Eduardo Luís Preuss, mais conhecido como Cadu Gaúcho, é ex-jogador e atual gerente de futebol da Chapecoense, a sensação da Série B do ano passado e um dos times que mais devem atrair atenções na Série A desse ano. Cadu está na Chape desde que o time estava na Série D, quando ele ainda atuava como jogador e teve a oportunidade de subir divisão por divisão. Neste período encerrou a carreira e se tornou dirigente em 2011, quando o time estava na Série C. E é disso que ele fala nessa entrevista, sobre a ascensão meteórica da Chape no cenário nacional e de que forma o clube está se estruturando para disputar a Série A do Brasileirão.
Redação em Campo – Qual o principal fator que fez com que a Chapecoense subisse três divisões em seis anos?
Cadu Gaúcho – “O clube não gasta mais do que recebe, talvez aí esteja o grande segredo. Isso é fundamental, não precisa pagar muito para um atleta, tem é que pagar em dia, a maioria dos clubes no Brasil hoje está endividada. A Chapecoense está com todos os salários e premiações em dia e busca aliar a isso a busca por jogadores desconhecidos que querem espaço no futebol. Sempre estamos de olho em campeonatos menores para buscar esses jogadores”.
RC – Você mesmo é um desses casos de jogadores desconhecidos que deram certo, pois está no clube desde 2008. Nesses seis anos você viveu toda a ascensão da Chapecoense. Como o clube buscou esses acessos?
CD - “Os resultados em campo foram muito rápidos, no Brasil foi a maior ascensão, ainda chegamos a finais de estaduais e sempre brigamos por títulos. Só que estruturalmente falta muito para a Chapecoense se tornar um clube de Série A. Nosso pensamento quando subimos à Série B era ficarmos de três a quatro anos para podermos nos estruturar, fazer um centro de treinamento e adequar o nosso estádio. Mas já que o acesso à elite veio, esse planejamento teve que ser adiantado na medida do possível, o clube já está construindo o centro de treinamento, que deve estar concluído em junho, além disso, as novas alas da Arena Condá estão prontas para a estreia na Série A contra o Coritiba. Estamos nos estruturando aos poucos, com os pés no chão, sem fazer loucuras e sem prometer o quer não podemos cumprir”.
RC – Mesmo com o salto no orçamento com a ida para a Primeira Divisão, o que a Chapecoense ganhar ainda será menos do que o restante de todos os 20 clubes da Série A, como contornar isso?
CD - “Nosso orçamento vai ser o menor, se for perguntar para a maioria das pessoas, nosso time é um dos principais candidatos a cair, mas isso acontecia também no ano passado na Série B, por isso acho que temos que trabalhar da mesma maneira. Parte do segredo para se manter na elite é a regularidade, já que o campeonato tem 38 rodadas. Nosso objetivo principal é permanecer na Série A e uma vez que consigamos estaremos muito perto até de uma vaga na Sul-Americana”.
RC – Apesar da ótima sequência, em 2014 a Chapecoense disputou o hexagonal de rebaixamento do Campeonato Catarinense, a que você atribui esse fato?
DC – “Isso é uma falta de adaptação do clube ao novo calendário. Nós nos apresentamos mais tarde e no ano passado disputamos a Série B até o dia 5 de dezembro, além disso perdemos algumas peças importantes. O grupo só se apresentou no dia 3 de janeiro. A expectativa é recomeçar da forma certa no campeonato nacional. Temos alguns nomes de reforços que a gente vem buscando no mesmo perfil que sempre buscamos, jogadores trabalhadores, que não são acomodados e que querem crescer e alcançar objetivos”.
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