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Sempre foi assim

Publicado em 26/09/2014 às 13:28 Por Orlando Colaço

Por traz do processo de profissionalização da gestão do futebol há um conflito velado entre duas correntes de personagens importantes no contexto do desenvolvimento do esporte no Brasil.

Existe uma tendência, principalmente entre os mais novos, em se deixar de lado ou até excluir do processo dirigentes que militam há muito tempo no esporte, numa filosofia de “terra arrasada”, como se tudo o que foi feito até hoje não valesse de nada.

Da mesma forma, entre os mais antigos, existe um preconceito discreto por alguns e explicito por outros, de que os novos profissionais especializados em gestão esportiva não passam de mero “modismo”. Que este não seria o caminho a ser seguido.

Este duelo entre teoria e prática, velocidade e reflexão, fundamento e sabedoria, conhecimento técnico e conhecimento empírico é vivenciado por organizações no mundo todo. Não só no futebol.

Antes de qualquer coisa é importante destacar que todos fazem parte do mesmo universo. E como em qualquer segmento existem pessoas competentes, incompetentes, honestas e desonestas. E isto independe do tempo que estejam atuando na área.

Diariamente nos deparamos com conflitos em que os mais novos acham que os antigos não tem nada a ensinar e, também, o pessoal das antigas achando que não tem nada a aprender com a “molecada”.

Tudo passa por um gerenciamento inteligente e eficaz dos recursos humanos que a organização tem a sua disposição. Além de certa dose de humildade e tolerância por ambos os lados.

Um dos principais desafios da modernização do futebol brasileiro é o entendimento da importância do papel de todos os envolvidos neste longo e trabalhoso processo de transformação de como o esporte é administrado no país.

A experiência de quem está na estrada há muito tempo tem papel fundamental nos novos rumos que o nosso futebol precisa tomar. São eles os orientadores e, até mesmo, os educadores dos novos profissionais especializados em gestão esportiva inseridos no mercado que possuem grande vivência acadêmica e pouca prática na gestão de organizações esportivas.

Obviamente que a experiência tratada aqui é a que eu chamo de positiva, ou seja, aquela que acompanha a evolução do mundo, trazendo aos mais novos uma visão estratégica e uma melhor perspectiva sobre o caminho a ser trilhado.

A experiência no velho, carente de atualização, realmente não serve para ninguém. Somente produz um dos efeitos que mais retardam a evolução no nosso futebol que é a resistência as mudanças. São estes viventes do antigo que geralmente produzem frases como a do título deste artigo, o famoso “Sempre foi assim”, ou outras pérolas como: “No futebol é diferente” e “Estou aqui há anos, isto não vai mudar”. Constroem muros em torno de si mesmos para não serem tirados de sua zona de conforto ou não perderem seu espaço.

Entendo que o primeiro passo na união entre a força de trabalho e conteúdo de novos profissionais especializados e a experiência e sabedoria dos mais antigos produzirá o norte a ser seguido por todos. O entendimento de que um complementa o outro e não de que um exclui o outro é fundamental.

A relação de lealdade e conquista de confiança mútua entre estes importantes personagens da gestão do futebol só têm a render ótimos frutos. Em um mundo cada vez menos tolerante, e isto se estende ao futebol, as organizações que compreenderem e respeitarem estas diferenças estarão um passo a frente de seus concorrentes no caminho do sucesso.

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Este conteúdo é de responsabilidade do autor e a reprodução só é permitida mediante autorização.

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Orlando Colaço

Advogado. MBA em Gestão Profissional do Futebol (UNICURITIBA). Gestão, Marketing e Direito do Esporte (FGV/FIFA/CIES). Certificado em Gestão Técnica do Futebol (UNIVERSIDADE DO FUTEBOL). Pós-Graduado em Direito Tributário. Especializado em Direito do Trabalho e Direito Desportivo .

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