Futpar, a Liga do futebol paranaense, pode voltar em breve aos holofotes

Recentemente abordamos aqui mesmo no Redação em Campo a questão da Futpar, a liga dos clubes paranaenses. De fato, o projeto está engavetado, mas não está morto. Isso é o que garante Luiz Linhares, um dos idealizadores da Futpar e atual presidente, pelo menos até que se passe o bastão a outro, já que seu mandato está expirado.

A entidade foi criada para ser uma liga de fato, com regras próprias, estatuto e, claro, com o poder de organizar um campeonato entre os 24 clubes associados. Era para ser o começo da independência dos clubes paranaenses em relação à Federação, ou seja, os clubes teriam poder de, ao menos, interferir nas decisões da FPF ou de realizar um trabalho em conjunto com ela. Com isso, teoricamente, a Liga deveria servir para trazer mais rentabilidade e maior profissionalismo ao futebol do estado.

Mas afinal, a entidade criada em 2008, apesar de estar desagregada atualmente, ainda deve gerar algum “buzz” - como se diz na era das redes sociais - nos próximos dias ou meses. A explicação para isso vem do próprio Linhares, que falou com exclusividade ao Redação em Campo. Ele afirma que já conversou com Joel Malucelli e Mário Celso Petraglia e que deve se reunir com Vilson Ribeiro de Andrade e com os demais participantes para marcar uma assembleia que definirá quem será o novo presidente da Liga e os rumos da entidade.

Embrião hibernando

Nas palavras do presidente do AEREB (Associação Esportiva e Recreativa Engenheiro Beltrão) a Liga está apenas “hibernando” e “os clubes estão desagregados”, porém o “objetivo da Futpar é agregar o interesse dos clubes e discutir em grupo e exigir em grupo, assim a força do conjunto será maior”. Apesar de ter como premissa agregar os clubes, Linhares admite que alguns têm medo de retaliação, pois tudo é “um grande jogo de interesses”. Ele cita o que aconteceu com o Clube dos 13 na renovação de contrato com a Rede Globo de Televisão, como exemplo.

Em termos práticos, a Futpar, para ter efeito operacional, tem que estar filiada à Confederação Brasileira de Futebol (CBF) nos parâmetros legais que a Lei Pelé permite. Perguntado sobre o que faltou para que isso já tivesse acontecido, Linhares foi enfático. Faltou “consenso dos clubes e coragem do presidente, o que não me falta”. Portanto para funcionar, a Futpar precisaria do aval dos 24 clubes associados para a filiação na CBF, principalmente do Trio de Ferro.

Esses 24 filiados seriam os participantes da Liga e a admissão de novos afiliados teria que ser admitida em assembleia, afirma Linhares. Ainda segundo ele, o presidente da entidade é definido pelo nome do clube, ou seja, o presidente será necessariamente de um dos clubes filiados e em nenhuma hipótese um terceiro que queira se candidatar.

Vale lembrar que Luiz Linhares é um dos idealizadores do projeto ao lado de Mário Celso Petraglia. O líder da Futpar até elogia o atual presidente do Atlético-PR, à época “a atitude do Atlético, foi fundamental para criação da entidade. O MCP é um idealista, criticado por uns e elogiado por outros. Assim sempre serão aqueles que põem em prática seu idealismo”.

O atual cenário do futebol paranaense

Em outro ponto da entrevista, Linhares disse o que pensa sobre o atual momento do futebol do Estado. “Considero que o futebol paranaense vive um momento crítico, clubes do interior passam por muitas dificuldades em manter o futebol. O sistema atual administrativo já foi comparado a um “cartório” que só serviria pra cobrar taxas, o que parece estar certo”.

Luiz Linhares aponta que o futebol paranaense vive um momento crítico. Foto: divulgação.

Linhares lembra ainda outro episódio recente do futebol estadual. “O Paraná Clube, por exemplo, é um dos casos de “descaso” da FPF com nosso futebol. Stival que também é conselheiro do clube e vice da FPF, juntamente com o presidente tiveram um papel ridículo ao não ouvir o PRC que pediu a antecipação da Segundona pra fevereiro deste ano”.

Ponto de vista

A opinião do dirigente tem a concordância, em partes, de outros dirigentes do Estado. Sandro Belletti, vice-presidente do FC Cascavel e irmão do pentacampeão mundial Juliano Belletti é um deles. “Essa Liga deveria dar um tratamento melhor aos clubes do interior, por exemplo, com verbas mais altas. As federações gaúcha, catarinense, paulista dão um valor bem mais alto aos clubes do interior do que a Federação Paranaense dá”.

O posicionamento favorável de Belletti ao retorno e continuação da Liga se dá por conta de alguns aspectos importantes que poderiam beneficiar todos os clubes, não somente os do interior. “A volta da Futpar poderia fazer com que alguns aspectos, como arbitragem e direitos de TV fossem melhor distribuídos”. Porém, ele alerta para que os clubes pensem na instituição como um todo e para que trabalhem de forma a beneficiar todos os envolvidos. Para Belletti, muitas vezes o que acontece nesses casos é que muitos pensam só no seu próprio clube.

Parecida com a opinião de Belletti é a de Adir Kist, diretor de futebol do Cianorte. Entretanto, ele se vê indiferente quanto um possível retorno da instituição e acrescenta que a Federação Paranaense de Futebol vem cumprindo de forma correta o seu papel. “Com a Federação as coisas estão acontecendo e eu não vejo porque retomar esse assunto. Quando era para termos uma instituição forte com a Futpar, isso acabou não acontecendo”. Eleito o melhor diretor de futebol do Estado pela imprensa, Kist acrescenta que as opiniões diversificadas dos clubes acabaram por desviar um pouco o foco da Futpar quando a instituição foi criada. “Os clubes têm opiniões diferentes, querem fórmulas diferentes e acaba que a Federação acaba tendo que mediar da mesma forma. Em minha opinião teria que haver um fortalecimento da Federação para trabalhar em prol dos clubes”.

"Em minha opinião teria que haver um fortalecimento da Federação para trabalhar em prol dos clubes”. Foto: Assessoria de Comunicação Cianorte

Kist acompanhou o princípio da Futpar, ele relata que a instituição foi criada para que houvesse um fortalecimento nas negociações visando uma maior rentabilidade aos clubes, mas a divisão dos próprios clubes fez com o futuro fosse incerto. “Se a ideia foi sempre fortalecer os clubes, eles tinham que estar unidos desde o começo. Temos como exemplo disso o próprio Clube dos 13, quando os clubes se dividiram, a instituição ruiu. Fortes são os campeonatos bem organizados”.

Até que a reunião dos membros da Futpar aconteça, muita coisa deve rolar. O certo é que, quando isso ocorrer, mais uma vez a organização do futebol paranaense será posta em debate, com posições favoráveis e outras não, como um bom debate deve ser. A expectativa, ao menos do torcedor, é que a melhor solução possível seja encontrada e viabilizada.

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Pelo bem do jornalismo. Equipe Redação em Campo.

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