Primeiro o Arapongas, depois o Cianorte. O que estes dois clubes tem em comum? Em janeiro, provavelmente todos diriam “Disputaram a ‘Final do Interior’ no ano passado!”. A verdade é que os dois finalistas estão falidos.
Recentemente o Arapongas – único clube do interior a colocar uma pedrinha no sapato dos grandes da capital – declarou sua saída do futebol após o término do Campeonato Paranaense. Já Marco Franzato, presidente do Cianorte (sim! Aquele Cianorte que revelou o técnico Caio Júnior para o Brasil! Aquele Cianorte que fez 3 a 0 no poderoso Corinthians, em 2005) disse que o clube poderá encerrar as atividades em 2014, caso não entre dinheiro no caixa.
Os clubes citados disseram “Não dá mais. Chega”. É o reflexo da situação deplorável do futebol paranaense. Não há dinheiro, não há competitividade, não há projetos. A esperança em dizer “Calma… Ainda teremos o Campeonato Paranaense” foi para o fundo do ralo quando Coritiba e Atlético entraram com suas equipes reservas e sub-23, respectivamente.
Para que continuar com o que é um fracasso total? É preciso que exista uma revolução do Futebol Paranaense. Mas aí se configura o maior problema? Quem irá fazê-la? Dá para confiar nos senhores que estão à frente da FPF? Eu não confio. Não confio porque não vejo nada da FPF. Não vejo declarações positivas, não vejo campeonatos bem formulados, não vejo o atendimento aos interesses dos clubes e do futebol paranaense.
Mas isso não é novidade para ninguém. Já foi relatado diversas vezes pelos mais experientes jornalistas esportivos, como Cristian Toledo e Leonardo Mendes Junior, para citar apenas dois. Suas opiniões estão melhor explicadas e detalhadas em seus blogs no Globoesporte.com e Gazeta do Povo, respectivamente.
Temos potencial. E que palavrinha, ein? É o que todos dizem. Basta usarmos o jeitinho brasileiro para tornar o real com o impossível, e não para atendermos a interesses próprios, como há muito vem acontecendo. O problema é enfrentar a política que toma conta do nosso futebol, o dinheiro que vem e que vai por baixo (e por cima) dos panos.
O Paraná forma milhares de acadêmicos todo ano nos mais diversos cursos. Tem profissionais do mais alto escalão trabalhando nos mais diversos ramos. Volto a perguntar: quem irá realizar uma revolução no futebol paranaense? Quem terá tamanha coragem para enfrentar os coroneis do esporte do nosso Estado?
Eu gostaria, e até tenho formulados e engavetados alguns projetos para tal. Hoje não acredito na mudança em relação ao futebol paranaense. Mas há um porém: não acredito porque não acredito nas pessoas que atualmente dominam o futebol paranaense. Entretanto, ainda tenho convicção de que a situação é reversível e tenho garra (talvez porque, sendo jovem, ainda sonho com um futebol paranaense muito melhor que o futebol paulista) para fazer acontecer, para mudar esse abandono esportivo.
Se você também acredita, pode me mandar um email. Quem sabe de uma reunião entre pessoas que acreditam que “pode dar certo” não saia uma revolução esportiva?
Lucas Kotovicz é jornalista em formação, graduando do curso de economia e foi repórter do Redação em Campo em 2011.
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Twitter: @lucaskotovicz
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Pelo bem do jornalismo. Equipe Redação em Campo.