Pela honra, mais que pela glória

Talvez Cruzeiro x Atlético só não fosse a final desejada por torcedores do Santos e do Flamengo. Quando se desenhou, nas semifinais, a possibilidade do clássico mineiro decidir a Copa do Brasil, Galo e Raposa ganharam o apoio de 90% dos torcedores brasileiros que não estavam envolvidos na reta final da competição. Tudo que já engloba normalmente o maior clássico de Minas seria suficiente para fazer destas duas partidas momentos épicos. Mas ainda é preciso levar-se em conta a incrível fase dos dois clubes e o título nacional que estará em jogo. Para o lado azul, a chance de outra tríplice coroa e a possibilidade de se tornar o maior campeão do torneio de forma isolada. Para o lado preto, um título inédito, uma taça a mais para continuar engrossando o cartel de conquistas. Mais que isso, para o Atlético, vale a honra, mais que a própria glória.
Durante muito tempo a vida do atleticano não foi nada fácil. Apesar dos grandes jogadores que passaram pelo clube, as taças ficavam longe. Enquanto isso, os torcedores eram obrigados a engolir um Cruzeiro desbravando a América e da década de 1990 pra cá, empilhando taças da Copa do Brasil até chegar ao espetacular esquadrão de 2003. Na contra-mão do rival, o Galo passava por tempos de vacas magras, sem grandes títulos, sem a mesma estrutura de futebol e amargando até um rebaixamento.
Apesar de todo o penar, a torcida nunca deixou de se fazer presente, empurrou o clube em momentos complicados e esperou pacientemente pela redenção, e ela veio, tardou, mas chegou. O time passou por uma mudança de postura e mentalidade na chegada de Alexandre Kalil. Com a estruturação do clube a partir da da consolidação da Cidade do Galo, obra iniciada pelo seu pai, o histórico Elias Kalil, Alexandre resgatou o orgulho de ser Atlético, trouxe a auto-estima de volta ao maior nível, inflou o peito de torcedores e jogadores e não poupou o esforço que fosse preciso para ver o clube que seu pai tanto amava no topo.
Qualquer esforço deste tamanho para mudar a mentalidade do clube seria em vão e apenas passageiro se pelo menos uma taça não chegasse, e ela veio. Depois de um brilhante Campeonato Brasileiro, onde o vice foi uma verdadeira conquista, o Galo entrou na Libertadores seguinte para fazer história, amassou adversários na primeira fase e colecionou viradas memoráveis nos mata-mata até consagrar um goleiro-herói e levantar o maior título alcançável por um clube Sulamericano.
Uma história linda, de ressurgimento, com heróis, personagens marcantes e um lindo final feliz. Seria exatamente isso, mas o Atlético divide a cidade com outro clube. Se o primeiro semestre foi de êxtase total, o segundo foi de uma frustração do tamanho do mundo para o atleticano. Ao mesmo tempo em que via seu time ser eliminado de forma vexatória no Mundial de Clubes, o Cruzeiro voltava ao topo do Brasil. Na temporada seguinte, lá está novamente o grande rival à beira de outra conquista.
Por isso insisto em dizer que esta Copa do Brasil terá um sabor a mais para o Atlético e para o atleticano. Não será apenas um título nacional inédito, será a verdadeira conquista da honra. É a chance de o Galo dar aos seus torcedores um argumento forte para bater de frente com a coleção de títulos cruzeirense. É a possibilidade de fazer dos dois maiores clássicos entre as equipes, uma página alvinegra da história.
Chegou a hora de jogar pela honra, mais que pela glória.
Paz.
Toco y me voy!
As fotos são do Facebook do Atlético.
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