Operário 100 anos: o tradicional Fantasma do Paraná

Operário vice campeão 1923. Foto: arquivo operarioferroviario.wordpress.com

Nesta terça-feira, 1º de maio, o Paraná ganha mais um clube centenário. Há exatamente um século, o Operário Ferroviário Esporte Clube, segundo time mais antigo do estado, era fundado em Ponta Grossa. Em homenagem a esta importante data, na primeira parte do especial, o Redação em Campo conta um pouco da história do Fantasma de Vila Oficinas e da volta por cima na última década.

Ponta Grossa, na região dos Campos Gerais, é um tradicional centro futebolístico do estado e pode ser considerada “o berço do futebol paranaense”. Isso porque, em 1909, recebeu a primeira partida que se tem registro no Paraná, entre Tiro Ponta-grossense – equipe formada por operários ferroviários – e o Coritiba Foot Ball Club, que acabou 1 a 0 para o time da “Princesa dos Campos”. Dois anos depois, a cidade viu surgir o Foot-ball Club Operário Ponta-grossense, aquela que viria a ser a principal agremiação esportiva da cidade.

O clube foi criado no dia 7 de maio de 1912, a partir da reunião entre trabalhadores ferroviários paranaenses e catarinenses para a prática do esporte bretão. Posteriormente, em 1914, o estatuto do clube decretou o dia 1º de maio como data oficial de fundação, por ser, na época, o “Dia do Operário” – uma forma de homenagear os precursores futebolistas. No mesmo ano, houve a mudança de nome para Operário Foot-ball Club, que seria alterado para Operário Sport Club na década de 1920. Apenas em 1933, com a integração do clube social dos ferroviários, o OSC se transformaria em Operário Ferroviário Esporte Clube, nome que carrega até hoje.

O tradicional uniforme do Operário, com camisas alvinegras listradas verticalmente e calções pretos, é utilizado desde o início das atividades do clube. As cores, preto e branco, de acordo com Alberto Scarpim, um dos pioneiros operarianos, “trata-se de uma homenagem às raças branca e negra, que sempre terão vez em nossa agremiação”. Significação importante no início do século passado, uma vez que a segregação racial, principalmente em clubes de futebol, era grande, e que os times, em sua maioria, não permitiam a participação de negros.

Formação da equipe em 1980, acervo pessoal de José Cação Ribeiro Júnior

O apelido de “Fantasma da Vila” surgiu pouco depois da metade do século, em 1958, pelo fato do time dificultar os jogos contra os times de Curitiba, tidos como mais fortes, e realizou uma grande campanha no Campeonato Paranaense, terminando como vice-campeão daquele ano.

A primeira participação do Fantasma em competições nacionais foi na Série A do Brasileiro de 1979 – último campeonato organizado pela extinta Confederação Brasileira de Desportos (CBD). O clube participou das divisões inferiores (B, C e D) em outras oito oportunidades, as mais recentes em 2010 e 2011, quando foi um dos representantes paranaenses na Série D.

Crise de 90 e volta por cima

Após passar por maus momentos e rebaixamentos em décadas anteriores, o pior aconteceu na década de 1990. Em 1994, o Operário sofria com uma crise financeira e foi rebaixado para a Segunda Divisão do Campeonato Paranaense. Depois, para evitar a falência, desfiliou-se da Federação Paranaense de Futebol (FPF), deixando de ser uma agremiação profissional por alguns anos.

Por meio de parcerias, o Operário voltou às competições profissionais no final da década de 90, em busca do retorno à elite do Futebol Paranaense. Em 1999 e 2000, a parceria foi com o Ponta Grossa Esporte Clube, que resultou na formação do Operário/Ponta Grossa. Outra, em 2004, foi com a Prefeitura de Ponta Grossa, responsável pela restauração do Estádio Germano Krüger. Em 2007, foi a vez da Instituição Garagem da Esperança. Apesar das tentativas, o clube não alcançou o acesso. Em 2008, no entanto, uma nova parceria é concebida, com empresários de Curitiba, e, no ano seguinte, o Fantasma consegue dar a volta por cima e voltar à Primeira Divisão do Paranaense.

A volta operariana à elite, em 2010, foi com uma boa campanha. A quinta posição no campeonato classificou o clube para a Série D do Campeonato Brasileiro do mesmo ano, uma grande conquista para uma equipe que passara vários anos no ostracismo. No Brasileiro, o time chegou às quartas de final, sendo eliminado pelo Madureira-RJ.

Operario x Juventude (RS). Foto: Luciano Mendes

No Paranaense 2011, teve um desempenho superior ao de 2010. Ficou em terceiro lugar na classificação geral, atrás apenas da dupla Atletiba, se classificando novamente para a Série D e conseguindo a vaga inédita para a Copa do Brasil de 2012, no ano do centenário. Na Final do Interior contra o Cianorte, acabou perdendo o título nas penalidades. Na Série D, caiu ainda na primeira fase.

Em 2012, o centenário Fantasma participou pela primeira vez da Copa do Brasil. O desempenho, no entanto, não foi o esperado pelos torcedores. Na primeira fase, o time foi derrotado pelo Juventude-RS por 4 a 0 em pleno Germano Krüger e acabou eliminado. No Paranaense, teve uma campanha mediana e acabou na sexta colocação, não se classificando para nenhuma competição nacional.

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Pelo bem do jornalismo. Equipe Redação em Campo.

 

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