Capitalismo que mata
A venda dos direitos de TV no mundo todo provoca questionamentos e dúvidas até mesmo em quem é totalmente favorável à profissionalização completa do modelo de gestão adotado no futebol brasileiro.
Onde isso vai parar? Como distribuir tanta riqueza? Quais os benefícios ou malefícios?
A expansão do capitalismo na gestão do futebol vem moldando uma indústria cada vez mais rica e dependente deste modelo. Seja pelos salários pagos aos atletas, pelo valor cobrado pelos ingressos ou no valor das cotas de patrocínios.
Na última semana, a Premier League tornou-se a competição nacional mais valiosa do mundo, com seus direitos de transmissão vendidos por 5 bilhões de libras (referentes a três temporadas). Para se ter uma ideia, cada jogo custará cerca de 10 milhões de libras, o equivalente a 40 milhões de reais.
Aqui no Brasil, o valor por partida é bem menor (R$ 2,6 milhões). Temos um potencial de crescimento gigante, pois mesmo estando muito atrás dos ingleses ainda somos a quarta competição nacional mais valiosa do mundo.
Comparando a gestão de lá com a daqui, podemos afirmar que quanto mais profissionalizada se tornar a nossa, a diferença numérica em termos de direitos de TV dos dois campeonatos nacionais diminuirá.
Só que esse crescimento deve ser acompanhado de uma análise mais profunda sobre a segregação que o capitalismo impõe, principalmente em países emergentes como o nosso.
Refiro-me à concentração de riqueza nas mãos de poucos, em detrimento do empobrecimento e sufocamento dos mais pobres.
O futebol brasileiro possui aproximadamente 650 clubes de futebol. Hoje, menos de 5% destes clubes tem acesso as cotas milionárias pagas pela TV.
Aí pergunto: e o resto?
A base da pirâmide futebolística de um país continental como o nosso está cada vez mais renegada a um segundo plano. Poucas são as políticas de fortalecimento dos clubes com menor poder econômico. Qualquer semelhança com o cenário social do nosso país não é mera coincidência.
Países como a própria Inglaterra e a Alemanha já discutem as consequências negativas que o capitalismo desenfreado pode causar ao longo dos anos nos seus clubes menores.
Democratizar e distribuir proporcionalmente as riquezas geradas pelo crescimento econômico, fruto de modelos de gestões mais profissionalizados no esporte, deve ser tema central nas políticas sustentáveis adotadas no futuro, sob pena de o futebol brasileiro tornar-se cada vez mais parecido com a sociedade brasileira que vivemos hoje em dia, ou seja, desigual em todos os aspectos.
Nada contra o capitalismo, mas tudo a favor da distribuição democrática de riquezas, também no futebol.
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