Blog do Redação - E agora, Paraná? por Guilherme Mattar

Foto: Eduardo Bispo / Redação em Campo

O ano de 2011 já pode ser considerado, sem sombra de dúvida, como o pior da história do Paraná Clube. É triste ver uma equipe de futebol, que chegou a ser referência em um passado não distante, cavar um buraco o qual não consegue sair. Se nos anos 90 o Tricolor desfrutava uma saborosa hegemonia no estado, com uma boa estrutura social, se dando ao luxo de ter o técnico mais caro do Brasil, hoje as coisas não vão nada bem. E o buraco, cada vez maior e mais escuro, pode aumentar ainda mais de tamanho, dependendo do que acontecer no próximo sábado.

Os erros não são de agora. Afinal, convenhamos, uma equipe que avança de forma relativamente tranqüila às oitavas-de-final da Taça Libertadores da América não pode culpar o destino por, no semestre seguinte, ser rebaixada de divisão no campeonato nacional. Mas os equívocos de 2011 acabaram se sobressaindo.

Cavalo sai, Ricardo Pinto entra: os problemas permanecem

Roberto Cavalo chegou no final de 2010 para livrar o Tricolor do rebaixamento à Série C. Conseguiu cumprir sua missão e iniciou a temporada seguinte no comando. Só que não por muito tempo. Graças à pífia campanha no 1º turno estadual, Cavalo e boa parte do elenco foram mandados embora. Ricardo Pinto chegou e, verdade seja dita, deu padrão de jogo ao aglomerado de jogadores que ainda não havia alcançado o status de time. Entretanto, o 4º lugar conquistado no 2º turno do paranaense não foi suficiente para evitar o descenso no (os 5 pontos somados na 1ª metade da competição fizeram a diferença). Posteriormente, o caso Adriano viria a tona e teria início o longo imbróglio envolvendo quem faria companhia ao Cascavel na Série Prata de 2012: Paraná ou Rio Branco? A resposta viria no presente mês de novembro: o Tricolor.

A Copa do Brasil passou como uma brisa, e a Série B mostrou um Paraná diferente. Jogando bem, o time repleto de recém-chegados rapidamente alcançou o G4 e por lá ficou até a reta final do 1º turno. A boa campanha acabou dando respaldo à trupe de Paulo César Silva, vice-presidente do clube, que fazia o intermédio entre jogadores e dirigentes. Quando questionado, Paulão se escorava nos resultados positivos.

Kerlon (que não conseguiu emplacar uma seqüência de jogos) e Kelvin (negociado com o Porto) foram embora, as vitórias em casa, até então diferenciais na campanha paranista, começaram a não serem tão freqüentes, e a disconfiança novamente deu as caras. Resultado: na rodada 19, o Paraná não fazia mais parte do grupo de classificação à Série A de 2012.

Derrotas, troca de treinador e polêmicas marcam fim de ano

Contestado pela torcida e pela queda de rendimento paranista, Ricardo Pinto logo rodou. Em seu lugar, a diretoria contratou Guilherme Macuglia. Bastante contestado pelos paranistas, Macuglia teve sua contratação posta em dúvida, mas assumiu o grupo. Entretanto, não modificou o panorama tricolor, que seguiu em queda livre até alcançar um patamar bem conhecido pelo torcedor: o fim do sonho de retorno à elite e a iminência do rebaixamento. Detalhe interessante é que, assim como Cavalo em 2010, Macuglia foi chamado para evitar o descenso, agora em 2011. Mais uma vez, a diretoria paranista deu provas de que não consegue aprender com os erros, e repetiu uma velha história.

Entrevistas polêmicas, a perda de Wellington, contundido, protestos da torcida, tudo isso fez parte do cardápio do Paraná na reta final da Série B. Some-se a essa mistura uma nova eleição, onde um número restrito de torcedores (650 sócios) optou pela continuidade. No pleito, a chapa da situação - liderada por Rubens Bohlen - saiu vencedora, batendo a oposição comandada por Ivan Raveduti (e que tinha apoio da torcida paranista). Nem um pouco unânime, Paulão segue firme e forte no rol de dirigentes tricolores.

E assim a banda tocou em 2011. Queda no estadual, a promessa de um futuro que novamente não se cumpriu… E o gosto amargo de apenas lutar para não cair. Ao final desta edição da 2ª divisão, o Tricolor vai à 38ª rodada ainda com risco de queda. Pequeno, por sorte. Mas no futebol tudo pode acontecer. Quem hoje está mal, ontem pode ter sido pentacampeão paranaense, duas vezes campeão da 2ª divisão e ser o último paranaense a ter disputado a Libertadores. A vida é efêmera. Não se pode dar sopa ao azar.

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