Um encontro com o destino

Ninguém desejou mais, ninguém brigou mais, ninguém mereceu mais que Gianluigi Buffon a vaga para a final da Champions League. A chama da esperança segue acesa dentro do multicampeão goleiro italiano. A esperança e o desejo de tocar a mais cobiçada das taças do futebol europeu. De poder presentear seu povo com um último ato glorioso. Com um último esticar de braços, este para o alto, elevando sobre a cabeça o peso de uma história escrita com amor e gratidão.
Enquanto um mísero coração bianconero resistir pulsando pelas cercanias de Turim, Gigi Buffon seguirá sua incessante caminhada em direção ao horizonte. Um horizonte em que no final do arco-íris há um troféu que ouro nenhum pode comprar. É dedicado a este único objetivo que o arqueiro entra em campo a cada semana e vive sua vida em dois tempos de 45, mais acréscimos.
Buffon esgota seus últimos suspiros e leva seu corpo à exaustão a cada batalha para dar ao seu tão agradecido povo a glória que não alcançam há 19 anos. Nesta mesma medida e proporção, os dez companheiros que estão ao seu lado em cada embate movem o que for preciso para dar ao capitão seu tão desejado objetivo. Todo esforço exercido por aqueles que carregam o escudo da Velha Senhora no peito nesta Champions League é dedicado à Buffon. E quando algo é dedicado a ele, concomitantemente é dedicado àquela camisa listrada.
Quis o destino que Gianluigi Buffon reencontra-se o Real Madrid na semifinal. Mesmo adversário que havia superado para chegar à decisão em 2003, o Real estaria novamente no caminho entre Buffon e a Liga. Como ocorrido há 12 anos, a Juventus mandou o rival pra casa, desta vez, com um sentimento e um gosto especial para este goleiro. Esta talvez seja a última vez de Buffon tão perto do seu sonho. Talvez não haja outra chance para que o goleiro finalmente alcance o que suas mãos teimam em não alcançar.
“Foi o destino”, disse o arqueiro, humildemente, após ele e seus companheiros garantirem passagem para Berlim. Foi, Buffon, porque de maneira alguma tantas coincidências são apenas coincidência. Foi o Real, como há 12 anos, foi de azul, como há 19 anos, em Roma. Azul de sua Azurra, com a qual conquistou o mundo. E será no maior palco de sua vida, justamente onde você, Buffon, agarrou a maior de todas as taças e permitiu que todo seu povo a abraçasse.
O destino está concedendo um encontro a Gianluigi Buffon. O espaço-tempo será desafiado quando Gigi Buffon apontar a saída do túnel do Estádio Olímpico de Berlim para aquela que pode ser uma das maiores noites de sua vida. E se quiser o destino que tudo dê certo para este grande homem, é provável que os brados que rasgaram sua garganta e fizeram ecoar pelos ventos a força do preto e branco, dêem lugar ao soluçar do choro de alguém que dedicou seus últimos esforços para devolver ao seu povo o gosto da maior glória que poderiam alcançar.
Que seja como quiser o destino.
Toco,
y me voy!
Este conteúdo é de responsabilidade do autor e a reprodução só é permitida mediante autorização.
Solidão da América
Rodrigo Dornelles
Gaúcho de Pelotas, sim, e depois de 18 anos no "estrangeiro" (Curitiba), não há piada que eu não conheça, nem insista. Amante do futebol platino, bem jogado e bem pegado. E sim, Libertadores é muito melhor que Champions League.






