O futebol se altera no decorrer dos anos, e não apenas dentro das quatro linhas. A gestão futebolística também mudou. Em tempos que o profissionalismo invade o ambiente dos dirigentes e que a cobrança por resultados é cada vez maior, planejamento é a palavra da moda. O sucesso ou fracasso de um clube é seguidamente analisado com base em um planejamento e na sequência do projeto - inclusive Atlético, Coritiba e Paraná, o “Trio de ferro” da capital.
Zona de rebaixamento
Após uma boa campanha no Brasileirão de 2010, o Atlético não está tendo um bom ano. Não venceu o estadual, foi eliminado pelo Vasco na Copa do Brasil, pelo Flamengo na Sul-Americana e está na zona de rebaixamento do Campeonato Brasileiro. O futebol parece ter sido preterido à política e à Copa do Mundo de 2014. Mas o mau momento não é exclusividade de 2011. Vale lembrar as últimas temporadas, anteriores a 2010 – de 2006 a 2009 – quando o Atlético fez campanhas abaixo do esperado.
Para 2011, o Furacão perdeu Neto, Rhodolfo e Chico, peças importantes no sistema defensivo que levou o time à 5ª colocação no Brasileirão passado. As reposições não foram à altura e a política de contratações foi errada. Atualmente o Atlético possui no plantel um número elevado de atletas emprestados, que retornarão aos clubes detentores no final da temporada. Como consequência, o elenco não terá uma continuidade e será bastante modificado para 2012. Além disso, as principais apostas (Mádson, Kléberson, Cléber Santana e Santiago Garcia) não conseguiram colocar em prática aquilo que deles era esperado. Os destaques da equipe são jovens: os “pratas da casa” Manoel e Deivid, e o zagueiro Fabrício – mostrando que o investimento em novos valores e na formação de atletas é válido.
A alta rotatividade de treinadores também é prejudicial a uma boa campanha. Antes de Antônio Lopes assumir o comando, cinco técnicos passaram pelo Furacão este ano: Sérgio Soares, Leandro Niehues, Geninho, Adilson Batista e Renato Portaluppi.
O Paranaense como lição
O Paraná Clube também sentiu a falta de um planejamento. Com um novo elenco montado no início do ano, o Tricolor foi rebaixado para a segunda divisão do Campeonato Paranaense. O clube teve que se reinventar para a Série B do Brasileiro e refez o plantel. Com as mudanças, o time pleiteou uma das quatro vagas na elite durante boa parte da competição – um grande feito para uma equipe montada durante o campeonato.
Alguns bons valores, como o lateral Lima, o meia Wellington e o volante Júnior Urso podem ser destacados. O grande problema é que o elenco atual, como em outros anos, deve ser desmontado para a próxima temporada – Júnior Urso já foi para o Avaí. Um novo grupo será montado e o trabalho começará praticamente do zero. As seguidas mudanças são prejudiciais para a ascensão à Série A.
No quesito treinador, o Paraná também teve algumas mudanças no decorrer da temporada. O Tricolor iniciou o ano com Roberto Cavalo, que saiu ainda no Paranaense. Ricardo Pinto assumiu, foi rebaixado no estadual e demitido em junho, no início do Campeonato Brasileiro. Terceiro técnico do ano, Roberto Fonseca levou o time ao G4, mas após queda de rendimento deu lugar a Guilherme Macuglia, atualmente no comando.
Entrando nos eixos
O Coritiba está sendo o clube da capital com o melhor desempenho na temporada. Após más gestões, duas quedas na última década e de disputar a Série B 2010 jogando dez partidas em Joinville, o Coxa deu a volta por cima. Conquistou o Campeonato Paranaense de forma invicta, alcançou a sequência recorde de 24 vitórias – que rendeu marca no Guinness Book - e fez boa campanha na Copa do Brasil.
A base do time campeão da segunda divisão foi mantida e foram contratadas algumas peças pontuais, como o zagueiro Emerson, o volante Léo Gago e o meia Davi – destaques da campanha do primeiro semestre. A política de contratações mudou: o clube tem adquirido uma porcentagem dos direitos dos atletas e firmado um contrato de longa duração, evitando emprestar jogadores e desmanchar o time após cada temporada.
Outro ponto positivo foi a manutenção de Marcelo Oliveira, e, anteriormente, de Ney Franco, no comando técnico da equipe. A continuidade dos treinadores, com o apoio da diretoria, são virtudes de um projeto longo.
Planejamento não é certeza de sucesso, mas, sem dúvida, ajuda. Ainda mais para os times paranaenses, que têm receita de patrocínios e de direitos de transmissão inferiores aos clubes de São Paulo e Rio de Janeiro, por exemplo. Com menos dinheiro para contratações e investimentos, a solução é planejar e utilizar o capital de acordo com um projeto. Assim, objetivos maiores podem ser alcançados.