Redação entrevista Carlos Nunes, técnico promovido duas vezes seguidas com o Serrano

Rei do Acesso no Serrano, treinador Carlos Nunes encara novo desafio no MS - Foto: Divulgação / Blog Carlos Nunes

Fundado em 1º de setembro de 2007, o Serrano entrou a Série Bronze Paranaense de 2008 como azarão. Acabou vencendo a competição e conquistando também a Série Prata de 2009. O responsável por este feito inédito no futebol estadual e que se tornou um dos maiores ídolos do torcedor de Prudentópolis foi o técnico Carlos Nunes.

 

O Redação em Campo conversou com o treinador desta impressionante sequência. Confira a seguir:

 

2008 - Chegada ao Serrano e título da Terceirona

 

Cheguei ao Serrano no dia 22 de março de 2008. A montagem do elenco foi retirada do time base que disputou o campeonato sub-20, no qual fomos semifinalistas. O time era muito novo, unido, comprometido e com vontade de conquistar. A diretoria me deu todo o suporte que eu precisava. Tive vídeos de todos os adversários, pude ver todos jogando para preparar minha equipe.

 

Havia quatro equipes do mesmo nível: Serrano, Platinense, Arapongas e São José. Nós fizemos uma grande campanha, com 11 vitórias, quatro empates e três derrotas. A nossa situação estava tão boa, que para decidir a vaga na Segundona, nós teríamos que perder por 9 a 0, do Club Atlético Juventud (Curitiba), e vencemos por 2 a 1.

 

Na final, enfrentamos o São José, que era uma carne de pescoço. Eles tinham a vantagem de jogar por três empates. Logo no primeiro jogo, nós vencemos por 6 a 2, em casa. Aí no segundo jogo, no estádio do Pinhão, onde eles mandavam seus jogos, nós vencemos por 1 a 0 e liquidamos a fatura.

 

2009 - Mais um acesso e mais um título conquistado

 

Mantivemos a base que venceu a Série Bronze e contratamos mais cinco jogadores. Tirei mais seis de “peneiradas” e usei três deles como titular. A folha do time era de apenas R$ 19.500. Conseguimos superar os adversários, o dinheiro e fomos campeões.

 

Teve um jogo contra o AFA, no estádio do ABC, em que nós estávamos perdendo por 2 a 1. Aos 47 do segundo tempo, o Joel, nosso meio-campista, fez um golaço e empatou o jogo. A partir desse resultado, nós sabíamos que nada poderia tirar a vaga na Primeira da gente. Eu até me arrepio enquanto conto essa história. O narrador da rádio de Prudentópolis dizia: “vamos orar, porque é a última chance do empate, torcedor”. Quando o Joel fez o gol, ele virou o ‘Pé de Anjo’, o narrador deu esse apelido para ele.

 

Na última rodada, Roma e Operário, que também brigavam pelo título, se enfrentavam no Bom Jesus da Lapa, enquanto nós jogávamos contra a Portuguesa no estádio do Café. Nós vencemos por 1 a 0 e fomos campeões, mas a taça estava lá em Apucarana. Esperamos no estádio mais de 50 minutos para o troféu chegar em Londrina. Nós não estávamos com pressa (risos).

 

2009 - Vice-campeonato na Recopa Sul-Brasileira

 

A competição foi realizada na cidade de Votorantim, no interior de São Paulo, próxima de Sorocaba. Os jogos eram no estádio do Votoraty. Na semifinal, nós vencemos o time da casa por 2 a 0. Tiramos a invencibilidade de 22 jogos deles. Não tinham perdido de ninguém no ano. Na outra chave, o Joinville venceu o Porto Alegre.

 

Na final, o jogo estava 2 a 2 e eu comecei a preparar a relação dos meus jogadores que iriam cobrar os pênaltis. Eu abaixei a cabeça e, quando levantei, o Joinville fez o terceiro gol, aos 47 minutos e 40 segundos do segundo tempo. Ser vice-campeão de um torneio importante como esse já valeu muito.

 

2010 - Frustação na primeira divisão

 

O planejamento já começou conturbado. Pedi sete reforços e não fui atendido. Só veio um jogador, mas não ajudou muito. O resultado não foi o que nós queríamos. Eu sai na quarta rodada e o Ricardo Pinto, que entrou no meu lugar, não conseguiu salvar o time do rebaixamento.

 

Agradeço até hoje ao Serrano por ter projetado meu trabalho. Dirigi o time em 70 jogos e conquistei 40 vitórias, 15 empates e 15 derrotas, uma semifinal sub-20, dois acessos conquistando o título e um vice-campeonato.

 

2010 - Volta à Segundona, dirigindo o Foz do Iguaçu

 

Cheguei em março e saí em agosto. Fui o único técnico que ficou no Foz o campeonato inteiro. Estávamos muito bem no campeonato, mas teve um jogo em que a coisa começou a dar errado. Estávamos empatando por 2 a 2 com o São José com um jogador a menos. Aí, dois atletas do Foz brigaram entre si e ficamos com três a menos. A partir daí, não conseguimos segurar a pressão e perdemos por 3 a 2. Acredito que não ter subido tem muito a ver com esse jogo. Isso só aconteceu por falta de responsabilidade dos atletas que brigaram.

 

Contra o Roma, no último jogo, precisávamos de um empate e ficamos novamente com um a menos. Todas as expulsões não precisavam ter acontecido. Os jogadores já não eram mais crianças e prejudicaram demais o time com tudo isso. Perdemos por 4 a 0, ficamos em terceiro e não conseguimos o acesso.

 

2012 - Projeto no Mundo Novo

 

Após trabalhar na montagem do time do Primavera, de Indaiatuba, no interior de São Paulo e como supervisor do Iguaçu/Agex, de União da Vitória, em 2011, vim ser o treinador do U.R.S.O. em 2012. U.R.S.O. significa União Recreativo Social Olímpico, time da cidade de Mundo Novo, no Mato Grosso do Sul, 18 km de distância de Guaíra. Vamos disputar a primeira divisão do estadual.

 

Começamos o trabalho do zero. Todos os jogadores estão sendo escolhidos por mim. O orçamento é muito pequeno, mas o princípio é o mesmo que eu usei no Serrano: eu acredito que é possível e faço os caras acreditarem. Estamos batalhando para fazer um time aguerrido.

 

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Pelo bem do jornalismo. Equipe Redação em Campo.


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