Coluna do Torcedor: Federação Desorganizada de Futebol, por Stanger Silva

A partir do dia 22 de janeiro, num intervalo de 90 minutos dentro de cada rodada, cada um vestirá a camisa do seu time, levantará sua bandeira, cantará o seu hino e estará torcendo por seu clube do coração ou da cidade e torcendo por tropeços de rivais ou adversários dentro do Campeonato Paranaense.

Mas até chegar o dia 22 ou nos intervalos entre as rodadas e também posterior o final das três divisões do campeonato paranaense, todos nós precisamos levantar uma bandeira só. A bandeira do fortalecimento do futebol paranaense.

No campeonato do ano passado, vimos claramente um distanciamento da equipe do Coritiba que venceu os dois turnos, um pouco atrás o Atlético e com pouca folga sobre os clubes do interior e os times que brigaram pelo rebaixamento, também não muito distantes desses dois blocos. Inclusive com a inacreditável e terrível campanha do outro clube de Curitiba que mesmo após várias batalhas judiciais, não teve sucesso e amargará a Divisão de Acesso, como muitos clubes tradicionais do estado. O último deles o nosso querido Londrina que ainda bem e por enquanto encontrou uma luz no final do túnel e conseguiu voltar à elite paranaense.

Mas essa campanha de um modo geral de todos os clubes paranaenses, mais uma vez refletiu nos campeonatos estaduais. O Coritiba que estava acima de todos e com certa folga, fez a bela campanha do vice-campeonato da Copa do Brasil (tem que ser sim louvada essa campanha, pois se não foi contemplada com um título, não há como negar a importância de um vice-campeonato nacional) e fez também uma bela campanha no brasileiro, beliscando ali por muitas rodadas a tão sonhada vaga na Libertadores.

O Atlético, não podia ser diferente, tão próximo no paranaense de equipes que não tinham uma expressão forte nacionalmente e ainda sem reforços de peso e com uma briga intensa nos bastidores (a eleição foi no final do ano, mas a briga interna pelo poder começou bem antes) teve uma campanha terrível, não resistiu e ano que vem amarga junto com o Paraná Clube a série B do brasileiro.

O Paraná então, com o rebaixamento para a Divisão de Acesso (tudo bem que esse fator não influenciou muito na Série B, pois se tinha quase certeza que qualquer manobra, principalmente a conhecida e existente contra o Rio Branco era quase certa que seria vencida e jamais o Paraná iria pra Divisão de Acesso), também fez até um início muito bom de Série B, figurando no G4 por algumas rodadas, mas depois de muitos mandos e desmandos, troca de treinadores e também algumas divergências e brigas internas, só não levaram o Paraná para a série C, pois as rodadas que o deixaram dentro ou perto do G4, acabaram salvando sua pele.

Depois tivemos os nossos dois representantes da série D, Cianorte e Operário, muita luta, muita disposição, mas infelizmente sucumbiram para equipes mais estruturadas ou pelo menos que tem mais condições, pois é inegável que equipes que disputam o campeonato paulista, catarinense, mineiro ou mesmo o gaúcho, têm muito mais estruturas, condições e até mesmo adversários mais difíceis, o que torna essas equipes muito mais fortes que os nossos times paranaenses.

E o resto? Foi interessante (ruim, mas interessante) acompanhar o Londrina na Divisão de Acesso. Praticamente todos os jogadores que jogaram a primeira divisão do paranaense e que não foram disputar os campeonatos nacionais, acabaram migrando, de alguns times da primeira divisão para a segunda. Alguns casos de um ou dois jogadores e em outros casos um time inteiro. E na sequência para a terceira divisão, foi a mesma coisa.

O que estou querendo mostrar com isso tudo, é que hoje, antes e depois de acabarem as divisões do Paraná, seria necessário e com muita urgência a união de todos (Federação, dirigentes dos clubes, comissões técnicas, jogadores, torcedores, sócios, cidades, prefeituras e todo tipo de paranaense que gosta do futebol) para que possamos rever os conceitos, regulamentos e tudo que gira em torno do nosso campeonato paranaense e consequentemente nossos clubes.

Precisamos juntar todas as cores dos nossos clubes e ter um só objetivo. Fortalecer o futebol paranaense. Sabemos que as três equipes que tem calendário garantido o ano todo não dão muita atenção ao nosso campeonato. Claro que disputam, pois tem a certeza de que todo ano terão equipes fracas e desestruturadas pela frente e que fatalmente o título ficará na capital. Salvo raras exceções, como o Iraty que depois teve que disputar o tal do Supercampeonato e que no final na mídia só valeu o título do Atlético e o Paranavaí, que foi realmente uma feita que muitos não acreditavam e mesmo a nossa final caipira de 1992 que também foi vencida pelo Londrina de forma surpreendente, não se consegue fazer frente, seja pra um ou outro clube da capital.

Mas não estou aqui querendo reacender a chama do capital x interior. Longe disso. Em épocas passadas, quando realmente tínhamos times fortes no interior, Londrina, Maringá, Cambará, Bandeirantes, Apucarana, Arapongas, Cascavel, Toledo, Guarapuava e muitas outras cidades e clubes, essas equipes realmente eram fortes. E mesmo assim as equipes da capital que sempre foram mais bem estruturadas (não vamos entrar nos méritos do porque ou mesmo se haviam ajudas ou não), mas as equipes da capital eram obrigadas a montar realmente equipes fortes no paranaense e então todas essas equipes fortes do interior e da capital, chegavam com uma alta competitividade nos campeonatos nacionais.

Com o tempo isso foi se perdendo. Equipes foram se desfazendo, punições e poucos incentivos, equipes que perderam espaço nacionalmente, ficando restrito a somente um calendário de meio ano e alguns regulamentos que mataram a cada dia muitas equipes. Quem não se lembra do fatídico campeonato do super-mando? Que por méritos é claro dos clubes da capital, mas pela idiotice do regulamento, não houve chance dos clubes do interior jogar em casa e quem sabe conseguir alguma migalhinha de pontos e além de levaram um prejuízo tremendo sem poder ter suas rendas dentro de seus domínios.

Como já falei, a união e o esforço têm que ser de todos. Mas convenhamos ultimamente a nossa Federação está cometendo erros, trapalhadas, decisões com pesos diferentes que deixa cada vez mais dúvidas se existe uma má intenção, se é mal assessorada ou se realmente não se tem o mínimo de capacidade de se vislumbrar e querer fortalecer o nosso futebol.

O que às vezes fica muito claro, é que querendo ou não, os clubes que já tem um calendário anual, que já tem uma estrutura, que conseguem manter essa estrutura o ano todo, acabam tendo os privilégios ou mesmo que seus interesses sempre estão acima do interesse do restante. Ou que quando existe uma legislação punitiva, se leva a ferro e fogo contra todos os que menos tem poder e estrutura.

Sabemos que existem leis, Estatuto do Torcedor, vistorias, laudos que devem ser cumpridos. Cotas de TV e do campeonato que devem ser respeitados. Mas não poderia ser feito da forma em que tudo isso é utilizado de uma forma ou de proporções divergentes no campeonato paranaense, dependendo se o clube está na Séria A, B, C, D ou nenhuma dessas esferas nacionais. Para que nosso futebol fosse justo, que outros patrocinadores pudessem querer apoiar clubes menores, que mais torcedores estivessem em campo, que víssemos menos torcedores nascidos nas nossas cidades paranaenses torcendo pra clubes de outros estados, a primeira coisa que deveria ser feito era dividir tudo, em partes iguais para os 12 clubes da divisão principal do Paraná. Que as exigências não fossem nem tão duras demais com equipes que mal conseguem colocar uma equipe em campo e que tem um estádio municipal e que depende das prefeituras e que não fossem tão brandas, contornáveis, aceitáveis com outros clubes de maior porte.

A lei dos 100 km para problemas técnicos, de laudos ou de liberações, não deveriam existir. Poderia ser feito algo mais maleável. Além do que, tirando muitos clubes que tem seu estádio próprio, a maioria é refém do poder publico. As vistorias deveriam ser constantes, de tempos em tempos, a cada 3 ou 6 meses por exemplo. E depois talvez uma vistoria final um mês antes do início do campeonato e depois uma semana antes. Pois hoje, mesmo sendo solicitada uma vistoria prévia, a Federação vai aos estádios um mês antes das competições e jogam nos braços dos clubes uma série de melhorias a ajustes a serem feitas. Isso geralmente no meio de dezembro. Ai a prefeitura tem que fazer uma licitação, que dificilmente será com menos de um mês e ai não dá tempo é claro, punição para o clube e mesmo que tenha outro estádio na cidade ou nas cidades vizinhas, vamos lá pra 100 km. Para equipes que se jogar em seus estádios, já se tem um público pequeno, concorrência com o futebol na TV dos outros estados e ai alguém em sã consciência irá percorrer 100 km de estrada para assistir ao jogo dessa equipe? Talvez cinco ou seis que estavam nessa cidade ou aqueles fanáticos que vão até no Acre assistir a uma partida de futebol.

Em contra partida, vimos essa confusão, orquestrada primeiro pelo Atlético, que sabia que não iria usar a Arena e sem o consentimento do Coritiba forçou uma situação na Federação e que a mesmo tentou executar, com uma obrigação de aluguel de uma propriedade particular sem a autorização do dono. Mais uma vez não quero fazer confronto capital e interior. Mas porque o Atlético pode indicar um estádio que não está concedido, tenta outro sem sucesso e cogita até jogar na casa do adversário (que, aliás, é o Londrina e pra nós seria muito bom, mas ainda acho que isso é errado) sendo que o Paranavaí mesmo tendo se matado pra tentar finalizar as obras até segunda-feira, já tem o estádio vetado, sem nenhuma chance de uma última vistoria, um último esforcinho da Federação para liberar o estádio pra fazer a alegria de talvez uns 1 ou 2 mil torcedores naquela cidade, em que esse clube já foi campeão paranaense? Agora é torcer que alguns abnegados viajem os tal 100 km ou mesmo o pessoal de Apucarana (local provável do jogo, já que no caso do Paranavaí a inversão de mando nos turnos não é possível né? Nem cogitado foi), comparecer e dar uma renda ao ACP.

Lembrando ainda, que o jogo de estréia do Londrina, foi solicitado por demais pela direção, que fosse no Estádio do Café, pois assim como o Toledo, estamos voltando à primeira divisão. E da mesma forma que eu tenho certeza que eles irão comparecer a um excelente número contra o Coritiba, tínhamos a grande chance de fazermos o mesmo aqui contra o Atlético. Mas esse simples pedido, também não foi atendido pela Federação que esqueceu ou nem se deu conta do problema que o Atlético poderia enfrentar numa estréia, sabendo-se que na Arena não seria devido à reforma para a copa do mundo.

Só volto a pedir sensibilidade, visão, profissionalismo, antecedência, coerência, transparência e acima de tudo uma vontade de tornar o futebol paranaense grande novamente, assim como muitos torcedores, dirigentes e cidades, tem com os seus clubes. Vamos nos unir, a imprensa também não foque somente nos clubes que tem uma grande estrutura e um calendário o ano todo. Tenham o foco no restante dos clubes que se tivéssemos pelos menos uns oito clubes no cenário nacional, com calendário o ano todo teríamos melhores equipes, maiores públicos e uma grande visibilidade a nível nacional.

Não vamos querer exigir dos clubes que não se tem incentivo e nem um grande calendário, coisas que somente clubes de primeira divisão do brasileiro podem oferecer. Vamos fortalecer o interior, que automaticamente iremos elevar o nível dos clubes da capital e somando tudo isso teremos de volta o futebol paranaense no lugar de onde nunca deveria ter saído.

De um torcedor de um clube que teve uma chance em um milhão de poder recomeçar e ainda não sei onde isso vai dar, mas que gostaria de ver novamente cidades como Maringá, Bandeirantes, Cambará e muitas outras, brigando de igual pra igual e com uma boa qualidade dentro do campo e com uma bela estrutura fora de campo, inclusive com o trabalho que sempre foi maravilhoso, com a gjada, fazendo-os estudar e afastando das armadilhas terríveis das ruas e das drogas. Além de um eterno acompanhante e torcedor do futebol paranaense.

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Coluna do Torcedor por Stanger Silva

Comentários

  1. Alisson diz:

    Belo Artigo!!
    Essa federação é RIDÍCULA….esses paspalhos só atrapalham o campeonato…infelizmente o que os caras ajudam é só a capital,em especial o Time do CORITIBA….td mundo sabe disto….td é feito para a capital ganhar…o super mando foi feito para que e para quem?
    e mais,não é só isto…quando a gente vê esse campeonato pela TV,basta ver os comentários daqueles caras da RPC,que são tds COXA BRANCO….é de dar nojo verem os caras narrando jogo dos times da capital….isto é uma coisa que contribui de certa forma para um enfraquecimento do futebol.
    A VERDADE É: SEMPRE SÃO DOIS PESOS E DUAS MEDIDAS,TD É PARA A CAPITAL…

    parabéns pelo artigo,muito bom e sincero,gosto deste site por isto….

  2. @tubaraosso diz:

    Parabéns !

    Eu vinha me perguntando porque esta Lei dos 100km não é igual para todos? Devido a parcialidade descarada nesta última semana do Presidente Hélio Cury.
    Mas você me fez pensar melhor, não deveria nem existir este tipo de Lei que só faz atrasar e prejudicar o Futebol Paranaense!

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