No caminho pela América, o maior perigo do Atlético é a falta de perigo
Não é novidade, este enredo todos conhecem. Tudo parece fácil e tranquilo quando, de onde menos se espera, vem a dificuldade. Se estivermos falando de futebol então, o caso é tão recorrente quanto Esqueceram de Mim sendo exibido na Sessão da Tarde. Este ano, no caminho do Atlético-PR pela América, é justamente esta aparente falta de perigo que torna o trajeto mais perigoso.
Já de cara o Furacão deu sorte ao ter pela frente um Joinville que, se já não é um time do mesmo nível, se tornou presa ainda mais fácil ao praticamente abdicar da competição para voltar atenções completas ao Brasileirão. Vitória fora de casa na ida e outro triunfo tranquilo na Arena da Baixada selaram o destino atleticano, que agora vê pela frente um caminho aberto para uma conquista histórica.
O chaveamento da Copa Sul-Americana é “carinhoso” com o Rubro-negro paranaense. Após passar pelo JEC, o Atlético já se vê nas oitavas de final e com o Brasília pela frente. A equipe da capital brasileira não disputa nenhuma das quatro divisões do futebol nacional e não deve mostrar resistência ao Furacão. Contando com a classificação, o desafio seguinte do Rubro-negro é contra, Sportivo Luqueño-PAR, La Guaíra-VEN, Tolima-COL ou Junior Barranquilla-COL. Nenhum dos quatro, convenhamos, assusta. Pelo menos não de véspera.
Diante do sobrevivente entre estes quatro clubes, o Atlético faz uma hipotética quartas de final. Tranquilo para Milton Mendes e seus comandados, que se colocam na semifinal da Sul-Americana. E é só nesta fase que aparece um desafiante à altura. Libertad-PAR, Universidad Católica-CHI, LDU-EQU, Nacional-PAR, River Plate-ARG ou até a Chapecoense. Qualquer uma destas equipes faria um confronto difícil contra o Furacão. Mas, na teoria, o mais forte deles é o River, atual campeão de todas as competições da Conmebol (Sul-Americana, Libertadores e Recopa). As partidas de semifinal devem ocorrer entre o fim de outubro e o início de novembro. Até lá, os Millonarios devem estar mais preocupados com a disputa do Mundial de Clubes do que com qualquer outra coisa.
Tudo muito hipotético, levando em conta que o caminho não se apresenta tão difícil ao Furacão, ao menos até a semifinal. Chegando nas fases mais agudas, o time pode embalar e não parar mais. Porém, é exatamente nesta aparente falta de perigo que o time paranaense pode acabar tropeçando. No futebol, como na vida, o que vem fácil, vai fácil. E no futebol, mais que em qualquer outro lugar, o que parece, pode não ser. Dentro do futebol, esta máxima pode ser elevada ao extremo quando trata-se de uma competição Sul-Americana e em formato mata-mata.
Contra o Brasília, já nesta próxima fase, o Rubro-negro pode se ver obrigado a encarar o pasto que é o gramado do estádio Bezerrão, local da partida de ida entre o time candango e o Goiás. Caso o jogo seja disputado no Mané Garrincha, será um problema a menos para o Atlético. Na fase seguinte, há possibilidade de pegar um colombiano, provavelmente o Barranquilla. Confrontos contra equipes da Colômbia são sempre um problema. Mesmo que o nível técnico, em geral, não se equipare, os colombianos compensam com seus caldeirões nos jogos em casa e muita entrega dentro de campo. Na semifinal, o perigo é evidente pela força e camisa das equipes que postulam a vaga.
O caminho para a América está se abrindo ao Atlético. Mantendo o bom futebol, a humildade e o respeito, o final de ano poderá ser mágico para o torcedor rubro-negro. Não foi necessário muito tempo para ir do Torneio da Morte ao caminho dourado. Mas é preciso ainda menos para que as artimanhas da América joguem os atleticanos novamente à lama.
Toda cautela é pouca nesta jornada, Furacão. A América te espera.
Este conteúdo é de responsabilidade do autor e a reprodução só é permitida mediante autorização.
