O futebol paranaense vai ficando cada vez mais pobre. Pelo menos no que se refere à saúde financeira dos nossos clubes. Por conta disso, já vimos vários deles se enfraquecerem. Como Grêmio Maringá e Francisco Beltrão, times com torcida, mas que figuram na Segundona do Estado. O Iraty, rebaixado em 2012 é outro que está à beira da falência. Um clube tradicional, que está prestes há completar 100 anos em 2014, que já foi campeão estadual e não se sabe ainda se terá recursos para disputar a ainda mais pobre Série Prata.
Grandes clubes conseguiram se reerguer.
Casos do Londrina e Operário, que com o apoio das torcidas e das empresas locais, saíram da lama e hoje figuram como as principais forças do interior, e com os cofres razoavelmente cheios. Parcerias também ajudam e muitas delas dão uma sobrevida aos times com contratação de jogadores. A SM Sports de Sérgio Malucelli transferiu os seus trabalhos de Irati para Londrina e lá fez o Tubarão ressurgir saindo da Série B e chegando mais forte à elite do Paranaense.
Mesmo caso ocorreu em Ponta Grossa, onde o Operário voltou para a Primeirona e agora disputa a atual competição com os jogadores da LA Sports, que já fez parcerias no passado com Paraná e Coritiba. Mas a mesma sorte não ocorre com outros times.
Falta de dinheiro, patrocínios, parcerias e torcida é a iminência para a falência dos clubes. Por essas e outras que não vemos mais em ação times como União Bandeirante, Matsubara, Batel de Guarapuava, entre outros…União Bandeirante, que já revelou o goleiro Fábio para o time júnior da seleção brasileira, e que hoje atua pelo Cruzeiro. Matsubara de revalar craques no passado como Toninho Carlos, Mário Sérgio, Carlos Alberto Dias, Jean Carlo, Nilmar etc…Exemplos de como o futebol paranaense já foi forte.
Para sanar as dívidas, alguns clubes aderiram às fusões.
Como o do Colorado com o Pinheiros no final da década de 80, dando origem ao Paraná Clube, clube da capital que foi a maior força nos anos 90 conquistando 6 títulos estaduais, mas que hoje sofre com as dívidas e só não veio à fechar as portas por conta do seu rico patrimônio e da sua apaixonada torcida.
Em 2006, a ADAP de Campo Mourão chegou à final do Campeonato Paranaense tendo a façanha de eliminar a dupla Atletiba no mata-mata e na final sendo vencida pelo Paraná. No ano seguinte, decidiu se fundir com o Galo Maringá no que veio a se chamar Galo/Adap com o objetivo de atrair torcida, pelo fato de Maringá ser uma grande cidade. Não deu certo e o time ficou sem recursos para disputar o Paranaense em 2009, culminando o encerramento das atividades na cidade-canção.
Nesta semana fomos surpreendidos com uma bomba do tamanho da cidade de Arapongas. Com uma arrecadação baixa e falta de dinheiro, a diretoria do Arapongas Esporte Clube decidiu que o Paranaense e a Copa do Brasil deste ano serão às últimas competições que o Arapongão disputará. Emocionado e alegando falta de apoio, o presidente Adir Leme da Silva confirmou à imprensa na última quarta-feira (13) que o clube não jogará mais em Arapongas.
Segundo uma reportagem do jornal Folha de Londrina desta quinta (14), existia um boato grande desde 2012 de que ele transferiria o clube para Maringá e que Arapongas Esporte Clube é o nome fantasia da Empresa Brasileira de Futebol. Adir também confirmou que a sede de Arapongas poderá ser transferida futuramente para Maringá ou Cascavel.
Ou seja, será mais um dos times itinerantes que vivem pulando de cidade para outra, fato muito comum no interior de São Paulo.
A torcida do Arapongas não se conforma com o fim do time da cidade. Verão em 2013 pela última vez o Arapongão atuar no Estádio Ninho dos Pássaros. Para a mudança de cidade, Adir terá que desembolsar R$ 200 mil à Federação Paranaense de Futebol, além de R$ 10 mil para mudança do nome-fantasia.
Com a campanha razoável neste Paranaense, a equipe não corre muitos riscos de rebaixamento e mesmo com outro nome permaneceria na Primeira Divisão do Estadual.
É provável que Adir irá arriscar com a mudança de sede para resgatar o que investiu em Arapongas. Foram R$ 3 milhões investidos desde 2008 e estima um prejuízo de R$ 1 milhão até o fim do Campeonato Paranaense. O motivo de tudo isso segundo ele é falta de incentivos por parte das empresas locais. O município de Arapongas é o maior polo moveleiro do Paraná e mesmo assim tem o time da cidade sem apoio.
Está mais do que na hora de a Federação Paranaense de Futebol refletir tudo isso deixando de pensar em si própria e dar mais olhos aos seus filiados. Poderia muito bem se mexer para de alguma forma contornar situações como essas, atraindo empresas do estado para que incentivem e apoiem o futebol paranaense. Uma forma mais do que justa ao invés de querer receber 10% da renda dos jogos dos clubes mandantes no estado, seja qual for à competição. É um dos fatores alegados pelos clubes que frequentemente veem prejuízos no que sobram do valor líquido nas rendas. Fatos como esses só atrapalham os clubes.
Nesta situação em que tudo está poderemos ver mais clubes virem à falência. Como aconteceu recentemente com o Arapongas, que é só mais um que fechou as portas aqui no Estado.
Pobre futebol paranaense.
William Ramos é jornalista e repórter do Redação em Campo desde 2012.
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