domingo, abril 20, 2014 1:27 pm
RC News
Foto: Tiago Piontekievicz

A receita vem da obstinação. Chapecoense é exemplo de organização com baixos orçamentos no futebol

Eduardo Luís Preuss, mais conhecido como Cadu Gaúcho, é ex-jogador e atual gerente de futebol da Chapecoense, a sensação da Série B do ano passado e um dos times que mais devem atrair atenções na Série A desse ano. Cadu está na Chape desde que o time estava na Série D, quando ele ainda atuava como jogador e teve a oportunidade de subir divisão por divisão. Neste período encerrou a carreira e se tornou dirigente em 2011, quando o time estava na Série C. E é disso que ele fala nessa entrevista, sobre a ascensão meteórica da Chape no cenário nacional e de que forma o clube está se estruturando para disputar a Série A do Brasileirão.

Redação em Campo – Qual o principal fator que fez com que a Chapecoense subisse três divisões em seis anos?

Cadu Gaúcho – “O clube não gasta mais do que recebe, talvez aí esteja o grande segredo. Isso é fundamental, não precisa pagar muito para um atleta, tem é que pagar em dia, a maioria dos clubes no Brasil hoje está endividada. A Chapecoense está com todos os salários e premiações em dia e busca aliar a isso a busca por jogadores desconhecidos que querem espaço no futebol. Sempre estamos de olho em campeonatos menores para buscar esses jogadores”.

RC – Você mesmo é um desses casos de jogadores desconhecidos que deram certo, pois está no clube desde 2008. Nesses seis anos você viveu toda a ascensão da Chapecoense. Como o clube buscou esses acessos?

De acordo com o dirigente, o clube não gasta mais do que recebe. Foto: CRS/DAV

CD - “Os resultados em campo foram muito rápidos, no Brasil foi a maior ascensão, ainda chegamos a finais de estaduais e sempre brigamos por títulos. Só que estruturalmente falta muito para a Chapecoense se tornar um clube de Série A. Nosso pensamento quando subimos à Série B era ficarmos de três a quatro anos para podermos nos estruturar, fazer um centro de treinamento e adequar o nosso estádio. Mas já que o acesso à elite veio, esse planejamento teve que ser adiantado na medida do possível, o clube já está construindo o centro de treinamento, que deve estar concluído em junho, além disso, as novas alas da Arena Condá estão prontas para a estreia na Série A contra o Coritiba. Estamos nos estruturando aos poucos, com os pés no chão, sem fazer loucuras e sem prometer o quer não podemos cumprir”.

RC – Mesmo com o salto no orçamento com a ida para a Primeira Divisão, o que a Chapecoense ganhar ainda será menos do que o restante de todos os 20 clubes da Série A, como contornar isso?

CD - “Nosso orçamento vai ser o menor, se for perguntar para a maioria das pessoas, nosso time é um dos principais candidatos a cair, mas isso acontecia também no ano passado na Série B, por isso acho que temos que trabalhar da mesma maneira. Parte do segredo para se manter na elite é a regularidade, já que o campeonato tem 38 rodadas. Nosso objetivo principal é permanecer na Série A e uma vez que consigamos estaremos muito perto até de uma vaga na Sul-Americana”.

RC – Apesar da ótima sequência, em 2014 a Chapecoense disputou o hexagonal de rebaixamento do Campeonato Catarinense, a que você atribui esse fato?

DC – “Isso é uma falta de adaptação do clube ao novo calendário. Nós nos apresentamos mais tarde e no ano passado disputamos a Série B até o dia 5 de dezembro, além disso perdemos algumas peças importantes. O grupo só se apresentou no dia 3 de janeiro. A expectativa é recomeçar da forma certa no campeonato nacional. Temos alguns nomes de reforços que a gente vem buscando no mesmo perfil que sempre buscamos, jogadores trabalhadores, que não são acomodados e que querem crescer e alcançar objetivos”.

Preserve o jornalismo e cite a fonte ao copiar. Se diploma não vale nada, a ética deve servir. Pelo bem do jornalismo. Equipe Redação em Campo.

Sobre Tiago Piontekievicz

Tiago Piontekievicz
Jornalista. Além do futebol, tem como paixão viajar, por isso sempre que pode tenta unir as duas coisas. Em 2013, trabalhou na Copa das Confederações, no Maracanã. Adora o futebol inglês, o sul-americano em geral e os jogos da MLS, além, claro, do paranaense e do catarinense. Por ser perna de pau, optou por praticar esportes que exigem mais coragem do que habilidade, por isso é praticante de trekking e hiking e também já se arriscou no parapente. Seu maior sonho é cobrir uma Copa do Mundo, mas se esse sonho não se realizar, se contenta em assistir, in loco, uma final de campeonato acreano.
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