A reta final do Brasileirão é o início
Entra ano, sai ano, e a discussão é sempre a mesma: “Volta mata-mata, fica ponto corrido, volta mata-mata, fica ponto corrido”. Mesmo entendendo que a fórmula de pontos corridos é a mais indicada para o campeonato e que faz sucesso em todos os grandes campeonatos do mundo, confesso ser um amante do mata-mata. Simplesmente porque nessas partidas cada dividida é um “mata”. Mas não estou aqui para fazer “jabá” pela volta do bom e velho sistema eliminatório, o assunto aqui é outro.
Durante o Redação SporTV do último dia 30, o repórter inglês Tim Vickery, correspondente da BBC no país, declarou, com toda propriedade que a Premier League lhe proporciona, que mesmo após 12 edições, o brasileiro ainda não entendeu o formato da competição. “Sinceramente, vocês aqui não entenderam ainda o que é pontos corridos. A grande graça dos pontos corridos é no início. Não tem necessariamente garantia de emoção a todo vapor no final, mas deveria ter no início. Porque no início é a festa de todas as torcidas, do país inteiro. O cara vai para o estádio com aquela fé, magia de torcedor: “esse ano a gente pode surpreender”, seja o clube dele grande ou modesto”, afirmou o inglês.
Concordo totalmente com Vickery e destaco que o repórter inglês também defendeu a diminuição dos Estaduais e o ajuste do Brasileirão para que a competição durasse o ano todo. A questão é que a declaração do correspondente da BBC me levou à outra hipótese: Assim como a “graça” do campeonato pode estar no início, a sua definição também pode ser que aconteça nestas primeiras rodadas.
Será que aquelas equipes que terminam o Campeonato Brasileiro entre os quatro primeiros e fazem a alegria do torcedor seja com o título ou com uma vaga na Libertadores, já estavam próximos das primeiras posições após as rodadas iniciais da competição? E aqueles que se vão ao lado negro e obscuro da segunda divisão, já estavam rondando a zona da morte mesmo após poucas rodadas disputadas?
Pois bem. Defini alguns números e parâmetros que achei justos e fui às pesquisas. Observando as classificações finais do Brasileiro desde 2003, é possível concluir que 75% das equipes que terminaram no G4, estavam entre os ito primeiros colocados ao término da 10ª rodada. Nos campeonatos de 2003, 2012 e 2014, todos os quatro primeiros colocados estavam no G8 depois de dez jogos.
Já para o rebaixamento, as coisas podem mudar mais durante a competição e até mesmo na reta final de campeonato. Porém, mesmo assim, 60% dos clubes que amargaram o rebaixamento, estavam entre os oito últimos colocados já ao final da 10ª rodada da competição.
Confira esta relação ano a ano:
(Entre parênteses, a posição que o clube estava após a 10ª rodada)
2003
1. Cruzeiro (1º)
2. Santos (3º)
3. São Paulo (4º)
4. São Caetano (7º)
21. Ponte Preta (16º)
22. Paysandu (24º)
23. Fortaleza (22º)
24. Bahia (19º)
2004
1. Santos (11º)
2. Atlético/PR (9º)
3. São Paulo (3º)
4. Palmeiras (8º)
21. Criciúma (1º)
22. Guarani (14º)
23. Vitória (7º)
24. Grêmio (17º)
2005
1. Corinthians (7º)
2. Internacional (3º)
3. Goiás (5º)
4. Palmeiras (13º)
19. Coritiba (6º)
20. Atlético/MG (21º)
21. Paysandu (18º)
22. Brasiliense (14º)
2006
1. São Paulo (3º)
2. Internacional (2º)
3. Grêmio (9º)
4. Santos (5º)
17. Ponte Preta (12º)
18. Fortaleza (17º)
19. São Caetano (15º)
20. Santa Cruz (20º)
2007
1. São Paulo (3º)
2. Santos (17º)
3. Flamengo (8º)
4. Fluminense (11º)
17. Corinthians (7º)
18. Juventude (18º)
19. Paraná (6º)
20. América/RN (19º)
2008
1. São Paulo (9º)
2. Grêmio (4º)
3. Cruzeiro (3º)
4. Palmeiras (5º)
17. Figueirense (11º)
18. Vasco (7º)
19. Portuguesa (13ª)
20. Ipatinga (19º)
2009
1. Flamengo (7º)
2. Internacional (2º)
3. São Paulo (14º)
4. Cruzeiro (16º)
17. Coritiba (15º)
18. Santo André (10º)
19. Náutico (19º)
20. Sport (12º)
2010
1. Fluminense (1º)
2. Cruzeiro (7º)
3. Corinthians (2º)
4. Grêmio (17º)
17. Vitória (9º)
18. Guarani (8º)
19. Goiás (13º)
20. Grêmio Prudente (15º)
2011
1. Corinthians (1º)
2. Vasco (5º)
3. Fluminense (13º)
4. Flamengo (3º)
17. Atlético/PR (20º)
18. Ceará (11º)
19. América/MG (19º)
20. Avaí (18º)
2012
1. Fluminense (3º)
2. Atlético/MG (1º)
3. Grêmio (4º)
4. São Paulo (7º)
17. Sport (12º)
18. Palmeiras (18º)
19. Atlético/GO (20º)
20. Figueirense (17º)
2013
1. Cruzeiro (3º)
2. Grêmio (8º)
3. Atlético/PR (12º)
4. Botafogo (1º)
17. Portuguesa (19ª)
18. Vasco (9º)
19. Ponte Preta (17ª)
20. Náutico (20º)
2014
1. Cruzeiro (1º)
2. São Paulo (3º)
3. Internacional (8º)
4. Corinthians (2º)
17. Vitória (19º)
18. Bahia (16º)
19. Botafogo (14º)
20. Criciúma (12º)
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