O técnico do JMalucelli, Ary Marques, concedeu entrevista para o Redação em Campo. Ary Marques demonstrou enorme satisfação por voltar ao futebol paranaense e elogiou a estrutura do Jotinha. Com mais de 500 jogos pelo Colorado, o “Coração da Vila” agora quer fazer história por outro clube da capital.
O treinador também deixou claro que o principal objetivo para esta temporada é conquistar uma das vagas para a Série D e consequentemente fazer o clube ter um calendário cheio em 2015. O elenco que já está em pré-temporada terá uma pausa nos trabalhos no período do natal e ano novo e se reapresentará no início de janeiro para a reta final da preparação visando a estreia no estadual diante do Rio Branco, no Ecoestádio Janguito Malucelli dia 1 de fevereiro às 17h.
Bruno Batata voltou de empréstimo, o atacante disputou a Série D pelo Londrina e Tomás que foi um dos destaques da Série B atuando pelo Boa Esporte recebeu algumas sondagens de clubes mas sua situação segue indefinida.
Ary Marques também contou um pouco sobre sua carreira como treinador. O começo nas categorias de base do Paraná, a ida para o Líbano treinar a seleção nacional e os títulos estaduais pelo Cuiabá foram alguns dos assuntos da entrevista que você confere logo abaixo:
Redação em Campo – Como foi estrear profissionalmente em uma final de Campeonato Paranaense enfrentando o Coritiba?
Ary Marques – Foi a minha primeira partida decisiva, eu cheguei à Curitiba em janeiro de 1975 e junho, julho eu já estava decidindo o campeonato estadual. Eu era um menino ainda com 17, 18 anos e foi muito bom. Pena que a gente não ganhou o campeonato, mas o jogo foi 0 a 0 e eu fiz uma grande partida e ali começou minha carreira como atleta profissional.
RC – Nestes 14 anos como atleta do Colorado, foram quatro decisões contra a equipe alviverde em que você estava em campo.
AM – Destas quatro perdemos uma só. Na época o Coritiba sempre chegava para decidir o título com a vantagem do empate e com isso acabava sendo sempre o campeão, mas eu tive a felicidade de fazer bons campeonatos em todos esses anos vestindo a camisa do Colorado que foi uma escola muito boa pra mim.
RC – 15 anos comandando as categorias de base do Paraná Clube. Como foi pra você lançar nomes como Lucio Flávio, Ricardinho e Thiago Neves?
AM – Foi uma fase muito boa. Perdi e ganhei na verdade, acredito que eu poderia ter saído antes do Paraná e iniciado minha carreira como técnico profissional mais cedo. Mas o clube estava com uma ascensão muito grande tanto na equipe profissional como na base, revelando muitos jogadores, alguns deles foram estes que você citou e que acabaram subindo para o profissional e fizeram carreira não só pelo país mas também pelo mundo.
RC - Com tantos títulos na base do Tricolor, a primeira conquista do Campeonato Paranaense Sub-20 diante do Matsubara em 1990 foi o título que te marcou?
AM – O primeiro título da história do Paraná Clube foi comigo no comando, que foi este Paranaense em 1990. Naquela época o Matsubara era a referência no Estado se tratando de categoria de base e vinha de vários títulos seguidos na categoria, mas fomos para Cambará e vencemos o jogo contra o Matsubara no norte do estado e fomos campeões. Depois daquele título conquistamos mais três campeonatos estaduais seguidos e com isso o Tricolor já iniciou sua história após a fusão sendo tetra-campeão do Paranaense Sub-20. Então, de certa maneira aquele primeiro título foi onde tudo começou realmente para a minha carreira.
RC – Como foi a experiência de treinar a seleção do Líbano em 2005?
AM – Foi uma experiência muito boa. O Paraná tinha um conselheiro que era Libanês e a Federação Libanesa de Futebol queria um técnico brasileiro, que fosse jovem e eu acabei sendo procurado e aceitei este desafio. O Omar Feitosa acabou indo comigo, mas por questões de guerra e problemas internos no país eu optei por voltar.
RC – Depois de treinar as categorias de base do Paraná e a seleção do Líbano, você acabou tendo uma passagem boa como treinador do Urano no futebol amador de Curitiba. Qual foi o aprendizado neste período em que esteve envolvido com a Suburbana?
AM – Foi um momento importante, acabei indo para o Urano por conta de amizades. Quando o Paraná Clube terceirizou as categorias de base eu acabei saindo do clube. Já tinha propostas para treinar outras equipes mas o diretor do Urano naquela época era um grande amigo meu e disse que era um sonho dele que eu treinasse a equipe. Eu aceitei o pedido e fui lá trabalhar, no final acabamos sendo campeões invictos da Suburbana, depois veio a Taça Paraná, outro campeonato da Suburbana enfim, foram cinco campeonatos disputados e quatro títulos.
RC – Como se deu a oportunidade de treinar o Cuiabá?
AM – O futebol tem dessas coisas. O pessoal ligado ao Cuiabá tem um vinculo forte ali na região da Vila São Pedro onde está o Urano. Eles acabaram fazendo suas vidas lá no Mato Grosso e se tornaram donos do Cuiabá. E em uma destas vindas à Vila São Pedro, acabaram assistindo um jogo do Urano, me viram trabalhando e acabaram me levando pra lá e eu tive uma sequência boa de conquistas no clube do Centro-Oeste do país e acabei ficando durante cinco anos lá, sendo campeão estadual em 2011 e 2013 e levando o Cuiabá para a Série C do Brasileirão. Fui campeão invicto também da Copa Governador que nos deu a oportunidade de disputar a Copa do Brasil. Hoje eu considero o Cuiabá como uma das grandes forças do estado, com boa estrutura e que logo poderá aparecer na Série B do Campeonato Brasileiro.
RC – O lateral Natanael fazia parte do grupo de jogadores do Cuiabá quando você treinava o clube do Mato Grosso. Houve uma indicação da sua parte para que o atleta viesse a ser contratado pelo Atlético Paranaense?
AM – Houve sim. O Natanael era um menino que começou no Operário-MT e que acabou indo para o Cuiabá. Ele praticamente começou a carreira comigo, assim como outros atletas de muita qualidade que ainda estão por lá. O Natanael acabou sendo destaque do estadual por dois anos, naquela época ele quase acertou com o Botafogo quando o Caio Junior treinava a equipe carioca, mas o Atlético Paranaense foi fazer um amistoso com a gente e eu já havia indicado o atleta para o Gersinho que era olheiro do Atlético. Falei de sua qualidade, naquela oportunidade não deu certo a vinda do Natanael, porém tempos depois ele acabou sendo contratado pelo Furacão e certamente terá uma carreira brilhante no futebol.
RC – Qual o projeto apresentado pelo JMalucelli para 2015?
AM – Eu tive um convite do presidente Juarez e fiquei muito contente, o Jotinha é um clube que eu sempre admirei. Acompanhei a formação do JMalucelli ainda como Malutrom em 1994 e quando recebi o convite não pensei duas vezes. Poder voltar para Curitiba, onde iniciei minha carreira, estou muito motivado e com esperanças de fazer um grande Paranaense 2015, tentar chegar entre os primeiros, conquistar uma vaga para a Série D e fazer história no clube.
Redação em Campo Porque o futebol é a nossa paixão.
