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Segredo do pequeno: como ganhamos do Grêmio no Olímpico, por Plínio Triques

Publicado em 18/12/2012 às 16:08 Por Redação

Foto: Pedro Mendonça/ Redação em Campo

Nesta semana, o Blog do Redação traz o relato do ex-lateral direito Plinio Triques, que contou ao nosso colaborador Pedro Mendonça como foi vencer o Grêmio, em pleno Estádio Olímpico, pelo Taguá F.C.

 

Saímos de Getulio Vargas para a capital de ônibus na manhã do jogo. Eram quase 400 km, mas nosso time, Taguá F.C., não tinha recursos para viajar de avião, tínhamos subido à Primeira Divisão Gaúcha naquele ano de 1.991 depois de quase 30 anos na 2ª e 3ª. Nossa torcida era gente alegre da Serra Gaúcha, mas pequena perto da Porto Alegre 105 vezes maior do que a nossa “vila” verde, quase ninguém viajava para nos assistir.

 

Chegamos olhando as grandes avenidas pela janela do ônibus, não lembro de alguém rir nem de reclamar do cansaço pelo balanço das curvas da Serra. Parte do time era de jovens recém promovidos da base, outros eram maduros e haviam lutado juntos há sete anos até subirmos. Durante anos na Segunda Divisão, nos acostumamos a viajar de ônibus no dia do jogo para economizar hotel. Agora, na Primeira Divisão, chegamos 8 horas antes da partida e fomos descansar.

 

A humildade e o poder adversário

 

Naquele ano a Copa do Brasil e o Campeonato Brasileiro foram no mesmo semestre. Nosso adversário da noite, o Grêmio, se dividira entre as duas competições, foi vice numa e mal na outra, mas era o poderoso Hexa-Campeão Estadual, há três anos fora campeão da Copa do Brasil, estava invicto há 15 jogos e vinha de uma vitória no Gre-Nal.

 

Nosso Taguá estava em sétimo lugar no Estadual, com foco principal contra as forças do interior, mas a motivação de jogar contra um ex-Campeão Mundial subia, embora às vezes vinha o medo de tomarmos uma goleada e nos acalmávamos uns aos outros. Ninguém estava preocupado em ser a estrela do jogo, nem naquele jogo importante, jogaríamos unidos. Quando perdíamos conversávamos sem colocar a culpa em algum de nós, as desatenções eventuais sobre a habilidade da Primeira Divisão não eram falha de um jogador num lance, era efeito dominó do envolvimento do time em grandes jogadas adversária e estávamos concentrados em evitar aquilo. Conseguiríamos jogar com o máximo de atenção de grupo contra um dos melhores times do Brasil ?

 

Quando entramos nos bastidores do Estádio Olímpico no começo da noite daquela quarta- feira, tínhamos superado o cansaço da viagem, aí vimos as fotos dos muitos títulos do Gremio, inclusive o de Campeão Mundial de Clubes, as imagens se espalhavam pelos corredores como troféus para ofuscar os visitantes. Numa delas, o artilheiro Alcindo que ajudava a segurar a Taça Mundial poderia jogar naquela noite junto com Jandir, Caio, Vilson, Lima e outros jogadores caríssimos da camisa tricolor que já fornecera dezenas de atletas à seleção e ao mundo.

 

Sensitividade de pequeno

 

Chegamos ao vestiário e tudo era luxo, da banheira de hidromassagem ao acabamento do piso e paredes um espaço enorme brilhava, diferente dos vestiários apertados que estávamos acostumados. Nosso técnico repassou a resenha tática e eu reforcei o entendimento do combate defensivo que tínhamos treinado, jogávamos em 4-4-2 com um volante marcador e mais um meia dando combate antes de mim, eram duas camadas de proteção mais nosso atacante Duia e o ponteiro que marcavam a saída de bola adversária. Pouco falamos de tabelar, penetrar ou de chutar da entrada da área. Nossas chances de gol seriam menores do que os riscos, seríamos dez marcadores e um goleiro. Eu olhei a expressão dos companheiros atentos e me distraí no contraste, imaginei que o salário do roupeiro do Grêmio era maior do que todos os nossos salários somados. Me dei conta que a distribuição da renda que não existe na sociedade brasileira também não acontece no futebol, senti um espírito de fazer justiça no jogo e voltei a me concentrar na resenha. Eu era o lateral-direito e se tomássemos o primeiro gol eu não iria abandonar a posição defensiva. Se perdêssemos de pouco voltaríamos para a Serra com a missão cumprida: sem comprometer o saldo de gols para a longa luta contra os times do interior.

 

Quando entramos no gramado me dei conta que toda a população da nossa cidade era três vezes menor do que a capacidade do Estádio Olímpico do Grêmio e vi muitos repórteres de rádio e da TV que enchiam os jogadores deles de atenção, mas quase não vieram nos entrevistar. A sensação de fazer justiça reacelerou a percepção.

 

O começo da reação

 

Quando os lados do campo foram escolhidos, a torcida do Grêmio se posicionou da metade do campo para trás para acompanhar o ataque deles enquanto o lado que o Taguá atacaria tinha as arquibancadas vazias. Não acreditavam que conseguiríamos avançar e iriam me ver de perto, eu era defensor fixo e “não podia ver” como era a grama da metade da frente do campo. A tática era manter disciplina, garra e posição, eu ia correr perto das milhares de vozes de torcedores gritando contra nós.

 

E a bola começou a rolar. O brilho da camisa tricolor chegou perto e eu percebi que os meias deles iam fazer tabelas rápidas sobre os nossos e lançar atacantes em cima de mim. Senti a noite tremer e a percepção do jogo se misturou com o sereno do gramado lisinho sem as imperfeições dos pequenos estádios da Segunda Divisão. O jogo começou disputado, eles foram para o jogo rápido e nós dávamos combate, eu vi a força muscular dos jogadores deles, suas enfeitadas para tentarem confundir e truques para nos deixar nervosos, ouvi os tons de voz orgulhosos deles gritando pela bola intercalados com os gritos da torcida, vi meus companheiros não se deixarem influenciar por imposições e senti firmeza, alguns de nós ajudava o combate cercando sem perder o posicionamento, íamos do primeiro ao 10º combate por zona falando o suficiente para manter a organização em campo, gritar gastaria oxigênio e nós queríamos manter a concentração sem alertar o adversário e sem sermos envolvidos em pequenas desatenções.

 

Espírito da correria

 

Quando pegávamos a bola, não prendíamos, logo tocávamos e acompanhávamos em apoio. Às vezes a rapidez das jogadas transformava jogadores em vultos com números, eu seguia por espírito e procurava me orientar pelas linhas brancas da grama, pela linha de impedimento e pelo posicionamento de combate, aí, de repente, Opa ! Eu chegava perto do meio-campo e tocava meu alarme mental para não avançar mais. Então enquanto esperava o novo momento de agir eu via a essência por trás da grande correria, comecei a perceber pra onde os jogadores deles olhavam e adivinhava os alvos da próxima investida deles, até que um deles olhou pro banco, lembro de momentos que os gremistas corriam atrás de nós, se esforçando e usando artimanhas para tentar nos parar na pressão ou no grito. “É verdade que por momentos superamos o grande Grêmio na técnica?”

 

A grande consciência

 

Estávamos nos mexendo compactos pelo meio e às vezes atacamos, nosso time tinha absorvido a sensação de desafio e viramos 11 super-atletas com energia a mais. O jogo começara parelho, mas de repente o marketing do grande ambiente materializou nossos sonhos de bola e os longos anos de treinamento iluminaram a missão do time de amigos, a consciência foi uma sutil diferença a nosso favor, as pernas ficaram mais compridas e nós ganhamos uma nova percepção para antecipar as jogadas, começávamos a correr 1/10 de segundo antes e lutávamos um décimo a mais, a visão periférica aumentou e nós mantínhamos mais posição jogando em multi-função com as posições próximas, eles aceleravam, nós erguíamos a cabeça e criávamos um efeito surpresa rápido, querer virou poder, nós ficamos com a precisão aumentada, estávamos correndo muito e jogando super-atentos, ocupamos todas as zonas do campo sem desperdícios de movimentação e sempre aparecia uma camisa branca nossa na sobra, conseguíamos um detalhe a mais no acabamento de cada jogada, pensada ou lutada.

 

O brilho da noite

 

Eles sentiram nossa força e tentaram artimanhas para nos desestabilizar artificialmente, mas nossa experiência de Segunda Divisão era o futebol-força de objetividade, nossas saídas eram rápidas, não enfeitávamos nem parávamos para lamentar lances perdidos. Teve um lance que atacávamos e nosso meio sentiu que podia adiantar a linha de marcação, eles cortaram duas vezes o lance em duas divididas e saíram num meio chutão, mas na terceira dividida nosso meio ganhou e rebateu a bola num lançamento direto, nosso atacante Duia era rápido, viu a oportunidade e imediatamente deixou de marcar a saída de bola para agir como centro-avante nato, ele penetrou e ficou de frente para o goleiro que saía, tocou no contra-pé do último defensor com precisão de craque. Gremio 0 x 1 Taguá!

 

Mais adiante, estávamos atacando e a bola sobrou para o goleiro deles. Eles não conseguiam vencer o meio-campo e, sem alternativa, saíram direto com um chutão, quando a bola aérea baixou deu uma disputa perto de mim e houve uma leve falta deles em nosso marcador. Eles achavam que nós íamos fazer cera e dois viraram para reclamar com o juiz, mas nós demos a saída imediata e os atrapalhamos, achamos espaço intermediário e lançamos o Duia de novo, ele era veloz e ágil, penetrou na área em vantagem pela segunda vez, DRIBLOU o goleiro e entrou com tudo: 0 x 2 ! Quem era o Taguá? A torcida e os repórteres ficaram anestesiados, mas os jogadores deles acreditaram.

 

Eu estava tão concentrado em manter a posição na nova saída de bola que não corri para a metade da frente do campo abraçar os companheiros. Guardei o oxigênio e a concentração. Ainda tivemos uma terceira chance de gol e no final cumprimentamos o adversário com respeito e profissionalismo, sem demonstrar nossa alta satisfação.

 

Quando passamos da porta do vestiário pra dentro a energia relaxou, nós demos gritos pro alto de forte alegria que trepidaram as janelas, fizemos uma festa sentindo a grande sensação, o mundo era leve e a noite brilhava bonita … merecíamos a Primeira Divisão de um dos Estaduais mais disputados. Conhecemos o segredo do universo,uau !

 

A imprensa quase não entrevistou nossos meias nem a defesa, só viam nosso centro-avante. No dia seguinte veio a manchete: “Uma partida Duia” !

 

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Preserve o jornalismo e cite a fonte ao copiar. Se diploma não vale nada, a ética deve servir.
Pelo bem do jornalismo. Equipe Redação em Campo.

 

 

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