Quem te representa?
O complexo ambiente que o futebol está inserido é composto por três dimensões: política, administrativa e técnica.
Em que pese nosso país estar passando por um momento de crise política, que atinge negativamente todos os segmentos da nossa sociedade, não há como negar a importância que a política exerce no cotidiano de todos, inclusive do futebol.
O termo “representatividade” sempre me chamou a atenção pela importância dada por quem analisa e acompanha o futebol, muito mais pela sua utilização de forma banalizada e fora de contexto do que pelo seu real significado.
Segundo o dicionário, o conceito de representatividade é: representar com efetividade e qualidade um determinado grupo ou segmento pelo qual se faz representar. É exercer o direito de falar e/ou representar um grupo de pessoas, tornando público o desejo delas de forma soberana e efetiva.
A representatividade está diretamente ligada à política. É a forma de expressar os anseios de quem não tem a oportunidade de ser ouvido por quem tem o poder da tomada de decisões. É a capacidade de defender o bem comum.
Transportada ao universo do futebol, não há como entender a representatividade (ou a falta dela) da forma como é cotidianamente utilizada. Seja como desculpa por um erro de arbitragem, seja para conseguir um convite para a disputa de uma competição, por exemplo.
O que se observa é a utilização do termo buscando a transferência de algum tipo de responsabilidade, muito mais do que pelo seu próprio significado. Também é utilizada quando o que parece é não se ter argumentos para explicar determinada situação.
Representatividade é muito mais do que isso! Não se pode admitir uma análise superficial do seu conceito.
Defender o interesse de quem se está representando não significa dizer “amém” a tudo o que é feito por quem detém o poder, mas muitas vezes fazer oposição à ordem vigente, sem medo de críticas ou retaliações.
Posicionar-se contra regimes e governos que não atendem aos interesses de uma coletividade e do bem comum, ou pior, de quem age para atender o interesse de uma minoria privilegiada é, sem dúvida alguma, a representatividade que qualquer cidadão ou entidade espera de seus representantes.
A representatividade em sua plenitude é dar voz a quem não tem o poder decisório em determinado segmento. Ela é o posicionamento fundamentado em princípios morais e éticos diante de qualquer situação. Baseada na ética, ela não pode ser diferente da ética utilizada em nossa vida pessoal.
No atual contexto do futebol brasileiro, quem te representa?
[perfect_quotes num=”1″ cat=”4692″]
Este conteúdo é de responsabilidade do autor e a reprodução só é permitida mediante autorização.





