O futebol brasileiro pode ser lindo se deixarem
São cada vez mais recorrentes as reclamações de torcedores em relação à chatice que anda o futebol brasileiro. E isto se dá não só pela baixa qualidade técnica, tática, péssima arbitragem e pela intervenção canalha dos tribunais em todas as partidas. Um pouco desta perda de “charme” dos nossos campeonatos são devido às proibições impostas pelos clubes, federações e tribunais na maneira de se torcer. Deram um jeito de acabar com a festa dos bandeirões em Rio e São Paulo, o pó de arroz do Fluminense, mais recentemente os fantásticos ambientes latinas produzidos pelas barras-brava da dupla Grenal, ou o lindo Green Hell coxa-branca. Hoje, acender um sinalizador é crime, levar bandeiras é proibido, e estender faixas é digno de perda de mandos de campo. Uma verdadeira canalhice.
Os homens de terno dominaram o o futebol justamente no “país do futebol”. Digo isto sabendo que esta é uma tendência mundial, que chegou com forte rigor ao nosso campeonato, mas que encontra uma resistência aqui ao lado. A poucos quilômetros, um dos nossos países vizinhos presencia, a cada rodada, verdadeiros carnavais fora de época em suas canchas. O futebol argentino não se entrega ao “teatrismo”. Neste domingo, enquanto milhões de brasileiros decidiam o futuro do país nas urnas, a Argentina vivia mais um dia de Superclássico. River e Boca entraram em campo em uma partida que colocava o líder do campeonato diante de uma equipe na parte mediana da tabela. Apenas mais três pontos em um campeonato de pontos corridos, mas a honra de duas torcidas no campeonato particular disputado entre os dois rivais.
Depois de forte chuva, o gramado do Monumental de Nuñez ficou encharcado e a bola não rolava. O jogo, tecnicamente, foi mediano, mas com os ânimos no alto e a vontade mais ainda. Bem disputado e com lama pra todo lado. A arbitragem falhou bizonhamente como estamos acostumados a ver aqui, e o resultado de 1 a 1 não mudou muita coisa na tabela. O River continua em primeiro e invicto, o Boca segue na sua posição intermediária na classificação. Mas o ponto alto da partida esteve nas tribunas do Monumental. Cerca de 60 mil almas fizeram um espetáculo digno de uma final de Libertadores. Bandeiras, bastões, faixas e muita voz para empurrar os times dentro de campo.
Um dia antes, em Curitiba, Coritiba e Atlético entravam em campo no Couto Pereira para o clássico mais importante do estado. O que se viu em campo foi parecido com o que rolou no gramado do Monumental, com um pouco menos de qualidade e sem o ingrediente da água e, consequentemente, do barro. Do lado de fora, a festa não foi a mesma, mas ainda assim foi de dar gosto. Papéis higiênicos na entrada em campo, camiseta gigante cobrindo parte da arquibancada e bandeirões presentes pelo menos na parte da organizada. Mas bastou um dos papéis pegar fogo, no fosso, sem apresentar perigo algum a ninguém, para que a ocorrência fosse relatada em súmula.
Sabemos que há muito de errado no futebol argentino, e muito mesmo. Mas a questão é que as proibições e censuras no Brasil extrapolam os limites. Outro dia, um árbitro paralisou uma partida porque um sinalizador havia sido aceso na torcida. É sério mesmo? O perigo está na falta de impunidade, e não no simples fato de o sinalizador estar ali. Ele não vai machucar ninguém sozinho, não vai queimar ninguém por vontade própria. Se 0,5% dos “torcedores” não fazem por merecer a liberdade de fazer uma festa bonita nas arquibancadas, não é justo que os 99,5% paguem por isto. Esta é uma medida que apenas empurra a sujeira para baixo do tapete. As atrocidades e barbáries não acabaram, sequer diminuíram, com proibições deste tipo. O que se precisa é apenas punir, com severidade, aquele que não fizer valer o direito à festa. O futebol está perdendo o charme, está ficando tedioso e chato.
Queremos o direito à festa, queremos embelezar o espetáculo, queremos o charme do nosso futebol de volta. Nós não queremos os bandidos em nossos estádios, infiltrados em nossas torcidas.
E que lindo é o Campeonato Argentino.
Utilidade pública: O campeonato hermano é transmitido, ao vivo, em HD, pelo canal futbolparatodos.
Toco y me voy!
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Rodrigo Dornelles
Gaúcho de Pelotas, sim, e depois de 18 anos no "estrangeiro" (Curitiba), não há piada que eu não conheça, nem insista. Amante do futebol platino, bem jogado e bem pegado. E sim, Libertadores é muito melhor que Champions League.





