6.04.2011
De pai para filha
Por Cibele Lara
12 de dezembro de 1979. Coritiba e Vasco. Couto Pereira. Semi-final do Campeonato Brasileiro. Placar final 1 X 1 com gol de Catinha para o Vasco e Luís Freire para o Coritiba. Público total de 50.582. Esse era o último jogo que meu pai havia assistido de dentro do estádio. O normal é o pai levar o filho para o estádio torcer pelo time, ou, no meu caso a filha. Mas foi o contrário, levei ele no jogo contra o Atlético-GO na semana passada. Ele voltou no tempo, com certeza.
No caminho de ida, ele já me contava várias histórias e eu vi meu pai como nunca tinha visto antes, empolgado para me passar tudo o que ele já havia vivenciado no Couto Pereira. E eu escutando tudo, não queria perder nada pra depois poder escrever sobre isso. Me contou que nesse último jogo que foi, acertaram uma pilha na cabeça dele. Coitado.
Chegamos no Couto Pereira e ele parecia nervoso, como uma criança quando vê alguma coisa que quer muito. Sentamos na arquibancada e ele tremia as pernas, não pelo frio, mas por novamente estar dentro do Couto, eu sentia isso. Aí choveram histórias. Meu pai pulava o “muro” do Couto Pereira para assistir os jogos (que feio). Ele contava com os olhos brilhando cada detalhe que ele disse que tinha mudado. Os vestiários eram do outro lado, perguntou onde ficava a torcida adversária, mostrei a ele que no meio do segundo anel é onde fica a torcida organizada. Ele falou que na época dele vendiam pizza e eu respondi dizendo que ainda vendem. Soltou um “vai dar 4 a 1 esse jogo, você vai ver!”, e não é que ele quase acertou! Ele riu bastante com os palavrões que escutou, conversou com as pessoas do nosso lado. Vi meu pai feliz e isso não teve preço!
Costumo sair do estádio e ir escutando os comentários e a coletiva do técnico no caminho da volta, mas naquele dia era ele quem escutava atenciosamente e comentava. Quando chego em casa, corro para o computador assistir os gols e costumo assistir na televisão também, simultaneamente. Ele sempre reclama: “já não viu os gols no jogo?”. Pois naquele dia, ele também quis olhar os gols.
Tudo isso me fez pensar que os torcedores podem incentivar mais pessoas a irem ao estádio. Ir ao estádio é impagável. É uma magia que só quem vai, entende. Abraçar o desconhecido na hora do gol, falar sobre o que o time está errando e o que pode fazer para melhorar com o torcedor do lado, encontrar amigos, o momento do gol é único dentro do estádio, não tem nada que pague essa alegria.
E pelo menos naqueles 90 minutos, o sr. José Matozo de Lara lembrou o que era estar dentro do estádio novamente!
Tags: Cibele Lara, colunas, coritiba, Redação em Campo
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Luiz Fernandes
14 de abril de 2011 às 11:20 am
Cibele, sensacional seu texto… Muito legal ver a relação entre pai e filha… Gostei muito…
Sabe que meu pai não tem ido mais ao estádio, desde o fatídico Coxa e Flu ! Seguirei seu exemplo e o farei voltar a ver um dos grandes amores da sua vida e uma das coisas mais bonitas que ele já me ensiou, a torcer pelo Coritiba!!!
Jacke Dubas
10 de abril de 2011 às 4:44 pm
Eu sempre digo que o futebol é herança de pai para filha!
O mundo esportivo entrou em minha vida desde a barriga de minha mãe, domingo é dia de futebol, automaticamente é dia de meu pai estar grudado na tv e minha mãe acompanhando o seu José Luis e na gravidez não foi diferente. Nasci praticamente gritando gol e meu maior professor futebolístico sem dúvidas é meu Paizão, são histórias e mais histórias, passagens de dia de jogos que se for pra contar tudo vai virar um livro. Adorei sua história, me identifiquei.
Abraço!
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