A polêmica dos direitos de transmissão no futebol. O que é melhor, a televisão pagar a mesma quantia para cada clube ou fazer contratos individuais com cada um deles?
A cada início de ano é a mesma coisa. Sempre há alguma situação que acontece às vésperas do Campeonato Paranaense. Seja clube que não tem time para a disputa da competição. Clube tentando jogar a qualquer custo através de liminares na justiça. Estádio que não há condições de jogo. Direitos de transmissão. Sim, direitos de transmissão. Os contratos para transmissão do Campeonato Paranaense hoje são feitos diretamente com os clube. Desde 2000, a RPC TV é quem transmite os jogos do Paranaense para todo o Estado. Exceto em 2004 e 2006.
Em 2004, a Paraná Educativa negociou com a Federação Paranaense de Futebol e também com os clubes, e transmitiu alguns jogos ao vivo. Menos a final quando a decisão foi exibida em VT a mando do Atlético. No ano seguinte, a RPC voltou a exibir jogos ao vivo em conjunto com a Paraná Educativa, mas mais uma vez na final envolvendo o Atlético, o presidente do clube na época, Mário Celso Petraglia, não liberou a exibição da final para Curitiba. Descontente com o episódio, a RPC não entrou em acordo para a transmissão dos jogos em 2006.
Naquele ano, a competição ficou várias rodadas sem transmissão da televisão, quando então a CNT fechou com a FPF e os clubes e transmitiu todos os jogos ao vivo, inclusive a final. De 2007 a 2008, a RPC transmitiu todos os jogos, menos os do Atlético. De 2009 em diante, a RPC fechou contrato com todos os clubes, inclusive o Atlético. O campeonato então ganhou mais visibilidade e ainda mais com a entrada do pay-per-view com partidas sendo transmitidas para todo o país…
Com a implosão do Clube dos 13 em 2011, a TV Globo vem desde então fazendo contrato individual com os clubes pelas transmissões dos jogos dos campeonatos estaduais e brasileiro. Por aqui, a televisão oferece a Coritiba e Atlético a mesma quantia. Enquanto que para o Paraná outra…E para o restante dos clubes do interior outra…
Neste ano, R$ 1,3 milhões seriam pagos para os dois maiores clubes da capital. O Coxa aceitou, o Furacão não. A diretoria atleticana alegou que o valor é muito baixo comparando do quanto é oferecido aos clubes que disputam os campeonatos mineiro e gaúcho. Nos dois estados, Atlético-MG, Cruzeiro, Grêmio e Internacional ganham em torno de R$ 6 milhões cada.Aqui no Paraná, os clubes do interior receberam da TV a proposta de R$ 280 mil pelas transmissões das partidas. Todos concordaram menos o Londrina…
Assim como o Atlético, a diretoria do Tubarão não aceitou o valor que foi oferecido. O clube do Norte do Estado toparia caso a proposta fosse a partir de R$ 400 mil. O gerente de esportes da RPC TV, Gil Rocha, disse no jornal Gazeta do Povo que “a TV faz propostas de televisionamento com base na realidade de faturamento e comercialização do campeonato e que um baita esforço é feito para transmitir a competição, mas há um limite no orçamento”…
Fazendo uma comparação de como são feitos os contratos dos campeonatos com a TV em alguns países…
Na Inglaterra, o Campeonato Inglês tem seus direitos de transmissão renovados a cada três anos. A “Premier League”, como é chamada a liga inglesa, tem contratos feitos diretamente com a Liga e não com os clubes.Assim, cada clube recebe a mesma quantia e não importa se o clube é grande ou pequeno.Manchester United, Chelsea, Liverpool, Reading, Sunderland, Wigan entre outros. Todos eles recebem o mesmo valor da TV inglesa. Na Espanha já é diferente. Lá, Barcelona e Real Madrid recebem da TV valores absurdamente fora da realidade comparando com o que recebem os outros clubes. No Brasil, a situação é mais ou menos a mesma.
Aqui, o Brasileirão possui quatro cotas de preços e segue de acordo com o número de torcedores e venda dos pacotes na TV fechada. E no Paraná, a RPC faz essa divisão…
Mas e aí qual o preço do Campeonato Paranaense? Quanto vale cada clube paranaense? Perguntas que ficam e que deixa confuso uns dos mais interessados…
O torcedor.
William Ramos é jornalista e repórter do Redação em Campo desde 2012.
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