Blog do Redação: Atletiba com torcida única – a solucionática que não resolveu a problemática, por Guilherme Mattar

O Atletiba é um campeonato à parte. Não há favorito, e mesmo aquela equipe que passe por um mau momento ganha motivação extra para espantar a urucubaca. E não é apenas dentro de campo que a energia muda. Nas arquibancadas, também. Sabendo disso, e buscando evitar as famigeradas confusões que infelizmente são parte integrante dos jogos de maior importância, optou-se por um fato até então inédito na vasta história do maior clássico do futebol paranaense: presença única e exclusiva da torcida atleticana nas arquibancadas da Vila Capanema.

A PM gostou. Em uma atitude onde basicamente reconheceu a incapacidade de garantir a segurança em um jogo de futebol importante, aprovou a ideia, com o aval das equipes envolvidas. Afinal de contas, se não há rivais no estádio, não há confusão, certo? Errado. O buraco é um pouco mais embaixo.

Dentro da Vila, de fato, não teve nenhum problema. Os rubro-negros que assistiram ao empate por 0 a 0 puderam aproveitar o Atletiba numa boa. Mas, fora das dependências do Durival Britto e Silva, não foi bem assim.

Nos registros da Polícia Militar, constam quatro ocorrências de confrontos entre coxas-brancas e atleticanos, na noite de quarta-feira passada. Ônibus depredado, torcedor esfaqueado e baleado, rojão, brigas marcadas com antecedência, Siate sendo chamado, cinco prisões… Tudo isso aconteceu, mesmo com a Vila Capanema tomada 100% de rubro-negros.

No 2º turno, será a vez de o verde e branco dominar o Couto Pereira. Como definido em acordo, o próximo Atletiba será somente com torcida coxa-branca. Dará certo? Só Deus sabe. Resolverá a questão da violência? Certamente não.

Clássico sem presença de rivais na arquibancada é insosso. Ninguém gosta. É como se faltasse alguma coisa.

E na quarta passada faltou mesmo. Faltou a torcida do Coritiba, claro. Mas não foi só isso. O que realmente faltou foi um policiamento eficaz, que fizesse seu trabalho e não precisasse excluir 10% da carga de ingressos para evitar dores de cabeça. E, o que é ainda é pior, sequer conseguir evitá-las, de fato.

 

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Pelo bem do jornalismo. Equipe Redação em Campo.

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