O início não podia ser melhor. Com duas vitórias nas primeiras partidas do Paranaense 2012, o Atlético tem 100% de aproveitamento - ao lado do rival Coritiba e do Cianorte. A campanha segue perfeita, mas o futebol está longe de ser aquele que o técnico Juan Ramon Carrasco pretendia quando foi apresentado dia 04 de janeiro.
Adepto do futebol ofensivo, o uruguaio chegou com a promessa de fazer o Furacão jogar como o Barcelona. O treinador da Celeste Olímpica em 2003 no 3 a 3 contra o Brasil, em Curitiba, usa o 4-3-3 como esquema tático e o time atleticano joga desta forma desde os primeiros treinamentos.
O problema está na montagem do elenco. Com apenas Renan como reforço confirmado e muitos pratas-da-casa jogando até de forma improvisada, o time não conseguiu nem superar a posse de bola de seus adversários nos dois primeiros jogos, quanto mais jogar com um estilo parecido ao do Barça.
Claro que é utopia imaginar que com menos de um mês de trabalho qualquer time conseguisse repetir o que o multicampeão azul-grena realiza e a forma física nem se compara aos times do interior, mas o Atlético não dá indícios de que isso deve mudar tão cedo.
O elenco não conta com nenhum lateral-direito de ofício, não tem um jogador com características de segundo volante, algo importantíssimo para um time que joga com apenas três homens no meio e conta com poucos jogadores experientes para a disputa da Série B. Montar um time forte da estaca zero é um desafio interessante para as pretensões de Carrasco.
Alguns conceitos e escalações estão claramente equivocadas. Paulo Otávio é um lateral promissor e já afirmou que joga nas duas, mas o canhoto do lado direito não tem a mesma efetividade no apoio e se perde quando encontra um jogador também canhoto pela frente. O atacante vai sempre puxar para sua perna boa o defensor terá dificuldades para definir o lance com a direita.
O buraco no meio-campo é outra questão que preocupa. Carrasco gosta que seus volantes saiam para o jogo e, até por isso, coloca Paulo Baier na função, mas a recomposição não é adequada. Tanto o Londrina, quanto o Operário tiveram facilidade para chegar até a intermediária defensiva do Atlético, apesar da constante ajuda de Ricardinho para fechar os espaços.
Nieto na ponta-direita parece ser o maior erro até aqui. O argentino não tem velocidade e gás para voltar e marcar o lateral adversário, assim como não tem arranque para puxar os contra-ataques do Atlético, deixando o time preso e acuado no campo defensivo. Isso foi facilmente corrigido com a entrada de Marcelo nas duas primeiras partidas.
Apesar de todos os equivocos, Juan Ramon Carrasco é muito sereno e tem convicção absoluta do que está fazendo. O uruguaio chegou e não contratou reforços aos montes, ao contrário do que os técnicos tupiniquins fazem. Preferiu dar chances a todos os atletas pertencentes ao Furacão e os deixou mostrar o seu valor. Até os contestados, como Bruno Mineiro, artilheiro do time até então, não passaram por pré-julgamentos e tiveram oportunidades para agradar Carrasco e sua comissão técnica.
Espero que as vitórias continuem acontecendo para o técnico continuar tendo tranquilidade no trabalho. Desta forma, o Atlético poderá alcançar um patamar mais elevado e voltar para a elite do futebol brasileiro.