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‘Atle’ de Clube Atlético Paranaense; ‘Tiba’ de Coritiba Foot Ball Club. O Atletiba bem que merecia espaço nos melhores dicionários da língua portuguesa, porém reconheço que seria tarefa difícil para qualquer Michaelis ou Aurélio descrever este clássico – para deixar muito autor no chinelo – em apenas alguns substantivos.
Em dia de Atletiba tudo fica diferente. O maior clássico do futebol paranaense e um dos maiores do País mexe com os nervos e a rivalidade do torcedor. O domingo começa mais cedo e a tarde demora a passar. O sangue corre mais rápido nas veias e manter a autoridade, jamais se intimidar são alguns dos mandamentos a serem seguidos pelo árbitro. Qualquer deslize pode significar confusão. Falta dura é amarelo. Repetição? É mão no bolso de trás, e expulsão. A torcida vai reclamar, os jogadores te rodear, mas o controle da partida é que não se pode perder.
Nas arquibancadas, mais que apenas cores, o verde e o branco do Coxa, e o preto e o vermelho do Furacão, transformam a magia de um espetáculo, longe de ser uma simples partida de futebol (ou para aqueles que não curtem o nosso soccer: ‘Longe de ser um bando de homens correndo atrás de uma bola’). Gente apaixonada que torce, vibra, chora e ri. Em dia de Atletiba, o coração bate mais forte e as unhas vão desaparecendo. Em 90 minutos, o mundo se resume apenas aos jogadores heróis ou vilões, às quatro linhas do estádio lotado e a uma mistura de sentimentos inexplicáveis.
Além disso tudo, o Atletiba #348 será histórico. De um lado, o rubro-negro joga contra o rival todas as suas possibilidades de evitar o rebaixamento e selar um vergonhoso 2011 para ser esquecido. Do outro, o Coxa – desacreditado pela imprensa do eixo RJ-SP – tem a chance de conquistar uma vaga no maior campeonato sul-americano de clubes (a Libertadores da América), após ressurgir das cinzas e emplacar uma boa série de vitórias. Além disso, rebaixar o maior rival em plena Arena enche de motivação o torcedor alviverde.
Estes são alguns ingredientes do maior Atletiba da história. Daqueles que muitos irão se recordar daqui há 10,20, 30 anos. E que as lembranças sejam apenas do que rolar dentro das quatro linhas e do bonito espetáculo das arquibancadas. Após as 19h de domingo saberemos o resultado disso tudo. Na segunda-feira a vida volta ao normal. A única diferença é que metade do Paraná estará ainda mais feliz, e outra metade decepcionada com a derrota na “batalha” da Arena.
Texto do Jornalista Vacy Alvaro do blog www.cotidianews.wordpress.com