1955: o ano em que o interior do Paraná conquistou pela primeira vez o título Estadual com o CAMA
Seguindo a linha de matérias históricas, o Redação em Campo desta vez foi pesquisar um pouco sobre a história do primeiro time do interior a conquistar um título estadual. Somente 40 anos após a primeira edição do Campeonato Paranaense de Futebol (1915), uma equipe do interior consagrou-se campeã. Estamos falando do Clube Atlético Monte Alegre, conhecido como CAMA, que em 1955 ergueu a taça de campeão jogando contra o Ferroviário no estádio Joaquim Américo (Arena da Baixada), em Curitiba. Pantera Negra é a alcunha desse time da cidade de Telêmaco Borba.
Horácio Klabin e a fundação do CAMA
O time da região dos Campos Gerais do Paraná tem origem ligada ao fundador da cidade de Telêmaco Borba, Horácio Klabin. O CAMA pertencia a uma região conhecida como Harmonia, mais precisamente da fazenda Monte Alegre, onde em 1946, teve início as operações da unidade fabril da Klabin Indústria de Papel e Celulose.
Com a evolução e desenvolvimento da Klabin - atuante na região desde 1934 - a fazenda Monte Alegre e os jogadores - que eram funcionários da indústria - passaram a ser cada vez mais popular. Foi então que no dia 1º de maio de 1946 foi fundado o CAMA, sendo o primeiro presidente do clube João Rangel de Barros. Vale lembrar que a cidade de Telêmaco Borba só foi surgir em 1963 e antes da fundação, as fazendas da região pertenciam ao município de Tibagi. Foi Horácio Klabin, na época um dos diretores da indústria, o fundador de Telêmaco Borba.
CAMA e o futebol profissional
Somente cinco anos depois da inauguração o CAMA foi ingressar na Federação Paranaense de Futebol (FPF). Péricles Pacheco da Silva (futuramente prefeito da cidade de Telêmaco Borba) e Cacildo Batista Arpelau inscreveram a equipe na FPF, no dia 12 de março de 1951. Dois meses depois, em 13 de maio, aconteceu o primeiro jogo contra o Palestra Itália, em Curitiba.
Logo o clube foi se estruturando entre as principais equipes do interior do Paraná, e já no ano seguinte, em 1952, o Pantera Negra teve a melhor participação em um campeonato, tendo conquistado a 4ª colocação no estadual e o artilheiro, Taíco. Nos anos seguintes manteve a boa participação, até conquistar o primeiro titulo do time no estadual de 1955.
Com o bom desempenho em pouco tempo a equipe já se enquadrava entre os melhores do estado. Assim, disputando um campeonato em 28 partidas, o CAMA obteve 18 vitórias, 4 empates e 6 derrotas com 79 gols marcados e 41 sofridos conquistando o título de campeão paranaense de 1955.
O comandante da equipe naquele ano foi o técnico Rui Santos, na época conhecido como “Motorzinho”, ou seja, o técnico tinha conhecimento como se fosse uma peça, “uma máquina de jogar futebol”. A campanha do CAMA foi de ótimo aproveitamento. A equipe conquistou os dois turnos e decidiu com o Clube Atlético Ferroviário, vencedor do terceiro turno, e realizou a final em melhor de três jogos.
Em destaque a final: o duelo inicial aconteceu no estádio Durival de Brito, em Curitiba, no ano seguinte e terminou empatada no placar de 2 x 2. Já o segundo jogo foi no estádio Dr.Horácio Klabin, apelidado de “Cemitério de Líderes”, por “matar” os adversários. Neste jogo vitória do CAMA por 3 x 1. A decisiva e última partida foi novamente em Curitiba, no estádio Joaquim Américo, com vitória do Pantera Negra por 1 x 0 sobre a equipe do Ferroviário.
Nesta competição o elenco principal do CAMA tinha os seguintes atletas: Bolívar, Aurélio, Juths, Pequeno, Juninho, Augusto, Isaac , César Veiga, Nestor, César Frízio, Taíco, Ocimar, Nelson, Orlando, Aloísio, Torres, Rubens, Osvaldo, Lúcio e Amaro.
Os principais marcadores do time na competição foram: César Frízio e Ocimar anotaram cada um 15 gols; Taíco 14; Nelson 10; Nestor 7; Isaac e Torres 4; Aloísio 2 e Rubens, Juths e César Veiga, cada um, assinalou 1 gol.
A campanha
No entanto a equipe campeã de 1955 não seguiu muito adiante o “caminho de vencedor”. Dois anos depois da maior conquista, a diretoria do CAMA alegou dificuldades financeiras para estar dentro do futebol profissional e assim a equipe se retirou do campeonato.
Tentou se reintegrar duas vezes na metade da década de 60, sem sucesso. Já na década de 70 o Clube Atlético Monte Alegre se fusiona com o GERA, Grêmio Esportivo e Recreativo Alvorada.
Adolfo Garollo, 72 anos, é o atual diretor de patrimônio do Clube Atlético Monte Alegre. Nascido em Jaguaríaiva, Seu Taco, como é conhecido, chegou na, então, fazenda Monte Alegre em 1957, quando o CAMA já estava saindo do profissional, mas tem boas recordações do time. “Trabalhei durante 30 anos na Klabin e por muitas vezes joguei no time amador e também contra o CAMA. O setor de manutenção da fábrica tinha um bom time, mas como tinha diretores da fábrica lá sempre puxavam sardinha pro times deles”, brinca.
Seu Taco teve a oportunidade de conhecer e conviver com a maioria dos jogadores do elenco campeão de 1955. Atualmente, a maioria já falecida: Bolívar, Juninho, Augusto, Isaac, Nestor, Taíco, Ocimar, Nelson, Orlando, Aloísio, Torres, Rubens e Osvaldo e também o técnico Motorzinho. Alguns, o Seu Taco teve última notícia, mas perdeu contato como Aurélio, que estava trabalhando na Penitenciária Estadual de Piraquara, na região metropolitana de Curitiba. Já Cézar Frizío, Lúcio e Amaro, o Seu Taco não tem informações. Com relação a Juths, soube que foi para Portugal e César Veiga ainda estaria vivo em Arapongas. O único contato é com Raul Benvenutti, o Pequeno, que apesar do apelido tem 2 metros de altura e hoje com 80 anos mora em Telêmaco Borba.
Na lembrança ficou a triste recordação do jogador Torres que de acordo com Seu Taco estava esquecido e quase foi enterrado como indigente, mas o Clube Atlético Paranaense fez o sepultamento do ex-atleta, em Curitiba. Também lembra, mas com alegria, que o goleiro Bolívar teve um filho, Antonio Rubens Vaz, conhecido por Foca que atua como técnico no futebol de salão e estaria na Itália.
Com relação ao estádio Horácio Klabin localizado na fazenda da Harmonia, hoje está fechado. Sobre a fusão entre o CAMA e o GERA, Seu Taco explica que existe outro Alvorada atualmente em Telêmaco Borba, mas não tem nada a ver com os times da fusão. “Na época, em 1971, o presidente do GERA, Mário Godin, foi candidato a prefeitura de Telêmaco Borba e perdeu a eleição. Era um senhor carioca que trabalhava com plantação de oliveiras e propôs a fusão dos times porque seria lucrativo. Só que três anos depois da fusão, a sede do clube pegou fogo e assim surgiu o novo projeto do CAMA, sem ligação com o GERA”, afirma.
Hoje o CAMA é um clube conhecido na cidade pela promoção do lazer e esporte. A sede conta piscinas, são realizados bailes e tem um time atuando como amador.
Reportagem: Rafael Buiar
Edição: Fabia Ioscote
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Pelo bem do jornalismo. Equipe Redação em Campo.
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