Um ano sem o Mundial do Brasil: Viva a Argélia, viva a Copa
Neste dia 13 de julho de 2015, a final da Copa do Mundo de 2014 completa um ano. Há um ano, o “oêa” era ouvido pela última vez, a Alemanha confirmava o favoritismo diante da Argentina depois de massacrar o Brasil na semifinal e a Copa das Copas chegava ao fim. Protestos, revoltas e problemas à parte, sentimos falta do Mundial a cada dia que relembramos algum acontecimento daquela Copa que passou aqui, tão perto.
Cada um tem seu momento especial de recordação. Para muitos, o 7 a 1, para outros, a final, para alguns, o simples clima de Copa na cidade. Pois para mim, o grande momento do Mundial foi protagonizado por um coadjuvante. Tive a oportunidade de ir a um jogo de Copa pela primeira vez em minha vida e assistir à seleção da Argélia garantir classificação às oitavas de final pela primeira vez em sua história. Arena da Baixada, Curitiba, dia 26 de junho de 2014, Argélia e Rússia ficaram no empate em 1 a 1 e a capital dos paranaenses viveu uma tarde/noite que jamais esquecerá. Por uma madrugada, Curitiba foi Argel.
É por isto, e tomado pela nostalgia da data de hoje, que republico o texto veiculado no meu blog há pouco mais de um ano atrás:
Não consegui comprar nenhum ingresso para a Copa do Mundo. Confesso que só tentei para a final, e já estava totalmente arrependido, quando ganhei a oportunidade, na última hora, de presenciar um Argélia x Rússia, na Arena da Baixada. No momento em que soube que teria a chance de ir à um jogo do Mundial, a alegria me tomou conta, mas eu não fazia ideia de que estava a poucas horas de viver uma experiência tão fantástica.
Chegado o tão esperado dia, a ansiedade era cada vez maior, e ao passar o bloqueio da Fifa e ‘entrar’ no entorno do estádio, o clima e a atmosfera já se transformaram. Eram cores, traços e sotaques de todos os tipos, juntos, em total paz e harmonia. Argelinos e russos dividiam as ruas com atleticanos, coxas-brancas, paranistas, gremistas, colorados, e torcedores de inúmeros clubes brasileiros e estrangeiros. Mas nada disso foi suficiente para me preparar para a verdadeira experiência que viveria horas depois.
Já dentro da linda Arena da Baixada, descobri que assistiria a partida bem acima da maior concentração de argelinos presente nas bancadas do estádio. A minha simpatia já era pela seleção africana, mas após minutos vendo e ouvindo aqueles loucos torcedores, a simpatia virou torcida fervorosa. Precisando apenas de um empate para se garantir, pela primeira vez na história, nas oitavas de final de uma Copa do Mundo, o cantar forte do hino já mostrou que os argelinos começariam a partida vencendo. Nem mesmo o gol da Rússia, logo aos cinco minutos, desaminou os bravos torcedores, que entoavam seu cântico mais carismático, “One, two, three, viva L’Algerie”. O empate, aos 13′ da segunda etapa, chegou para fazer justiça, presentear os argelinos e fazer explodir o estádio.
Ao fim do jogo, uma demonstração de humildade fez os jogadores africanos darem a volta olímpica no gramado e, ovacionados, ensinarem uma lição. Para nós, que vivemos em uma cultura que valoriza apenas o primeiro lugar, é bom lembrar que uma pequena conquista pode ser motivo para muita alegria. Aqueles homens estavam fazendo história. A alegria de todos os argelinos ali presentes era contagiante. Que grande festa, que emoção indescritível. Horas após o fim da partida, os torcedores da Argélia tomaram as ruas de Curitiba e agradeceram a cidade, cantando “Obrigado, Curitiba”. Nós é que agradecemos, povo argelino!
Termino o dia vendo a Copa do Mundo com outros olhos e com uma imensa admiração pela seleção argelina e seus torcedores.
Obrigado, Copa. Obrigado, Argélia!
One two three, viva L’Algerie!
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