Dois tempos de um Coxa ainda em formação

Agora é oficial, começou a temporada 2016 para o Coritiba. O clube fez seu primeiro jogo valendo três pontos no ano e saiu do Beira-Rio com um deles na bagagem. Bom resultado, mas uma atuação que não segue o mesmo rumo. Calma, nada de desespero, ainda é só o primeiro jogo.
Foram dois tempos distintos para o Coxa em Porto Alegre, como todo mundo pôde observar e o próprio técnico Gilson Kleina admitiu. O que se viu do Verde na etapa inicial deve servir de exemplo do que não repetir. Marcação longe, perdida e envolvida na movimentação do adversário. Alan Santos e João Paulo sobrecarregados, Juan fechando pelo meio, sem alternar com Carlinhos e bolas nas costas do lateral quando este se atrevia a subir. Isto sem contar o desespero desenfreado que se via na área alviverde quando a bola ia em direção à marca do pênalti pelo alto. Um Deus nos acuda geral.
Com a bola no pé, nos poucos momentos em que a teve, o Coritiba não conseguiu criar grande coisa. A figura no meio-campo que deveria buscar a bola dos volantes e ditar o ritmo simplesmente segue sem existir. Thiago Lopes, garoto que é, sentiu, naturalmente, o peso da partida e da responsabilidade. Negueba e Kléber se esforçavam ao máximo para tentar incomodar, mas precisavam recuar até a linha central para terem contato com a gorduchinha.
Mas veio o intervalo, o vestiário, e as falhas muito bem diagnosticadas foram corrigidas em parte por Kleina ao substituir Thiago Lopes, sumido, por Amaral. O volante marcador entrou para descarregar o volume sobre João Paulo e Alan Santos. Juan ficou responsável pela transição no meio-campo. A marcação foi fortalecida e os ataques do Inter diminuíram de ritmo e intensidade. A marcação nas bolas aéreas melhorou consideravelmente.

Kleina diagnosticou e corrigiu as falhas da primeira etapa. Foto: Divulgação/ Coritiba.
O grande lance que equilibrou de vez o confronto veio do banco, foi a entrada de Dudu no lugar de Juan. O meia da casa, ainda jovem, mas já com certa experiência, entrou para ser a figura que faltava. Chamou a partida, tentou ditar o ritmo e conseguiu trazer toda a equipe um passo à frente no gramado. O Coxa passou a também ter a bola e não tentar agredir apenas em contra-ataques que não encaixavam. A entrada de Dudu colocou Negueba e Kléber dentro do jogo com o restante do time.
Importante, mas em segundo plano, o resultado de 0 a 0 ao apito final foi bom para o Verdão, que soma um ponto fora de casa em um campeonato curto. Mas a preparação e os ajustes são o primordial dentro destes primeiros jogos da temporada. Foram tempos distindos, dois lados de um Coritiba ainda em formação. A atuação deve preocupar, sim, mas ainda é cedo para qualquer desespero. Kleina trabalhou bem, deve receber mais reforços e promover outras mudanças no time no decorrer das partidas e a partir do momento em que a parte física não for condição determinante para a escalação. A visível melhora de um tempo para o outro do mesmo jogo é um alento para a torcida alviverde, que precisa de um pouco de paciência e confiança em um time que pode e deve ser questionado, mas no tempo certo.
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