Lean Thinking, Mentalidade Enxuta por Gilsioney Marques

Iniciamos a publicação de textos dos nossos colaboradores em 2015 com uma verdadeira aula sobre Lean Thinking do amigo Gilsioney Marques.
Uma vez por mês serão publicadas colunas de profissionais de diversas áreas do esporte.
Boa leitura!
Lean Thinking
Considerando a redução de consumidores (torcedores em campo), nós gestores deste produto devemos ter as melhores ferramentas de gestão a nossa disposição.
Pensando nisso, hoje vou expor uma ferramenta muita usada na indústria automotiva: Lean Thinking (ou Mentalidade Enxuta).
Essa estratégica “filosófica” de agregar e rentabilizar mais valor ao negócio e mercado visa, simplesmente, a otimização dos recursos disponíveis buscando sempre o aumento da satisfação dos clientes, principalmente com a fidelização dos torcedores e criação do pensamento contínuo na eliminação dos desperdícios (tempo, dinheiro, processos, retrabalhos, etc).
Numa visão macro, esta ferramenta procura identificar valor sob a ótica do consumidor, traçar a melhor sequência das etapas necessárias que geraram valor, realizar essas etapas com ciclo contínuo e, naturalmente, visar sempre a eficiência dos recursos e eficácia das ações.
Com isso, pergunto:
Não seria por isso que estamos atrasadíssimos em relação à estrutura e conceituação do futebol competitivo e produtivo?
Conforme abaixo, os princípios desta ferramenta baseados em questionamentos simples de como podemos traçar os pontos importantes a serem utilizados nas análises e tomadas de decisões dos gestores do futebol:
Fonte: http://www.portal-gestao.com/item/6002-os-princ%C3%ADpios-do-lean-thinking.html
- VALOR : pode ser o atendimento oferecido, o prazo de entrega, o preço, as características diferentes em relação a concorrência, etc…
1.a) quais as qualidades e características percebidas e pagas pelo cliente?
1.b) caso o produto / serviço seja consumido, como ele percebe / analisa o custo x benefício?
- CADEIA DE VALOR e FLUXO : é a sinergia das atividades necessárias para a disponibilidade do produto ou serviço aos torcedores e que realmente agregam valor e rentabilidade à empresa (clube).
Um fator importantíssimo para confirmar os valores dessas etapas agregados é a gestão do desperdício e suas variáveis: tempo de execução excessivo, material utilizado a mais, fluxo intermitente e retrabalho de informações, ineficiência de comunicação – tanto na organização interna como relacionamento com os torcedores – além da desorganização dos métodos de trabalhos e logísticas caras com jogadores e comissão técnica.
2.a) qual a região que os clientes estão inseridos ? Culturamente quais os fatores que influenciam o torcedor consumidor ?
2.b) quais as formas de indicar as performances junto aos torcedores ?
2.c) quanto é gasto por torcedor nos serviços e produtos prestados pelo clube ? Podemos aumentar o valor agregado por produto oferecido?
* Todas as atividades e etapas do processo devem ser revistas, tendo os padrões de qualidade reanalisados com o intuito de confirmar se o cliente realmente percebe o valor agregado *
* Esta etapa é de suma importância para nossas necessidades latentes de mudança de nossas entidades esportivas, onde é fácil identificarmos restrições às mudanças / inovações vitais e o velho ditado: “mas sempre foi feito assim”. *
* Quebra de paradigmas já !!! *
O certeiro mapeamento das atividades e ações que não agregam valor diretamente, mas são necessárias para a execução de um produto ou serviço, e das atividades e ações que AGREGAM valor é o pontapé inicial para a transformação de um clube.
- SISTEMA PULL e BUSCA DA PERFEIÇÃO : entende-se que o clube somente deve disponibilizar o serviço quando o cliente sinalizar uma necessidade a fim de evitar o uso de recursos numa demanda não conhecida.
Mas aqui não podemos aguardar a inércia do torcedor, pois no futebol a variável PAIXÃO deve ser explorada na essência e em demasia.
No futebol, entendo que os clubes devem fornecer os serviços necessários em relação ao devido recepção e atendimento dos torcedores nos estádios e geram ações diferenciais para proporcionar um momento único e envolvente a estes.
No que tange a busca da perfeição, os clubes devem maximizar a qualidade de todos os serviços disponibilizados e exterminar repetições dos problemas.
Para isso, investimentos na formação dos colaboradores, distribuir o conhecimento das lições apreendidas em relação a soluções dos problemas já ocorridos e definir os padrões e critérios de qualidade “comprados” pelos torcedores.
Sendo assim, na minha concepção, o resultado desportivo ficaria “percebido” num segundo plano… Lógico que depende da percepção do torcedor consumidor nos aspectos da “luta e entrega” dos artistas do espetáculo (jogadores, segurança, acesso às conveniências, ativação das ações promocionais e de acesso ao clube, etc).
Mãos à obra!!! Não podemos ficar aguardando a próxima onda, vamos buscá-la no meio do oceano se preciso.
GILSIONEY MARQUES
Administrador. Tecnólogo em Gestão de Processos Produtivos. Graduação em Administração de Empresas com especialidade em Gestão da Qualidade. MBA em Gestão Profissional do Futebol. Empresário do Ramo Alimentício. Gerente Administrativo da Rodolatina Futebol (formação de atletas das categorias de base) entre 2010 a 2012. Gerente de Competições da Federação Paranaense de Futebol.
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