segunda-feira , 8 setembro 2014
RC News
O futebol não tem culpa

O futebol não tem culpa

Uma equipe de cada lado do campo, milhões de cada lado nas arquibancadas, nos bares, em casa. Todos na expectativa e no entorno de algo em comum. Uma bola na trave aos 44 do segundo tempo, uma defesa milagrosa no lance seguinte, um gol redentor já nos acréscimos. A alegria de uns, a tristeza de outros, o êxtase dos mais fanáticos e, em alguns casos, um “caos de amor” por uma vitória de extrema relevância. Futebol jogado no campo, nas arquibancadas, nas ruas, nos sofás. Futebol decidido por quem deve decidir. Futebol protagonizado por quem deve ser protagonista. É isso tudo que tanto amamos, é isso tudo que não conseguimos largar, é nisso tudo que nos apegamos para não jogar tudo para o alto e dizer “cansei”. Mas parece ser exatamente isso que querem nos forçar a fazer. A noite de 3 de setembro de 2014 foi mais uma daquelas em que nos faz repensar todas as nossas convicções em torno de um esporte, que nos faz flertar com a desistência.

Trabalho com futebol há quase dois anos, nas horas de lazer, vou ao estádio ou sento à frente da televisão para consumir futebol. Quando encontro os amigos, podemos até tentar puxar outro assunto, mas quando nos damos conta, já estamos lá de novo discutindo futebol. É apenas mais um caso, entre tantos outros, de uma vida dedicada àquele “simples” grito de gol, seguido pela explosão de uma torcida. Quando uma noite como a de ontem aparece em meio ao calendário, tudo isso é posto “em cheque”, todas as nossas certezas parecem se desmanchar a cada apito insólito de um árbitro mal intencionado, a vontade diminui e o cansaço teima em querer aparecer.

É totalmente desnecessário explicar o caso, citar os envolvidos e apontar os grandes culpados. Hoje foi o Coritiba, amanhã será outro. Apontar e expor situações como essa é um procedimento que aconteceu ontem, há uma semana, há dois meses e acontece desde que o futebol tomou conta do imaginário e da realidade de milhões de rostos pelo mundo à fora. Registro estas palavras não como uma denúncia, mas como um desabafo, um pesar. Como fico triste a cada jornada que decorre desta maneira covarde e maldosa. A sensação de impotência, misturada com a dor e a indignação pelo que os olhos teimam em ver nos faz pensar em desistir. Mas quando a razão chega, neste caso, ela joga junto com o coração, e os dois, em pleno e comum acordo berram aos meus pensamentos, “o futebol não tem culpa”. E não tem mesmo, a mesma noite nos dá bons exemplos de que aquilo tudo que vislumbrávamos quando crianças, ainda existe. A culpa é dos homens que tomam conta do nosso futebol e, infelizmente, eles não sentem o mesmo que nós. Nem mesmo sei se eles são capazes de sentir. Nossa missão e tarefa é lá estar, prontos e atentos, para fazer a diferença, para fazer diferente, não sei de que modo, não sei por qual via, mas se perdermos a esperança e pararmos de lutar, vamos chegar ao fatídico dia em que vamos dizer “cansei”.

 

Toco y me voy,
triste, mas ainda na luta!

 

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Sobre Rodrigo Dornelles

Rodrigo Dornelles
Gaúcho de Pelotas, sim, e depois de 18 anos no "estrangeiro" (Curitiba), não há piada que eu não conheça, nem insista. Amante do futebol platino, bem jogado e bem pegado. E sim, Libertadores é muito melhor que Champions League.
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