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Futebol de base, por Fabiano Castro

Publicado em 07/10/2014 às 12:41 Por Orlando Colaço

Conheci o Fabiano Castro nas bancas de apresentação dos nossos TCC’s, quando finalizamos a Pós-Graduação em Gestão Marketing e Direito pela FGV/FIFA/CIES. Além de conterrâneos de estado (ele é de Ponta Grossa-PR), o que me chamou atenção foi a clareza de ideias sobre gestão e desenvolvimento do futebol que ele possui. Prova disso, foi a 1ª colocação do seu grupo entre todos os trabalhos apresentados, com um tema muito pertinente “Selo FIFA Social – estímulo à responsabilidade social no futebol”.

Aproveitem!

 

Futebol de base

Investir nas categorias de base pode ser uma excelente estratégia para os clubes pequenos. Qualquer pessoa que esteja minimamente envolvida com o futebol brasileiro está cansada de ouvir isso. É praticamente um clichê. Mas, mesmo assim, poucos o fazem, pelo menos da maneira correta.

Apesar de ser uma atividade que requer grande investimento de tempo e recursos, além de representar uma responsabilidade enorme, por se tratar da tutela de crianças e adolescentes, o retorno é, geralmente, garantido.

No seu livro “A bola não entra por acaso”, Ferran Soriano (vice-presidente econômico do FC Barcelona 2003-2008) relata que, já no primeiro seu ano de gestão, o clube realizou um levantamento de todo o investimento nas categorias de base dos 10 anos anteriores e o dividiu pelo número de jogadores que chegaram à equipe profissional. O resultado? – “Um excelente negócio”, segundo ele. Especialmente se levarmos em consideração, posteriormente, o valor de venda de cada um.

No Brasil os clubes que oferecem boas condições de trabalho e se preocupam com questões sócio educacionais dos atletas das categorias menores podem obter o titulo de “Clube Formador”. Com isso o clube pode contar com uma gama de vantagens como: assinar contrato de até 5 anos, renováveis por mais 2, com seus jogadores a partir dos 16 anos. Além de receber percentuais em cada negociação futura do jogador, mesmo após sua venda.

Londrina e Coritiba na final do Campeonato Paranaense Sub-20 2013. Foto: Robson Vilela/ Redação em Campo

Londrina e Coritiba na final do Campeonato Paranaense Sub-20 2013. Foto: Robson Vilela/ Redação em Campo

Para contar com essas vantagens, o clube precisa manter instalações desportivas adequadas e quadro técnico especializado, limitar a carga diária de treinos em 6 horas e disponibilizar pelo menos 4 horas para a formação escolar ou profissionalizante. Além disso, assistência médica, odontológica e psicológica, seguro de vida e ajuda de custo para transporte, são importantes para que o clube conquiste o título, que pode ser em nível A ou B, de acordo com o nível das condições oferecidas.

Para clubes com orçamento reduzido e, especialmente, para aqueles que não contam com calendário de competições no segundo semestre, formar seus próprios atletas e utilizar juniores, ou Sub 23, na equipe principal pode ser a grande sacada, pois assim podem formar equipes de baixo custo, extremamente entrosadas, com jogadores que se identificam muito com o clube.

Porém, como podemos observar, esse tipo de trabalho objetiva um retorno a médio e longo prazo e esse, a meu ver, é o grande problema dos clubes pequenos (de muitos grandes também), a falta de visão de longo prazo. Geralmente o presidente e sua diretoria assumem um clube para uma gestão de 2 ou 3 anos e, em geral, sonham em entrar e marcar seu nome na história, conquistando títulos já no primeiro ano de mandato.

Além disso, se faz necessário um trabalho sistêmico, partindo de uma comissão técnica que saiba trabalhar em conjunto, seguindo uma estratégia previamente estabelecida, onde todos os departamentos do clube tenham clara a visão do todo, do longo prazo ou, como diriam os cartolas das antigas: de onde se quer chegar com tudo isso!

Esse imediatismo e otimismo cego não são exclusividade da cartolagem, fazem parte da nossa cultura e quebrar esse paradigma não é tarefa fácil, principalmente entre clubes de futebol, que insistem em manter-se como associações desportivas sem fins lucrativos e seus dirigentes, como pessoas desprovidas de qualquer interesse político e/ou financeiro, preocupadas apenas e tão somente com o bem da sociedade.

 

Fabiano Henrique Stadler de Castro

Gestor do Esporte. Formado em Educação Física e Gestão Empresarial, Pós-Graduação em Treinamento Desportivo e Gestão, Marketing e Direito no Esporte (FGV/FIFA/CIES)

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Este conteúdo é de responsabilidade do autor e a reprodução só é permitida mediante autorização.
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Orlando Colaço

Advogado. MBA em Gestão Profissional do Futebol (UNICURITIBA). Gestão, Marketing e Direito do Esporte (FGV/FIFA/CIES). Certificado em Gestão Técnica do Futebol (UNIVERSIDADE DO FUTEBOL). Pós-Graduado em Direito Tributário. Especializado em Direito do Trabalho e Direito Desportivo .

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