Um dos clubes mais tradicionais do nosso Estado tenta encontrar maneiras de voltar à elite do futebol paranaense. A Sociedade Esportiva Matsubara, tem como sede o município de Cambará, e é também popularmente chamado de Japonês do Norte Pioneiro. Nos seus primeiros anos desde a fundação em 1974, o clube investiu em estrutura para depois colher bons frutos no futebol. Foi precursora ao revelar craques, tanto é que chegou a ter sete jogadores convocados para a Seleção Brasileira de novos na década de 80 e ajudou a Federação Paranaense de Futebol a organizar campeonatos de juniores.
O clube com origem familiar está próximo de completar 40 anos em 2014, mas jamais chegou ao auge de ser o maior do Estado no futebol profissional. Com tudo isso, a equipe do Redação em Campo preparou um material especial contando a história que vem de família, e que hoje, ainda tenta de diversas maneiras reerguer o esquecido Matsubara e voltar a ser um dos protagonistas nos gramados paranaenses.
Cambará
O Matsubara está situado no município de Cambará, localizado no Norte do Paraná. A cidade fica próxima de Londrina e está há 415 km da capital Curitiba, com uma população de 23.787 moradores, segundo o levantamento feito pelo IBGE no Censo de 2010. O clube manda os seus jogos no Estádio Regional, também conhecido como Vila Olímpica, com capacidade para receber aproximadamente 20 mil torcedores, porém, o Estádio está sem receber jogos desde 2009.
História
O clube foi fundado em 18 de dezembro de 1974, por Sueo Matsubara, que era na época empresário da indústria e do algodão, e batizou o time verde e branco com o seu sobrenome. No ano seguinte, o Matsubara disputou a sua primeira competição de futebol, mas ainda como clube amador, e foi promovido pela Liga Regional de Futebol de Cornélio Procópio.
Por gostar muito de futebol, Sueo Matsubara teve o arrojo de comprar toda a equipe do União Bandeirante em 1976, dois anos após sua fundação, e o Matsubara conquistou o vice-campeonato estadual, assegurando sua participação na Primeira Divisão do ano seguinte. De 1977 em diante, a primazia do clube de Cambará surgiu e nos primeiros anos de disputa o Matsubara veio a apostar nas categorias de base e obter sucesso na sequência. No mesmo período revelou os maiores talentos do Estado, sob o comando do técnico Luiz Carlos de Oliveira, o “Bolão”, que dirigiu o time por 13 anos.
Década de 80: Inauguração de CT e celeiro de craques
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Em 1980, o clube inaugurou o seu Centro de Treinamento, considerado por muitos como o melhor do Paraná na época, sendo pioneiro no Estado. Os clubes da capital, por exemplo, Atlético e Coritiba só vieram construir os seus somente na década de 90. Do CT da Vila Olímpica, despontaram diversos craques como Toninho Carlos, Evandro, Mário Sérgio, Tico, Ratinho e Jean Carlos, que posteriormente fizeram parte das seleções de base do Brasil. Outros jogadores que posteriormente viriam a ter destaque no cenário nacional foram Carlos Alberto Dias, Jean Carlo, Newmar, Paquito, Djalma Bahia, entre outros.
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A década de 80 foi o marco do Matsubara nas categorias de base. O clube foi campeão estadual de juniores por sete vezes (1981, 1982, 1983,1985,1986, 1987 e 1988) e vice em 84 e 89, sob direção dos diretores Takeo e Hideto Matsubara, que comandavam o futebol. Eles eram irmão e sobrinho de Sueo Matsubara, que assumiu o controle do clube em 1989.
Década de 90: Mudanças e base perde força para jogadores consagrados
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Após uma década colhendo frutos com as categorias de base, o Matsubara inicia os anos 90 com mudanças na administração do clube. Sueo Matsubara muda o foco do futebol e aposta em jogadores conhecidos pelo país para a disputa do Campeonato Paranaense e do Campeonato Brasileiro da Série C, competição essa que ficou com o 4° lugar em 1992.
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Em 1995, vieram os altos investimentos com a mudança de sede. O clube mudou-se para Londrina, buscando mais mídia e torcedores. Para isso, a diretoria contratou craques consagrados como Tadeu e Neto (ex-ídolo do Corinthians e campeão brasileiro pelo time paulista em 1990). Aquele elenco terminou o Campeonato Paranaense na terceira colocação, somente atrás dos clubes da capital, Coritiba (vice) e Paraná (campeão). Com isso, o Matsubara se tornou campeão do interior naquele ano.
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A fria recepção dos londrinenses e problemas financeiros fez com que o clube retornasse dois anos depois para Cambará, cidade em que o Matsubara permaneceu e disputou o Estadual até 1999, ano em que o time acabou sendo rebaixado para a segunda divisão do Campeonato Paranaense, juntamente com o Iraty.
Anos 2000: esquecimento e abandono
Em 2007, o Matsubara foi até o Vietnã para participar da BTV Cup, um torneio amistoso internacional que é disputado anualmente entre times do Vietnã e de vários países do mundo. O time paranaense disputou a final com os donos da casa, o Dong Tam Long An, empatando no tempo normal em 1 a 1 e vencendo nas cobranças de pênaltis por 4 a 3, tornando-se campeão daquela competição.
Em 2009, disputou a terceira divisão do Campeonato Paranaense, com participação de seis clubes. O Matsubara, que mandou seus jogos em Santo Antônio da Platina, ficou na quinta posição. Em 2011 disputou novamente esta competição, mas não conseguiu o acesso para a segundona do Estadual. Após o término da competição, o clube encerrou as atividades e deixou de disputar campeonatos.
A Torcida e o Estádio Regional de Cambará
No início da década de 80, empolgados com o sucesso do time do Matsubara que disputava seus jogos no acanhado “campo do Operário”, a TOM (Torcida Organizada do Matsubara) resolveu mobilizar os cambaraenses para construir um estádio que trouxesse mais conforto e receber um número maior de torcedores para acompanhar o time. Através desta ideia, conseguiram arrecadar fundos, doações de materiais e até mesmo mão de obra para construir a nova casa.
Em 1993, o Matsubara fez grande campanha no campeonato paranaense, e se classificou para o quadrangular final, mas não pode mandar seus jogos finais em Cambará, pois o regulamento previa que o estádio dos finalistas deveria comportar no mínimo 20 mil pessoas, e na época só acomodava 12 mil. Assim, o time teve que mandar os seus jogos no Estádio Willie Davids, em Maringá.
Com isso, a diretoria da TOM propôs novamente arrecadar fundos para realizar a ampliação do Estádio para 20 mil torcedores, e em seguida veio há construir novas arquibancadas no Estádio.
Em 1997, dois anos depois de ter mandado seus jogos em Londrina, o Matsubara retornou a Cambará no Campeonato Paranaense daquele ano e sofreu com os protestos e boicote da grande maioria da torcida pela mudança de cidade. Na disputa do octogonal decisivo do campeonato vencido pelo Paraná, o time conviveu com um público médio de menos de 200 torcedores, muito pouco para uma cidade em que a torcida, fanática, construiu um estádio com capacidade para 20 mil lugares para o time mandar seus jogos. A TOM (Torcida Organizada do Matsubara) é a proprietária do Estádio de Cambará, cedido à Sociedade Esportiva Matsubara em regime de comodato.
Curiosidades
O ator, Nuno Leal Maia, chegou a treinar o time do Matsubara em 1996, após fazer uma boa campanha no Paranaense do ano anterior a frente do Londrina. A passagem de Nuno como técnico do time do norte-pioneiro foi curta, pois preferiu voltar a trabalhar na televisão diante das câmeras nas novelas e no cinema.
O atacante Nilmar, com passagens por Internacional, Corinthians, Lyon, Villareal e Seleção Brasileira, começou a carreira como jogador no Matsubara. No clube, conhecido por formar craques, o atleta permaneceu até os 15 anos de idade, quando numa competição da base no interior paulista teve destaque e despertou a atenção dos olheiros do Internacional, para onde acabou indo na sequência em 1999.
Realidade
Hoje, aquele Centro de Treinamento da Vila Olímpica que chegou a revelar tantos craques e gerar retorno financeiro já não existe mais. O complexo começou a ser demolido recentemente para dar lugar a um loteamento da Família Matsubara.
Sem dinheiro em caixa, o clube está licenciado da Federação Paranaense de Futebol e não tem sequer atletas disputando jogos. No entanto, a diretoria pretende retornar as atividades no próximo ano, para a disputa da Terceirona do Campeonato Paranaense, mas não se sabe ainda se toda a equipe continuará atuando em Cambará, onde tudo começou.
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