foi, o grande ídolo do Coritiba. O que você acha dele?
Foi um cara fora de série, muito correto e grande maestro. Mesmo que apareça alguém que tenha uma técnica boa, não chegará aos pés dele. A batida na bola é diferenciada. Deveria ter mais chances na Seleção, ainda joga mais do que muitos que estão lá.
Depois da Era Evangelino, o Coritiba desestabilizou bastante, passando por grandes crises. O chinês fazia tanta diferença assim?
Em matéria de presidência foi o melhor, para o clube. Dá para compará-lo com o Vicente Matheus, do Corinthians, que fazia de tudo pelo clube. Mas para os atletas, para renovar era complicado, eles não valorizavam. Chegavam falando: Posso pagar cinco, se não quiser pode ir embora. Hoje há os empresários, que na época não tinha, o que complicava no momento de uma possível renovação, ou aumento.
O que você espera para o futuro do Coritiba?
Estrutura para ser um vencedor tem. O Vilson foi um bom presidente, que melhorou muito o Coritiba. Mas faltaram as vitórias. No futebol de hoje, o resultado conta muito. A torcida do Coritiba empurra, é muito fiel, o torcedor vai até o fim. Creio que se tivesse vencido a Copa do Brasil estaria melhor, pois as derrotas atrapalham o dia a dia.
Como você vê essa revolução que os jogadores do Bom Senso estão querendo implantar no futebol brasileiro. Você acha que conseguirão?
Se os jogadores se unirem, conseguem a mudança. Porque eles não sabem a força que juntos, eles têm. O problema do calendário é para quem fica fora, para os times menores. O atleta fica pensando: Vou tirar dinheiro de onde? Como vou fazer? Os mais prejudicados são eles, que não tem um calendário fixo. Não acho nada de anormal jogar muitas partidas, pois os jogadores são pagos por isso. Na minha época, jogavamos menos campeonatos, porém mais longos.
O Brasil levou de 7 a 1 na Copa, e depois os jornalistas e críticos falaram que tinha que mudar tudo. Você concorda?
Não adianta mudar só embaixo. Mas, sim começar pelos cabeças, que só olham o lado deles. Para o futebol melhorar, tem que passar por um longo processo, isso não acontece do dia para a noite. Na Alemanha, que foi o exemplo que tato falaram, houve continuidade, que aqui não acontece. Os técnicos mudam muito rápido, não há sequência. No Brasil o futebol está ultrapassado. Os jogadores também já não se superam tanto. O Ganso é um exemplo, muito bom técnicamente, porém não tem garra, vontade, condicionamento físico perdeito para alcançar um alto nível.
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Preserve o jornalismo e cite a fonte ao copiar. Se diploma não vale nada, a ética deve servir. Pelo bem do jornalismo. Equipe Redação em Campo.
Edno Pereira Junior
Jornalista com muito orgulho. Fissurado em esportes desde os mais estranhos possíveis. Novo fã do Curling. Simpatizante de diversos clubes da Europa, principalmente o Manchester United e Real Madrid. Esse jovem jornalista quer cada dia mais aprender sobre coisas novas.



