Pontilhão da Vila Brasil: marco de um Londrina renascido
Por Felipe Lessa, reportagem especial para o Redação em Campo
Do alojamento praticamente debaixo de um pontilhão próximo das redondezas do Estádio Vitorino Gonçalves Dias, algo grande de nostalgia de um clube com grandes possibilidades de conquistar vaga na Série C do Campeonato Brasileiro para 2015. Foi esse local na Vila Brasil, em Londrina, um dos principais pontos de encontro futebolísticos para talentos que se formavam na cidade. Nada próximo à estrutura localizada na estrada de saída para Curitiba, onde existe um moderno centro de treinamento e residem e se concentram atletas do Tubarão na atualidade. No entanto, trata-se de uma construção repleta de histórico vitorioso.
Os dormitórios da Vila Brasil foram um dos principais símbolos da geração Elber no Londrina. Esse era dos tempos em que ainda havia uma vaga na Série B do Brasileiro e o medo de adversários da capital de jogar nessa cidade interiorana. Antes de se consagrar diante do mundo inteiro pelo Bayern de Munique da Alemanha, a última grande revelação do Tubarãozinho passou parte de seus tempos alvicelestes nesse alojamento. Elber foi sucedido por César, outro atacante que deu esperança aos londrinenses. Chegou de Rondônia até o município paranaense de ônibus e precisou pedir aos diretores do LEC o reembolso do dinheiro da passagem após passar na peneirada para conseguir se manter. Esse também já dormiu na região do pontilhão.
Foi o ponto de concentração para a final da Taça Londrina de juniores, preliminar do jogo do título estadual contra o União Bandeirante em 1992. Decisão com o LEC campeão que ele não viu, mas disse que comemorou. Mesmo longe. “Eu não fiquei, tinha marcado ônibus pra ir pra Rondônia. Depois do jogo tinha que ir embora. Fiquei sabendo do gol do João Neves em casa”, recordou ele, que passaria a fazer parte da equipe principal em 1993 e participou do vice-campeonato paranaense desse ano contra o Paraná Clube.
Tempos distantes da luxúria que muitos daqueles que hoje comemoram os frutos da parceria com a gestora do departamento de futebol SM Sports, do empresário Sérgio Malucelli, nem imaginam que ocorreu. Mas quem passou por lá enaltece com orgulho. “A gente ficava quase debaixo de um pontilhão em Londrina, quando fazia concentração”. “Era atrás da Copel, na Vila Brasil”, lembrou Elber, na ocasião em que o Londrina comemoraria 20 anos da conquista do tricampeonato de 1992. Um ano antes, o grande camisa 9 era convocado para a Seleção Brasileira de Juniores, vice-campeã mundial em 1991. Posteriormente, migrou para o futebol europeu, mais precisamente Suíça.
A ascensão do Elber do LEC no futebol europeu ajudava a dar um novo ânimo aos herdeiros daquela geração anos 90 no Londrina. Formou também inspiração nos tempos atuais, quando o mesmo ficou perto de concorrer ao cargo de presidente do Londrina e também foi contratado pela SM Sports, do gestor Sérgio Malucelli, para auxiliar nas atividades do clube.
Parceria
Na década de saída de Elber do Londrina, muita gente já sonhava com uma parceria parecida com a que foi realizada com a SM Sports. A temporada vencedora do Palmeiras com a Parmalat e o fortalecimento do próprio Juventude de Caxias do Sul, também da região sul-brasileira, com a mesma parceria na gestão, dava uma nova expectativa para torcedores e dirigentes, de um futebol que vinha evoluindo muito fora do Brasil. Demorou para ocorrer, ainda assim.
César, que posteriormente jogou também na Coreia do Sul, participou de um Londrina aguerrido e respeitado. E que abriu o interesse da própria SM Sports no LEC. Fez dupla de ataque com Agnaldo, na equipe semifinalista da tradicional Copa São Paulo de Juniores de 1994 com o Tubarãozinho. Seu companheiro de posição ainda vestiu a camisa de grandes brasileiros, como Corinthians Paulista,Fluminense do Rio de Janeiro, Vitória da Bahia e Grêmio de Porto Alegre.
Formador, campeão
Os tempos de afirmação ajudaram a reforçar no Londrina o histórico de clube combativo e também formador. Local de onde surgiu o goleiro Ado, um catarinense, que do norte do Paraná foi para o Corinthians Paulista e ainda foi reserva de Felix na Seleção Brasileira tricampeã do mundo em 1970. Do LEC ainda surgiram também nomes como o zagueiro Marinho, campeão do mundo e da Libertadores da América em 1981 com o Flamengo do Rio de Janeiro. Da mesma posição, outras referências. Márcio Alcântara, que entre os anos 80 e 90 também jogou em grandes como Palmeiras e Sport Recife. Ficou no olho até mesmo do Barcelona, embora tenha sido o cover do Equador. Souza foi parar na Portuguesa Paulista nos anos 90. Já o atacante Alessio e o goleiro Carlão foram para o Botafogo do Rio de Janeiro nos anos 90, no pós título de 92.
Posterior a essa geração Elber, o Londrina ajudou a revelar atletas experientes como o zagueiro Cribari, que alguns anos atrás foi titular na Lazio da Itália. Vestiu também a camisa do Napoli do mesmo país e dos Rangers da Escócia. Nessa era pós-pontilhão, já desfrutando da boa organização oferecida pela gestora SM Sports, surgiu mais que um novo título paranaense em 2014 - o quarto da história.
O atacante Arthur foi para o Flamengo do Rio de Janeiro, o lateral Wendell foi contratado pelo Grêmio de Porto Alegre, depois Bayern Leverkusem, da Alemanha, e as instalações com campos de treinamento à beira da estrada de saída do território londrinense para Curitiba são motivo de orgulho para ex-atletas e torcedores da cidade. Principalmente entre aqueles que recordam do antigo alojamento da Vila Brasil, das crias da casa, da vitrine e da história do LEC.
Série D
No domingo, o Londrina pode garantir vaga na Série C do Campeonato Brasileiro e vaga nas semifinais da Série D. Na primeira partida, fora de casa, diante do Anapolina de Goiás, o Tubarão lascou 2 x 0 nos mandantes e joga com vantagem no duelo de volta, no Estádio do Café.
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