O “AtleTiba do século” pode selar o rebaixamento do Atlético para a segunda divisão nacional ou salvar o clube de um dos maiores vexames da história. Para contar um pouco da história deste que é um dos maiores clássicos do futebol brasileiro, o Redação em Campo entrevistou o ídolo atleticano Cocito.
RC: Qual foi o Atletiba que mais marcou a sua carreira?
Cocito: Sem dúvida nenhuma, o AtleTiba mais marcante para mim foi o da Seletiva para a Libertadores de 1999, no Couto.
RC: Você era um jogador de marcação e não tinha muitas oportunidades de ir ao ataque, por isso, marcou apenas dois gols como profissional. Um deles foi contra o Coritiba. Conte como foi esse gol.
Cocito: Por ser um jogador estritamente responsável, sempre atento em fazer o que os treinadores me pediam, eu quase nunca chegava à meta adversária. Entretanto, invariavelmente estava ali atrás salvando um gol ou outro. Inclusive um dos que salvei foi em um Atletiba na Arena: após um cruzamento da esquerda, a bola viajou por toda a área, o Flávio acompanhou a jogada e o atacante, que não me recordo o nome, cabeceou no seu contrapé e ali estava eu para salvar o gol em cima da linha. Depois do lance, acabei agarrando as redes e vibrando como se fosse um gol e inflamando ainda mais a Arena. Foi uma sensação ótima, uma cena que muitos se recordam.
Mas nada comparado àquele golaço em 99. Na concentração, eu estava jogando videogame com o Lucas e o Gustavo e marquei um golaço. aí eu disse à eles que faria um igual no jogo. Dito e feito. No clássico, após escaparmos de tomar uma goleada no primeiro tempo, quando eu estava no banco, eu entrei no intervalo e, aos 20 minutos da segunda etapa, o Ataliba tirou uma bola da área, eu dominei, ela quicou e eu peguei no alto, mandando no ângulo esquerdo do Gilberto. Realmente uma bola indefensável, que abriu a porteira para uma goleada histórica dando mais um passo para a primeira Libertadores que o CAP viria a disputar.
RC: Qual é a sensação de jogar um Atletiba com a camisa do Atlético?
Cocito: Vestir a camisa do CAP era a cada dia mais prazeroso, mas poder defender suas cores perante seu maior rival era uma sensação incomensurável, sem explicação e na derrota uma grande decepção, pois realmente é um jogo totalmente diferente, contagiante, empolgante, tenso e algumas vezes até violento, o que nunca deveria acontecer independente da rivalidade.
RC: Quando o clássico era disputado na Arena, a torcida conseguia fazer a diferença a favor do Atlético?
Cocito: A torcida do CAP é fantástica, maravilhosa, vibrante, apaixonante, bonita, enfim, teria aqui inúmeros adjetivos para descrever o que é a torcida do CAP. Sem dúvida nenhuma, uma das mais fiéis do Brasil e do mundo. Com certeza ela fazia, faz e sempre fará diferença em todos os jogos na Arena, mas depende do comprometimento de quem estiver vestindo o manto dentro de campo.
RC: E no Couto? O Atlético sentia a pressão de enfrentar o Coritiba fora de casa com o estádio lotado?
Cocito: Os Atletibas no Couto sempre tinham muito público, mas a torcida do CAP nunca nos deixou só. Sempre nos acompanharam pelo Brasil e pelas Américas, como nas Libertadores. Portanto, mesmo nos clássicos no Couto escutávamos nossa torcida gritando, apesar de estar em menor número, mas sempre nos fazendo sentir confortáveis mesmo estando fora de casa. Podem tentar mas igual a torcida do CAP é difícil encontrar!
RC: Qual é sua expectativa para o “Atletiba do século” deste domingo? Tem algum recado para o torcedor atleticano?
Cocito: Minha expectativa para o jogo deste domingo é a mesma que deve ser de todo atleticano: acreditar até o fim, não jogar a toalha enquanto houver alguma chance, pois para Deus nada é impossível e, se for de merecimento do CAP, dará tudo certo. Do contrário, estarei torcendo da mesma forma, pois o verdadeiro torcedor é aquele de todas as horas. Não somente na hora de comemorar os títulos, mas também na hora de juntas os cacos e dar a volta por cima. Portanto o que peço é que, independentemente do que venha a acontecer, mantenham a serenidade e não partam para a briga, pois se brigarmos, vamos estar nos igualando aos muitos vândalos que deram um péssimo exemplo há pouco tempo atrás após o descenso do seu clube. Cair não é demérito algum. Muitos times grandes caíram e voltaram muito melhores.Violência não leva ninguém a lugar algum!
RC: Sobre a situação atual do Atlético, com o risco iminente de rebaixamento, o que você acha da postura do time?
Cocito: A situação do CAP hoje é realmente muito triste, porém, embora não seja o momento de achar culpados, uma coisa que dá para sentir é que falta comprometimento. E não digo isso somente dos jogadores, mas de todos no clube, pois, apesar das más contratações, não era para estarmos passando por esta situação com o elenco que temos. Tem que ter cobrança dentro de campo e fora dele, e, se tiver que sair na porrada em pról do clube tem que sair, pois é melhor acontecer isso do que estar passando essa situação. Eu passei isso com o Grêmio e não é nada agradável.
RC: Como você pensa que a torcida deve se comportar e se preparar para o jogo de domingo?
Cocito: Como já disse anteriormente, espero e tenho certeza que o torcedor atleticano fará o que sempre fez: vibrar, torcer e sempre acreditar independente do resultado. Que Deus abençõe à todos e que tenhamos um jogo de paz, pois um dia nossos filhos e netos é que estarão indo aos jogos e se continuarmos com a violência que temos nos estádios, como ficarão nossas cabeças num dia de clássico como esse? Pensem nisso e sorte ao nosso Furacão! Saudações Rubro Negras!
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