Na última sexta-feira (26/09), em reunião do Comitê Executivo da FIFA, ficou definida pela entidade a proibição da participação de terceiros em direitos econômicos de atletas. Tal medida terá um prazo de transição para sua adoção. A regulamentação definitiva deverá ser publicada nos próximos meses.
FIFA foi pressionada pela UEFA e pelos clubes da Premier League
Isto significa a proibição de fundos de investimento, agentes, empresários ou quem quer que seja em possuir um percentual sobre o valor pago aos clubes pela transferência de um atleta. Ou seja, estas figuras não poderão mais ter qualquer tipo de participação no contrato entre clubes e atletas, incluindo o pagamento de salários.
Estes agentes econômicos ganharam força no futebol mundial nos últimos anos, tornando-se proprietários dos direitos econômicos de milhares de atletas. Monopolizaram um poder decisório e financeiro que, em tese, deveria ser dos clubes em comunhão com os atletas.
Somente na Europa, os fundos tem aproximadamente 1 bilhão de euros investidos em passes de atletas
O mecanismo funciona assim: Os clubes, na ânsia de alcançar resultados, não possuem dinheiro para contratar um determinado atleta ou para pagar seus salários. O fundo banca o clube na contratação e nos salários. Em contrapartida, tem o direito de ficar com um percentual em uma futura transferência do atleta.
Na verdade, aproveitaram uma lacuna da legislação e a fraqueza de clubes e dirigentes criando um mercado baseado no tráfico de influências e na especulação econômica de pessoas. Por exemplo, empresários exercendo pressão dentro dos clubes para que seus atletas fossem escalados para atender seus interesses comerciais.
Existem denúncias na Europa e no Brasil que investigam grupos que usam o futebol para lavagem de dinheiro.
No Brasil, a medida fecha o cerco contra clubes e dirigentes, obrigando-os a gastar o que tem. Fecha a porta ao imediatismo impedindo que os direitos econômicos sejam usados como moeda de troca para cobrir furos no caixa de quem contrata sem ter previsão de receita para pagamento de atletas.
O impacto na estrutura do nosso futebol será tão grande que a CBF fez lobby para que ao invés da proibição a FIFA optasse por uma regulamentação. Tentativa que foi apoiada somente pelos países sul-americanos.
80% dos elencos brasileiros contam com algum tipo de participação de grupos de investimento
Vejo a proibição como um importante passo no caminho da profissionalização e estruturação do nosso futebol. Após um período de adaptação trará autonomia na relação entre clubes e atletas. Além disso, obriga os clubes a investir na estruturação dos seus departamentos, pois o banimento da entrada de dinheiro através de investidores fará com que estes busquem novas fontes de receita.
E isto se consegue com organização, profissionalismo e boas práticas de gestão.
Enfim, criou-se um cenário de fortalecimento dos clubes a médio e longo prazo. Quem estiver preparado passará por esta fase de transição sem maiores traumas. O futebol, sem dúvida, precisa de mais investimento e menos investidores.
A FIFA acertou na mosca!
Redação em Campo Porque o futebol é a nossa paixão.
