Os dilemas de uma final de Terceirona
Neste último domingo (30), aconteceu a grande final do Campeonato Paranaense da Terceira Divisão. O gramado do Ecoestádio foi o palco do primeiro título do Andraus, que derrotou o Pato Branco por 3 a 1 no tempo normal e por 4 a 2 nas cobranças de pênalti. Além da decisão, quem foi no Barigui nesta tarde dominical pôde notar o porquê do futebol ser uma paixão, ser algo além de um esporte, mesmo na última divisão do futebol estadual.
O Pato havia vencido no jogo de ida por 2 a 0 e tinha a vantagem no confronto. Vantagem que fez com que muitos torcedores viessem de Pato Branco para acompanhar o Tricolor. Junto com a torcida do Sudoeste, estava um pessoal de São José dos Pinhais, terra do atacante Alex Torres, que ficou o jogo inteiro no banco. No lado do time da casa, estavam familiares dos atletas, além de jogadores que ficam no CT do Andraus fazendo testes para jogar profissionalmente, convivendo com os jogadores, criando um ambiente familiar. O resultado de tudo isto foi que mais de mil pessoas compareceram ao Ecoestádio, fazendo o maior público da competição em 2014.
O primeiro tempo dava a impressão que tudo estava decidido. Com expulsão de Sindclei, do Andraus, logo no começo da partida, o Pato dominou o jogo e abriu o placar no final da primeira etapa. Porém a segunda etapa mostrou porque o futebol é algo emocionante, que só termina quando o juiz assopra o apito e aponta para o meio de campo.
Antes do começo da segunda etapa, uma cena não muito bacana. O juiz iniciou a etapa final, mas logo zerou o cronometro e interrompeu o jogo. O motivo: uma briga no gol da lanchonete, entre o goleiro do Pato Branco e os diretores do Andraus. Segundo o treinador do Pato Branco, Pedro Paulo Alves, o presidente do clube de Campo Largo, Nadim Andraus, teria tentado agredir o pai do arqueiro. Vendo a situação, o jogador ficou furioso, de uma maneira que ninguém o conseguisse segurar. O resultado foi que o arqueiro foi expulso e o time perdeu o controle psicológico.
Com bola rolando, o Andraus foi com tudo para cima, tentando os três gols para levar a decisão para os pênaltis. Com uma penalidade máxima, Baroni empatou. Depois o time da Pedreira, apoiado pela sua torcida, foi para cima. Virou com Juninho a partida e o clima esquentou. O Tricolor tentou administrar o resultado. Calabria, o goleiro que entrou após a expulsão de Harison, parecia ser o herói do jogo. Porém aos 43 minutos Baroni, novamente, marcou, foi comemorar com a família e os adeptos de sua equipe, levando o jogo para os pênaltis.
Antes de a bola ir para a marca da cal, uma cena que mostrou o valor do futebol e cativou os torcedores em volta e a mim também. Harison foi até o alambrado junto com Calabria e chamou seu pai. Fez os dois se cumprimentarem e disse “este cara vai catar os pênaltis para você”. O goleiro titular saiu de cena e deixou os dois com mãos apertadas e trocando frases de incentivo, só não ocorrendo um abraço por conta do alambrado. Uma das cenas mais lindas que já presenciei em um estádio.
Porém o destino planejado por Harison não se cumpriu. O Andraus acertou quatro cobranças e o Pato duas, Pedro Henrique havia parado em Jackson. Dodô caminhou para cobrar o quarto pênalti para os visitantes. Acabou fazendo igual Zezinho, personagem principal de uma narração que circula há anos pela Internet, e chutou para fora. Festa da equipe de Campo Largo, com os jogadores indo comemorar com seus companheiros de CT e suas famílias.
Em meio à comemoração, uma mulher caiu desmaiada na arquibancada, do lado onde estava a torcida do Andraus. O goleiro Jackson que comemorava notou, se preocupou e saiu correndo em direção ao local. Tratava-se de sua mãe, que havia passado mal com toda a emoção da partida. O arqueiro pulou o alambrado e tentou ajudar no socorro, desesperado e chorando. Logo chegou um médico e prestou a ajuda necessária. Como gesto de solidariedade, os jogadores do clube da Pedreira foram até o alambrado e fizeram a corrente de agradecimentos ali mesmo, não no meio de campo como o habitual. Depois veio o alívio, a mãe de Jackson estava melhor e os dois deram um longo e caloroso abraço.
Passado o susto a festa foi completa, com as medalhas no peito e o troféu em mãos. Além da festa individual de Barbosa, artilheiro do campeonato com nove gols. Com uma volta olímpica em meio ao Ecoestádio já vazio e o treinador Paulo Miranda berrando de felicidade no celular, se encerrou o calendário do futebol profissional em 2014 no Estado do Paraná.
[perfect_quotes num=”1″ cat=”4750″]
Preserve o jornalismo e cite a fonte ao copiar. Se diploma não vale nada, a ética deve servir. Pelo bem do jornalismo. Equipe Redação em Campo.







