22.04.2011

Especial AtleTiba: Redação em Campo conversa com o atleticano Cristovão Tezza

Por Bruno Zermiani

Um dos maiores escritores brasileiros na atualidade. Vencedor do Prêmio Jabuti – entre outros - em 2008, pelo romance “O Filho Eterno”. Cristovão Tezza dispensa apresentações. Mesmo assim, pediu desculpa pelo atraso – de um dia - ao enviar as respostas a essas perguntas. O motivo que fez o renomado escritor adiar seu compromisso? Estava comemorando a goleada do Atlético sobre o Bahia na última quarta-feira.

Cristovão Tezza é atleticano. Daqueles que sabem a escalação, vêem os jogos, sofrem com as derrotas, explodem de alegria com as vitórias. Daqueles atleticanos atleticanos mesmo. O escritor falou com o Redação em Campo sobre futebol, sobre Atlético e, claro, sobre AtleTiba.

Redação em Campo - Qual o primeiro AtleTiba registrado na sua memória?
Cristovão Tezza - Bem, eu sou do tempo de ouvir jogo pelo radinho de pilha, mas a minha memória é difusa. Não lembro um jogo específico. Lembro que eu ficava contando quantas vitórias o Atlético precisaria para ultrapassar os coxas na estatística completa dos jogos. Até hoje isso me preocupa – o Coritiba é o nosso inimigo mítico, que exige uma concentração absoluta.

Redação em Campo - E os mais marcantes, aqueles que você lembra logo quando o clássico é mencionado?
Cristovão Tezza - Para ser bem sincero, eu prefiro não me lembrar. Nos últimos 15 anos, o Atlético vem sendo o time paranaense de maior projeção nacional, com uma boa presença nos campeonatos brasileiros – basta dizer que foi o quinto lugar no ano passado, e com um time que passava longe de seus grandes momentos. Mas contra o Coritiba, parece que já algum tempo temos um bloqueio, uma pedra no sapato. O mais marcante da minha vida será sempre o próximo – domingo que vem, por exemplo, quando vamos tirar essa pedra.

Redação em Campo - Qual sua relação atual com o futebol? Aquela paixão de criança ainda existe ou é mais uma forma de lazer sem muito compromisso?
Cristovão Tezza
- Olha, eu acho que hoje a minha paixão pelos jogos é maior do que foi anos atrás. Fiquei muito tempo afastado do futebol, mas de uns dez anos para cá posso dizer que praticamente não deixei de acompanhar o Atlético. Estou sempre vendo jogos, acompanhando pelo jornal e pela internet, lendo os colunistas, ouvindo os comentários. E o próprio fenômeno do futebol na cultura brasileira passou a me interessar muito. Mas, como torcedor, sou bastante irracional – ver um jogo é sempre um convite ao sofrimento, mas eu não troco por nada. Porque quando o Atlético vai bem, a alegria é muito grande. Faz bem para a alma. Os cinco a zero contra o Bahia foram magníficos.

Redação em Campo - E a expectativa para o resto da temporada atleticana? Dá pra chegar longe ou você acha que vai ser um ano de sofrimento?
Cristovão Tezza - Bem, eu acho que o Paranaense já é do Coritiba, se não acontecer nenhum milagre (se bem que milagres acontecem em futebol). Mas, sem dúvida, nós vamos carimbar a faixa deles com uma bela vitória no próximo domingo. Isso é fundamental para nós. Quanto à Copa do Brasil, acho que temos uma boa chance, porque o time começou a engrenar, e a Copa é um torneio atípico, em que vale só o momento, o tudo ou nada. Quanto ao Brasileirão, acredito que o time tem condições de ir para o topo da tabela e disputar no mínimo uma vaga na Libertadores. Espero que com o Adilson Batista aconteça aquela química rara entre o treinador e os jogadores. Contra o Bahia, eu senti isso. Às vezes você tem um grande treinador, grandes jogadores, e o time não vinga. Às vezes um bom treinador dá um acerto numa equipe de jogadores medianos e vai lá pra cima. Mas estou otimista. A equipe tem bons jogadores, mais gente está vindo, e o Adilson é um ótimo técnico. Vamos torcer.

Redação em Campo - Pra fechar: seu palpite para o jogo de domingo.
Cristovão Tezza
- Eu acho que o Atlético vai ganhar de 3 a 1, com um empate duro no primeiro tempo, e o time deslanchando no segundo. Paulo Baier vai fazer um gol de cobrança de falta, daquelas perfeitas, o Adaílton vai fazer outro depois de um drible desconcertante. E o Branquinho vai fazer o seu, com um chute na veia. Bem, cabeça de torcedor funciona assim, nos detalhes!

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